
A pianista chinesa, Xie Jingxian, professora associada do Conservatório de Música de Shanghai, se apresenta em um recital chinês de piano em Viena, Áustria, em 23 de julho de 2026. (Xinhua/He Canling)
Viena, 24 jul (Xinhua) – "A Sonata ao Luar de Beethoven revela uma atmosfera tranquila e melancólica por meio de ricas harmonias, enquanto o clássico chinês Nuvens Coloridas Perseguindo a Lua pinta uma elegante paisagem oriental com melodias pentatônicas fluidas. Ambas as peças retratam o luar, mas falam linguagens musicais completamente diferentes".
Com essas palavras iniciais do anfitrião, o público da sala de concertos do histórico Palais Palffy, em Viena, embarcou em uma jornada musical pelo mundo da música chinesa para piano.
O recital, realizado na noite de quarta-feira como parte do Festival de Música Julho Dourado de Viena, ofereceu algo raramente visto no cenário da música clássica vienense: um concerto inteiro dedicado a obras chinesas para piano.
Embora composições chinesas ocasionalmente apareçam como peças individuais em festivais de música locais, programas completos dedicados exclusivamente ao repertório chinês ainda são incomuns, atraindo muitos amantes da música vienenses ávidos por uma experiência auditiva inovadora.
Meia hora antes do início da apresentação, a sala de concertos já estava lotada. Um programa digital bilíngue apresentou cada composição com notas detalhadas sobre seu contexto histórico e origens culturais, levando muitos espectadores a parar, discutir e fotografar o programa antes de se acomodarem em seus lugares.
Estruturado em torno de quatro capítulos temáticos: Nuvens, Lua e Paisagens; Canções Folclóricas do Norte e do Sul; O Espírito dos Literatos Chineses; e Vozes Contemporâneas, o concerto se desenrolou tanto como uma apresentação musical quanto como um diálogo cultural.
A pianista chinesa Xie Jingxian, professora associada do Conservatório de Música de Shanghai, combinou a performance ao vivo com comentários em inglês, guiando o público pela estética e filosofia cultural inerentes à música pianística chinesa.
"Em vez de construir intensidade emocional por meio de harmonias densas, a música chinesa dá maior ênfase às melodias líricas", explicou Xie no recital. "Elas se assemelham às pinceladas fluidas das pinturas tradicionais chinesas a tinta, aparentemente discretas, mas carregando um notável poder expressivo".
Da lírica "Nuvens Coloridas Perseguindo a Lua" e da folclórica "Rio Liuyang" às obras inspiradas no poeta Li Bai e às composições contemporâneas, cada peça foi acompanhada por explicações acessíveis que ajudaram os ouvintes a apreciar a beleza expressiva da tradição musical pentatônica da China.
Ao longo dos 90 minutos de concerto, o público ouviu atentamente, imerso em melodias desconhecidas, porém cativantes.
A noite atingiu seu ápice quando músicos chineses e internacionais se uniram para executar a "Ode à Bandeira Vermelha". O pianista Adonis Gonzalez, indicado ao Grammy Latino, incorporou harmonias de jazz à conhecida composição chinesa, trazendo uma interpretação inovadora à melodia clássica.
"A música chinesa tem muitas cores e muito mais imaginação. Acho que é mais livre", disse Gonzalez à Xinhua após o concerto, acrescentando que acredita que a música chinesa merece uma presença muito mais forte no cenário internacional.
Para muitos membros da plateia, o recital representou o primeiro contato abrangente com a música chinesa para piano.
"Eu só tinha ouvido uma ou duas peças curtas chinesas antes", disse Marx, estudante da Universidade de Música e Artes da Cidade de Viena. "Hoje à noite, finalmente aprendi as histórias por trás da música. As melodias são incrivelmente belas e diferentes de tudo que eu já tinha ouvido".
Após a apresentação, muitos espectadores se reuniram ao redor do palco para conversar com os músicos, esperando que mais recitais chineses de piano sejam apresentados em Viena.
Entre os presentes estava Daniela Egg, diretora do Conservatório Franz Schubert, que disse que os palcos de concertos de Viena têm sido dominados há muito tempo pelo cânone clássico ocidental, e que a compreensão da música chinesa pelo público europeu permanece bastante fragmentada. "Acho que, para a Europa, as pessoas precisam ir a mais concertos desse tipo. É uma nova experiência auditiva e uma nova sensação para nós".
Em entrevista à Xinhua após a apresentação, Xie disse que a China produziu uma riqueza de obras excepcionais para piano ao longo do último século, que merecem maior reconhecimento internacional.
"A combinação de performance e comentários ajuda a superar as diferenças culturais", disse ela. "Tocar ao lado de músicos de outros países me convenceu, mais uma vez, de que a música transcende as fronteiras nacionais. Artistas de diversas origens culturais sempre podem entrar em sintonia por meio da mesma melodia".
Nos últimos anos, os intercâmbios culturais entre a China e a Áustria têm se aprofundado por meio de exposições, cooperação acadêmica e educação musical, criando novas plataformas para o diálogo entre os dois países.



