Rio de Janeiro, 29 set (Xinhua) -- O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, expressou otimismo nesta segunda-feira em relação às negociações com o governo dos Estados Unidos para a redução da tarifa de 50% aplicada as exportações brasileiras, após breve reunião entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente americano, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na semana passada.
Alckmin enfatizou que o bom relacionamento entre os dois líderes abre caminho para novos passos na relação bilateral. "Com essa boa reunião, como disse o presidente Trump, que houve química entre ele e o presidente Lula, acredito que avançaremos e teremos bons argumentos, porque o Brasil não é um problema para os Estados Unidos, que mantêm um superávit comercial com o nosso país", afirmou em entrevista à rádio CBN.
O vice-presidente observou que, embora uma reunião formal entre Lula e Trump ainda não tenha sido agendada, o diálogo já dura meses. Ele lembrou que Washington emitiu um decreto há duas semanas eliminando tarifas sobre celulose e níquel-ferro, o que beneficia o Brasil. "Exportamos muita celulose; isso equivale a US$1,7 bilhão. No ano passado, exportamos US$40 bilhões para os Estados Unidos, então 4% das nossas vendas foram isentas de tarifas", enfatizou.
Alckmin afirmou que os argumentos do Brasil são sólidos e que há potencial para investimentos recíprocos. "Muitas empresas brasileiras querem investir nos Estados Unidos. É uma relação vantajosa para todos, e confiamos que haverá uma boa conversa entre o presidente Lula e o presidente Trump, que permitirá mais progresso e desbloqueio", acrescentou.
O vice-presidente considerou possível que, à medida que o diálogo avança, também haja progresso em relação às sanções impostas por Washington contra as autoridades brasileiras. "Não tenho detalhes, mas acredito que a abertura e o progresso do diálogo melhorarão muito a relação entre Brasil e Estados Unidos", disse ele.
Apesar do otimismo, Alckmin enfatizou que o governo brasileiro continua trabalhando para diversificar mercados, capacitar exportadores e firmar novos acordos comerciais. "Os acordos Mercosul-Cingapura e Mercosul-EFTA já foram assinados e, antes do final do ano, precisamos assinar o acordo Mercosul-União Europeia. Em 15 dias, viajo para a Índia, que tem 1,4 bilhão de habitantes e cresce a uma taxa de 6,5% ao ano", disse.
Por fim, destacou o interesse internacional pelas terras raras brasileiras e a necessidade do mapeamento geológico desses minerais para, em uma segunda fase, avançar em sua exploração e gerar maior valor agregado para o Brasil.

