Países do Oriente Médio ignoram ditado dos EUA para buscar autonomia estratégica-Xinhua

Países do Oriente Médio ignoram ditado dos EUA para buscar autonomia estratégica

2022-08-01 09:58:00丨portuguese.xinhuanet.com

O presidente francês, Emmanuel Macron (direita), e sua esposa, Brigitte Macron (esquerda), recebem o presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan (centro) no Palácio do Eliseu em Paris, França, no dia 18 de julho de 2022. (Foto por Rit Heize/Xinhua)

Analistas dizem que por trás desses movimentos está uma busca conjunta por desenvolvimento e segurança pelos países regionais, à medida que tentam retomar em suas próprias mãos a autonomia estratégica há muito ofuscada pela influência dos EUA.

Teerã, 30 jul (Xinhua) -- Dias depois que o presidente dos EUA, Joe Biden, encerrou sua primeira viagem ao Oriente Médio com o objetivo de conseguir apoio, uma série de desenvolvimentos regionais ocorreu na região, demonstrando a busca ansiosa dos países regionais por autonomia estratégica e seu cansaço da interferência dos EUA.

Após a visita de Biden, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan visitou o Irã junto com o presidente russo, Vladimir Putin. O presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, escolheu Paris, em vez de Washington, como destino de sua primeira visita de Estado ao exterior, enquanto Teerã e Riade concordaram em ter suas conversas públicas de reconciliação.

Analistas dizem que por trás desses movimentos está uma busca conjunta por desenvolvimento e segurança pelos países regionais, à medida que procuram retomar em suas próprias mãos a autonomia estratégica há muito ofuscada pela influência dos EUA.

RELUTÂNCIA EM ASSUMIR LADO

À medida que a crise na Ucrânia continua aumentando, a maioria dos países do Oriente Médio se recusou a se juntar ao "campo anti-russo" liderado pelos Estados Unidos, destacando a divisão entre eles. Por exemplo, os Emirados Árabes Unidos em fevereiro se abstiveram de votar a favor de uma resolução apoiada pelos EUA para condenar a Rússia no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Sobre a questão energética, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha têm pedido aos países ricos em petróleo do Oriente Médio que aumentem a produção de petróleo para reduzir os preços do petróleo e aliviar sua crise energética, criando assim espaço político para pressionar ainda mais a Rússia.

No entanto, a Arábia Saudita e outros países do Golfo não demonstraram muito interesse em cooperar com os Estados Unidos em questões de petróleo, pois tal medida prejudica seus interesses nacionais. Riade afirmou repetidamente que a produção de petróleo do reino não aumentará até que um acordo seja alcançado com seus parceiros da OPEP + durante sua próxima reunião em agosto.

Os países do Oriente Médio têm demonstrado "cada vez mais confiança diante das potências mundiais", escreveu Fan Hongda, professor do Instituto de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai, na China, acrescentando que as potências tradicionais de energia no Oriente Médio "estão se recuperando rapidamente " e fazendo com que suas vozes serem ouvidas no cenário internacional.

ESFORÇOS DE RECONCILIAÇÃO

A primeira visita de Biden ao Oriente Médio teve como objetivo reunir apoio para combater o que ele chamou de "ameaças iranianas", mas a conquista real é, na melhor das hipóteses, diluída. Embora Washington esteja aumentando a ameaça do Irã, o Iraque afirmou recentemente que sediará uma reunião "pública" entre o Irã e a Arábia Saudita no nível de ministros das Relações Exteriores como parte de sucessivas negociações de reconciliação mediadas por Bagdá.

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi (centro), o presidente russo, Vladimir Putin (esquerda), e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, posam para uma foto antes de uma reunião trilateral sobre a situação na Síria, no Teerã, Irã, no dia 19 de julho de 2022. (Site presidencial iraniano/Divulgação via Xinhua)

Esse possível degelo nas relações Irã-Arábia Saudita faz parte de um esforço de reconciliação mais amplo na região, já que países como Turquia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito também estão ajustando suas políticas externas e retomando suas relações após anos de antagonismo.

Por muito tempo, os Estados Unidos vêm tentando consolidar sua influência regional por meio da provocação do confronto em bloco, e aproveitando os laços tensos entre os países da região para interferir, mas isso tem sido amplamente reconhecido pelos países do Oriente Médio como sendo contrário aos interesses da região, dizem políticos e analistas.

"O diálogo é a melhor política para lidar com as tensões", disse recentemente o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, acrescentando que "a região já tem crises suficientes e não precisa de mais tensões".

Paralelamente à redução das tensões, o desenvolvimento se torna "cada vez mais importante" na agenda nacional dos países do Oriente Médio, e os países regionais vêm fortalecendo a cooperação entre si para alcançar o desenvolvimento, disse Fan.

"DESPERTAR DO ORIENTE MÉDIO"

Biden, falando em uma cúpula com líderes árabes como parte de sua recente viagem, disse que os Estados Unidos "não vão se afastar" do Oriente Médio e deixar um chamado "vácuo" a ser preenchido por outros grandes países.

Presidente dos EUA, Joe Biden, participa de uma sessão de trabalho com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman Al Saud no Palácio Al-Salam em Jidá, Arábia Saudita, no dia 15 de julho de 2022. (Agência de Imprensa Saudita /Divulgação via Xinhua)

No entanto, tal observação de Biden reflete "sérios problemas com a percepção atual do Oriente Médio nos Estados Unidos" e "os países do Oriente Médio em constante percepção estão conscientemente se livrando ou reduzindo a influência das potências mundiais na região", disse Fan.

O Oriente Médio está sendo reformulado, e esse processo conta com maior protagonismo dos países da região, disse Fan.

Enquanto isso, as economias ricas em petróleo do Oriente Médio, para ganhar autonomia, tentaram diversificar suas economias e reduzir sua dependência de hidrocarbonetos nos últimos anos, para aumentar sua capacidade de suportar riscos.

"As potências estrangeiras têm uma profunda marca econômica, política e militar na região. Um Oriente Médio economicamente independente pode desafiar os padrões estabelecidos de hegemonia externa e minar o legado prolongado de dividir para reinar", escreveu Adeel Malik, pesquisador de economia da Universidade de Oxford.

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