
Li Song (na tela), representante permanente da China junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), discursa na reunião de março do Conselho de Governadores da AIEA em Viena, Áustria, em 3 de março de 2026. O acidente nuclear de Fukushima, embora desencadeado por um desastre natural, foi essencialmente um desastre provocado pelo homem que expôs sérias deficiências no sistema regulatório nuclear do Japão, disse Li na terça-feira. (Missão Permanente da China junto à ONU e outras Organizações Internacionais em Viena/Divulgação via Xinhua)
Viena, 3 mar (Xinhua) -- O acidente nuclear de Fukushima, embora desencadeado por um desastre natural, foi essencialmente um desastre provocado pelo homem que expôs sérias deficiências no sistema regulatório nuclear do Japão, disse um enviado chinês na terça-feira:
Li Song, representante permanente da China junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), fez essas declarações em um discurso na reunião do Conselho de Governadores da AIEA, em Viena, no 15º aniversário do acidente nuclear de Fukushima, no Japão.
Li pediu à AIEA que mantenha uma revisão a longo prazo do gerenciamento subsequente do acidente e que supervisione rigorosamente o Japão de acordo com os mais altos padrões globais de segurança nuclear e as melhores práticas.
O acidente, ocorrido há 15 anos, interrompeu o ímpeto do desenvolvimento global da energia nuclear e representou um duro golpe para a confiança da comunidade internacional na segurança nuclear. Ele expôs sérias deficiências no sistema regulatório nuclear japonês e uma grave carência na cultura de segurança nuclear, além de ter proporcionado ao Japão lições extremamente profundas, disse Li.
O Japão, desconsiderando as fortes preocupações e a oposição da comunidade internacional, especialmente dos países vizinhos, prosseguiu com o despejo da água contaminada por radiação de Fukushima no oceano, transferindo assim os riscos à segurança nuclear para além de suas fronteiras. Essas ações são altamente irresponsáveis e contrárias à responsabilidade moral internacional, enfatizou Li.
A China se opõe firmemente ao despejo de água contaminada pelo desastre nuclear de Fukushima no mar, realizado pelo Japão, e apoia a AIEA no estabelecimento e fortalecimento contínuo de um mecanismo de monitoramento internacional independente, objetivo e eficaz a longo prazo, disse Li.
A China vem participando ativamente de amostragem e monitoramento independentes, além de comparações interlaboratoriais, no âmbito da AIEA, para garantir que o despejo realizado pelo Japão não cause danos a longo prazo ao meio ambiente marinho global e à saúde pública, acrescentou Li.
O despejo é apenas um primeiro passo vergonhoso no longo processo de lidar com o acidente nuclear de Fukushima, disse Li. Ele ressaltou que, nos últimos 15 anos, inúmeros casos de má conduta, fraude e vazamentos de substâncias radioativas envolvendo empresas de energia nuclear, como a Tokyo Electric Power Company, foram expostos.
O Japão deve ter a coragem de encarar a história, fortalecer efetivamente a regulamentação da segurança nuclear em nível nacional, eliminar os riscos potenciais à segurança e aceitar conscientemente a supervisão internacional. "Esta seria a linha de ação apropriada, em vez de tentar ocultar os problemas ou minimizar sua gravidade", disse Li.
Li disse que a China apoia a AIEA no cumprimento ativo de suas responsabilidades e na assistência e supervisão ao Japão no enfrentamento dos complexos desafios do descomissionamento da usina nuclear de Fukushima e do descarte de resíduos radioativos de alta atividade, em conformidade com os mais altos padrões globais de segurança nuclear, os requisitos mais rigorosos e as melhores práticas dos Estados-membros.
Além disso, a China está disposta a alavancar suas vantagens tecnológicas e gerenciais para participar ativamente desse processo, acrescentou Li.

