Direita cresce na Europa e impacto a longo prazo continua incerto-Xinhua

Direita cresce na Europa e impacto a longo prazo continua incerto

2022-12-30 19:09:00丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas do lado de fora do prédio da Comissão Europeia em Bruxelas, Bélgica, no dia 18 de outubro de 2022. (Xinhua/Zheng Huansong)

Os eleitores em várias partes da Europa estão ficando na extrema-direita buscando por mudanças, já que foram afetados pelo aumento nas contas de energia e pela inflação recorde intensificada pela crise na Ucrânia.

Roma, 27 dez (Xinhua) -- Crescendo na Itália e na Suécia, além de pontos de apoio na Hungria e na Polônia, o nacionalismo de direita aumentou na Europa em 2022.

Os eleitores em várias partes da Europa estão ficando na extrema-direita buscando por mudanças, já que foram afetados pelo aumento nas contas de energia e pela inflação recorde intensificada pela crise na Ucrânia.

Os analistas ainda estão em desacordo sobre o impacto que os últimos acontecimentos terão na formulação de políticas da União Europeia (UE).

IMPULSO PARA A DIREITA

Os populistas da direita ideológica conquistaram cada vez mais votos nas últimas eleições legislativas que aconteceram na Europa, segundo uma análise do Pew Research Center em outubro.

Giorgia Meloni (frente, 2º, esquerda), líder do partido Irmãos da Itália, deixa seção eleitoral depois de votar em Roma, Itália, no dia 25 de setembro de 2022. (Xinhua/Jin Mamengni)

A mudança mais acentuada aconteceu na Itália. Em setembro, o partido de direita Irmãos da Itália, de Giorgia Meloni, ficou em primeiro lugar nas eleições nacionais e, um mês depois, ela foi empossada como a primeira mulher primeira-ministra do país.

Seu governo de coalizão agora inclui a Liga, outro dos partidos nacionalistas do país.

Também em setembro, os Democratas Suecos de extrema-direita se tornaram o segundo maior partido no Parlamento da Suécia depois das eleições gerais.

O nacionalismo de direita também prosperou sob Viktor Orban na Hungria desde 2010. A coalizão governista Fidesz-Democrata Cristão (KDNP) de Orban teve uma vitória esmagadora nas eleições parlamentares do país em abril, resultando que ele atuasse como primeiro-ministro pela quinta vez.

Marine Le Pen, candidata do partido de extrema-direita Reunião Nacional, participa de comício depois do segundo turno presidencial em Paris, França, no dia 24 de abril de 2022. (Xinhua/Gao Jing)

Na França, o partido de extrema-direita Reunião Nacional, liderado por Marine Le Pen, teve vitórias recordes nas eleições parlamentares e se tornou o principal partido da oposição no Parlamento pela primeira vez. A Polônia também é governada por uma coalizão nacionalista de direita.

Parece que os eleitores jovens tendem a "se inclinar totalmente para a direita" na França, Espanha e Itália, segundo um artigo publicado no site do Project Syndicate.

ANSEIO POR MUDANÇAS

Por mais que cada país seja único, os analistas concordam com uma tendência definida.

As "ideologias dos partidos nacionalistas de direita emergentes estão atendendo às necessidades que as pessoas têm no momento", disse à Xinhua Pietro Paganini, analista-econômico, político e fundador do think tank Competere.

"As pessoas sabem que suas instituições, seja nos países de origem ou internamente na (capital administrativa da União Europeia) Bruxelas definitivamente não estão resolvendo os problemas, então elas tendem a ir para posições opostas", disse Paganini.

Foto tirada no dia 28 de abril de 2022 mostra o escritório da gigante energética russa Gazprom em Moscou, Rússia. (Foto por Alexander Zemlianichenko Jr/Xinhua)

O conflito Rússia-Ucrânia está cobrando um preço cada vez maior das economias europeias, que enfrentam uma "mistura ruim de alta inflação e crescimento lento", escreveu Alfred Kammer, diretor do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional, em um blog em outubro.

"As altas pressões dos preços da energia, a queda do poder de compra das famílias, um ambiente externo mais fraco e condições de financiamento mais apertadas devem levar a UE, a zona do euro e a maioria dos Estados-membros à recessão no último trimestre do ano", afirmou a Comissão Europeia em sua previsão de outono, que projetava crescimento econômico tanto na UE quanto na zona do euro em 0,3% para 2023.

"As questões econômicas são muito complexas", disse Paganini à Xinhua. "Às vezes, mesmo aqueles que eu definiria como formuladores de políticas tradicionais são incapazes de lidar com essa complexidade. As pessoas procuram soluções simples. Os populistas de direita são ótimos em apontar o problema, mas eles não conseguem sequer identificar a complexidade e facilitar com que as pessoas entendam".

IMPACTO INCERTO

Enquanto alguns temem que os partidos populistas de direita no poder possam representar uma ameaça à solidariedade e à integração na Europa, os analistas reconhecem que esses partidos precisam lidar com desafios internos urgentes e dizem que o impacto nas mudanças políticas da Europa permanece incerto.

Posto de gasolina Total Energies temporariamente fechado em Paris, França, no dia 6 de outubro de 2022. (Xinhua/Gao Jing)

O partido Irmãos da Itália de Meloni, que em sua formação atual nunca desempenhou um papel em uma coalizão governista na Itália antes, continuou amplamente a política econômica e energética do governo anterior, embora em algumas medidas seja mais eficaz em comunicar o que essas políticas precisam.

Essa integração está atenuando parte da controvérsia em torno dos movimentos populistas de extrema-direita. Mas isso não significa que não tenham impacto em algumas áreas, principalmente na política para migrantes, uma área em que a Itália adotou uma postura difícil, provocando críticas da França, da Comissão Europeia e de outros países.

Em toda a Europa, partidos populistas de direita têm pressionado por gastos do governo para amenizar o impacto dos preços - políticas que receberam reprimendas do Banco Central Europeu (BCE) e contribuíram para o aumento dos rendimentos dos títulos do governo, principalmente em países altamente endividados.

Foto tirada no dia 8 de setembro de 2022 mostra a escultura do euro e uma escultura de fonte em Frankfurt, Alemanha. (Xinhua/Shan Weiyi)

No entanto, os especialistas duvidam que essas mudanças continuarão.

"Acho que não podemos chamar o que está acontecendo na Europa de onda nacionalista, mas isso pode mudar", disse Eelco Harteveld, cientista político da Universidade de Amsterdã, em entrevista.

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