Problemas dos refugiados palestinos pioram à medida que ajuda internacional diminui

2022-03-22 16:33:11丨portuguese.xinhuanet.com

Trabalhador palestino transporta um carrinho cheio de comida de um centro de distribuição da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA) no campo de refugiados de Al-Shati na cidade de Gaza, no dia 20 de março de 2022. (Foto por Rizek Abdeljawad/Xinhua)

Por Sana Kamal

Ramala, 20 mar (Xinhua) -- Os refugiados palestinos que vivem em campos espalhados por toda a Cisjordânia enfrentam uma piora nos meios de subsistência à medida que a ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas diminuiu devido à insuficiência de fundos.

Dentro do acampamento Balata em Nablus, Sohad Hammouda vive em uma casa de não mais de 50 metros quadrados com sua família de 11 membros e está constantemente preocupada em alimentar sua família.

"No passado, dependia principalmente da assistência prestada pela UNRWA, em termos de alimentos e algum dinheiro, mas hoje as coisas mudaram, a UNRWA reduziu a assistência que costumava fornecer", disse a mulher de 50 anos de idade.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA) foi criada em 1949 como uma agência da Organização das Nações Unidas por uma resolução da Assembleia Geral para fornecer assistência e proteção a aproximadamente 5,6 milhões de refugiados palestinos registrados na Cisjordânia, Faixa de Gaza, Líbano, Síria e Jordânia.

Como um dos mais antigos projetos humanitários iniciados pela Organização das Nações Unidas, a agência passou décadas ajudando os palestinos deslocados. Mas está enfrentando um grande problema.

Funcionários da agência disseram que a UNRWA tem um déficit financeiro de cerca de 100 milhões de dólares neste ano fiscal, o que a forçou a reduzir seus programas de ajuda, incluindo o corte de alimentos.

Refugiado recebe comida de um centro de distribuição da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA) no campo de refugiados de Al-Shati na cidade de Gaza, no dia 20 de março de 2022. (Foto por Rizek Abdeljawad/Xinhua)

"Em vez de receber nossa porção de comida mensalmente, agora só podemos conseguir a cada três meses. E a quantidade é muito menor, mal dá para um mês", disse Hammouda, enquanto amassava farinha para fazer pão para seus filhos.

Para piorar, o marido de Hammouda sofre de insuficiência renal enquanto sua filha mais velha também está doente, o que agrava a carga financeira da família.

"A palavra refugiado significa escapar da morte para um porto seguro, mas escapamos da morte para o sofrimento contínuo", disse ela, acrescentando que sua família vive como refugiada há décadas, mas ainda não viu fim para o sofrimento deles.

Ibrahim Sharara, 76 anos, é um refugiado com deficiência física do campo de Balata. Ele geralmente se senta na frente de sua casa em ruínas com seus vizinhos, já que não há empregos suficientes no acampamento, especialmente para idosos deficientes.

Sharara disse que a vida dentro do campo de refugiados não é fácil, especialmente porque eles esperam ajuda de instituições internacionais para sobreviver.

"Vivo no campo desde 1950, pois minha família foi uma das primeiras a residir neste campo para escapar da morte e do medo", disse o palestino.

Tanto Hammouda quanto Sharara pediram mais ajuda da comunidade internacional, já que a maioria dos refugiados no campo está na miséria absoluta.

Abrigando cerca de 28.000 pessoas, o campo de Balata é apenas um dos 19 campos de refugiados na Cisjordânia, que dependem fortemente da ajuda da UNRWA.

"O campo sofre de superlotação, enquanto a população sofre com a redução da ajuda da UNRWA, pois os moradores dependem de uma clínica médica que funciona apenas em horários específicos", disse à Xinhua, Faryal Kharoub, ativista comunitário do campo de Balata, acrescentando que temem que o resto do mundo esquece gradualmente o sofrimento dos palestinos.

Hammouda disse que não via como viver fora do campo de refugiados, onde mora há muitos anos, mas espera que um dia seus filhos possam sair e viver em um lugar próspero.

Nevin, uma de suas filhas, entrou em uma universidade para estudar programação de computadores.

"Embora outros estudantes da minha idade sonhem em se formar na universidade para alcançar suas aspirações na vida, desejo ajudar minha mãe com as despesas domésticas e ajudar meus irmãos a completar sua educação", disse a estudante universitária de 20 anos.

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