Guerra no Oriente Médio eleva preços do petróleo e atrapalha economia global-Xinhua

Guerra no Oriente Médio eleva preços do petróleo e atrapalha economia global

2026-03-06 09:28:21丨portuguese.xinhuanet.com

 

Foto tirada em 3 de março de 2026 mostra fumaça após explosões em Teerã, Irã. (Xinhua/Shadati)

"A escalada do conflito no Oriente Médio, principalmente envolvendo o Irã, representa uma grave ameaça ao fornecimento global de energia. Interrupções no Estreito de Ormuz podem causar grandes aumentos nos preços do petróleo, inflação significativa e efeitos em cadeia na economia global", disse o think tank americano Council on Foreign Relations.

Beijing, 4 mar (Xinhua) -- A economia global pode mergulhar em uma situação crítica, já que os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, que se desenrolaram no fim de semana, devem causar um forte impacto no fornecimento global de energia, no comércio e no mercado de ações, alertaram analistas.

PERDAS NO MERCADO

Após o início dos ataques, os principais mercados de ações mundiais foram afetados pela escalada das tensões no Oriente Médio, levando os índices a território negativo.

Na Ásia, o índice Nikkei do Japão chegou a cair 3% na manhã de quarta-feira, ampliando suas perdas, em meio à preocupação de que o conflito se prolongue, com o Estreito de Ormuz, uma importante via navegável para o transporte de petróleo e gás, praticamente fechado.

As ações sul-coreanas abriram em forte queda na quarta-feira, ampliando as perdas da sessão anterior, que registrou queda de 7%. A principal operadora da bolsa de valores do país, a Korea Exchange, emitiu um sidecar para o lado vendedor por dois dias consecutivos, suspendendo a venda de contratos futuros do KOSPI.

Na Europa, o índice DAX fechou em 23.790,65 pontos, uma queda de 847,35 pontos, ou 3,44%, na terça-feira. O índice FTSE 100 fechou em 10.484,13 pontos, uma queda de 295,98 pontos, ou 2,75%, enquanto o CAC 40 de Paris fechou em 8.103,84 pontos, uma queda de 290,48 pontos, ou 3,46%.

No mesmo dia, os principais índices de ações dos EUA recuaram, com o índice S&P 500 fechando em 6.816,63 pontos, uma queda de 64,99 pontos, ou 0,94%, e o índice Nasdaq Composite fechando em 22.516,69 pontos, uma queda de 232,17 pontos, ou 1,02%. O índice Dow Jones Industrial Average fechou em 48.501,27 pontos, uma queda de 403,51 pontos, ou 0,83%.

Operadores trabalham no pregão da Bolsa de Valores de Nova York, nos Estados Unidos, em 2 de março de 2026. (Xinhua/Liu Yanan)

PREÇOS DO PETRÓLEO EM ALTA

O que realmente importa para o mercado é o petróleo, suas implicações para a inflação e para a economia mundial em geral.

Um alto assessor militar iraniano disse na segunda-feira que as forças armadas do país não permitirão a exportação de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Ebrahim Jabbari, assessor do comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês), fez as declarações em entrevista à emissora estatal IRIB TV, alertando que as forças armadas do país agirão contra qualquer movimentação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, rota marítima responsável por um quinto do petróleo consumido globalmente.

Anteriormente, a mídia iraniana noticiou que a IRGC fechou o estreito à navegação, declarando a importante via navegável para petróleo e gás insegura devido aos ataques dos EUA e de Israel.

"Uma guerra no Irã pode causar o maior choque no mercado de petróleo em anos", alertou a revista britânica The Economist. O contrato de referência do petróleo bruto Brent subiu 1,2% no início do pregão de quarta-feira, atingindo 82,45 dólares por barril, o maior valor desde julho de 2024, e acumula alta de 14% desde sexta-feira.

Além disso, a expansão do conflito no Oriente Médio parece destinada a causar a maior perturbação nos mercados de gás. Os vizinhos do Irã, incluindo o Catar, estão entre os maiores produtores mundiais, e a região também é uma rota de abastecimento vital, com 20% das exportações de gás natural liquefeito (GNL) passando pelo estreito, segundo analistas.

O think tank americano Council on Foreign Relations disse que o petróleo é uma matéria-prima fundamental e que as interrupções provavelmente levarão a alta inflação e recessões econômicas significativas.

