Tecnologia brasileira aposta no controle biológico para combater o mosquito da dengue-Xinhua

Tecnologia brasileira aposta no controle biológico para combater o mosquito da dengue

2026-02-21 17:35:02丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 21 fev (Xinhua) -- Uma startup no estado do Tocantins, no nordeste do Brasil, desenvolveu uma armadilha inovadora para o controle biológico do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A iniciativa visa reduzir a disseminação dessas doenças sem recorrer a inseticidas químicos.

A solução foi desenvolvida pela WASI Biotech, startup fundada em 2023. Consiste em um dispositivo impresso em 3D, feito de material biodegradável, que atrai o mosquito e o infecta com o fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae, um agente biológico considerado inofensivo para humanos e animais domésticos.

Segundo um dos fundadores da startup, Walmirton D'Alessandro, médico de Medicina Tropical, o mecanismo reduz tanto a expectativa de vida do inseto quanto sua capacidade de transmitir doenças virais.

"A solução já passou pelas fases iniciais de validação conceitual e testes em laboratório, que demonstraram a eficácia dos agentes biológicos no controle do vetor", explicou D'Alessandro. "Atualmente, estão sendo conduzidos estudos experimentais e testes de campo controlados, com monitoramento científico, para avaliar o desempenho do dispositivo em condições reais", acrescentou.

O diferencial da tecnologia reside no uso do controle biológico, sem a aplicação direta de produtos químicos, bem como na possibilidade de replicar o dispositivo a baixo custo graças à impressão 3D.

Segundo o pesquisador, a armadilha também pode incorporar sensores capazes de medir variáveis como temperatura, umidade e pressão ambiente, o que permitiria a geração de dados estratégicos para apoiar a vigilância em saúde pública e o monitoramento de condições favoráveis à proliferação de mosquitos.

A iniciativa recebeu apoio inicial do programa Centelha, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em colaboração com outras instituições brasileiras.

O programa, que seguirá para sua terceira edição até 2027 com editais planejados em 11 estados brasileiros, já recebeu mais de 26 mil propostas em suas fases anteriores e apoiou a criação de cerca de 1.600 empresas inovadoras no país.

A startup pretende focar sua solução em parcerias com governos e secretarias de saúde, visando uma futura implementação em larga escala em políticas públicas de combate a doenças transmitidas por vetores.

"Empreendedorismo com propósito, responsabilidade social e base científica é um caminho sólido para gerar impacto real e sustentável na saúde pública", concluiu D'Alessandro.

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