"A escalada do conflito no Oriente Médio, principalmente envolvendo o Irã, representa uma grave ameaça ao fornecimento global de energia. Interrupções no Estreito de Ormuz podem causar grandes aumentos nos preços do petróleo, inflação significativa e efeitos em cadeia na economia global", disse o comunicado.

Operadores do mercado disseram que os preços do petróleo continuarão subindo se a guerra continuar, podendo aumentar 20% caso haja um corte no fornecimento iraniano. Se o estreito for fechado, os preços do petróleo provavelmente ultrapassarão os 100 dólares por barril, com a Índia, o Japão e os países europeus sofrendo os maiores impactos.

Na zona do euro, os operadores consideraram uma pequena possibilidade de aumento da taxa de juros pelo Banco Central Europeu este ano, e o economista-chefe Philip Lane disse que uma guerra prolongada no Oriente Médio poderia causar um aumento substancial na inflação da zona do euro e reduzir o crescimento econômico.

Foto tirada em 28 de fevereiro de 2026 mostra interior do Aeroporto Internacional Ben Gurion, perto de Tel Aviv, Israel. (Foto de Gil Cohen Magen/Xinhua)

PIOR CENÁRIO

A Capital Economics, consultoria de pesquisa macroeconômica com sede em Londres, prevê que um conflito prolongado que afete o fornecimento poderá fazer com que os preços do petróleo disparem para cerca de 100 dólares, potencialmente adicionando 0,6 a 0,7 ponto percentual à inflação global.

De acordo com o Citigroup, um choque sustentado de 10 dólares por barril de petróleo poderia desancorar agressivamente as expectativas de inflação nos mercados emergentes, atingindo mais duramente os países com baixas reservas cambiais. Argentina, Sri Lanka, Paquistão e Turquia são os mais expostos a saídas repentinas de capital.

A Turquia é altamente dependente da importação de petróleo e gás natural, e qualquer interrupção, ou mesmo a percepção de interrupção, nas rotas de fornecimento deverá pressionar o aumento nos preços, ampliando diretamente o déficit em conta corrente, disse à Xinhua, Mustafa Sonmez, economista baseado em Istambul.

Um pico do petróleo para 100 ou 110 dólares por barril aumentaria significativamente a necessidade de financiamento externo da Turquia e exacerbaria a taxa de inflação do país, disse Sonmez.

Senol Babuscu, especialista em bancos da Universidade Baskent de Ancara, disse que as pressões inflacionárias podem surgir por meio de canais diretos e indiretos.

"Quando as famílias antecipam preços mais altos de combustíveis e alimentos, elas ajustam seus hábitos de consumo, e as empresas ajustam suas estratégias de precificação", disse Babuscu à Xinhua. "Isso pode acelerar o ciclo inflacionário".

Eles acrescentaram que o impacto geral na economia dependerá da abrangência e da duração de qualquer confronto.

A ICIS (Serviços independentes de inteligência de commodities), provedora global de informações sobre os mercados de petroquímicos, energia e fertilizantes, com sede em Londres, analisou três cenários da crise no Irã e seu impacto na economia global.

No melhor cenário, em que o choque seja contido, haverá uma leve desaceleração do crescimento global e uma inflação temporariamente mais alta, mas a economia mundial continuará em expansão.

No cenário intermediário, que pressupõe interrupções persistentes e crescimento global mais lento, a economia global enfraquecerá consideravelmente, com menor produção industrial, inflação mais alta e mercados financeiros avessos ao risco, mas ainda assim não uma recessão na escala de 2008 ou 2020.

No pior cenário, com um gargalo prolongado e danos à infraestrutura, uma recessão global é o principal resultado, impulsionada por altos preços de energia, rupturas na cadeia de suprimentos e colapso do consumo.

Para a economia dos EUA, mesmo que a exposição comercial ao Estreito de Ormuz seja limitada, preços globais mais altos do petróleo agravariam a atual crise do custo de vida. Os consumidores americanos já estão com o orçamento apertado, e os preços da gasolina são extremamente sensíveis politicamente, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato. Preços mais altos do petróleo também complicariam a futura trajetória da política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), disse o ING Group.

"Cada aumento sustentado de 10 dólares por barril no preço do petróleo pode reduzir o crescimento em 10 a 20 pontos-base nos próximos 12 meses", disse Ajay Rajadhyaksha, do banco britânico Barclays, acrescentando que, se o petróleo se mantivesse em 120 dólares, os Estados Unidos e a economia mundial sofreriam um impacto considerável.

 

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com