Análise de Notícias: Três dilemas que o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita impõe a Israel-Xinhua

Análise de Notícias: Três dilemas que o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita impõe a Israel

2026-07-27 14:08:52丨portuguese.xinhuanet.com

O presidente dos EUA, Donald Trump (direita), recebe o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca, em Washington, D.C., Estados Unidos, em 11 de fevereiro de 2026. (Avi Ohayon/GPO/Divulgação via Xinhua)

Jerusalém, 25 jul (Xinhua) -- Em meio a tensões persistentes no Oriente Médio, os Estados Unidos e a Arábia Saudita anunciaram nesta semana a assinatura de um acordo de cooperação nuclear que abrange tecnologia de reatores, pesquisa científica, treinamento técnico e investimentos.

Washington anunciou posteriormente que o acordo estaria vinculado à normalização das relações da Arábia Saudita com Israel, no âmbito dos Acordos de Abraão, acrescentando uma nova camada de complexidade às implicações regionais do pacto.

Embora Israel tenha recebido bem a iniciativa dos EUA, especialistas argumentam que o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita impõe três dilemas estratégicos a Israel.

1º DILEMA: O ACORDO DESENCADEARIA UMA CORRIDA NUCLEAR REGIONAL?

A questão nuclear é uma das causas fundamentais da instabilidade no Oriente Médio. Embora o acordo entre EUA e Arábia Saudita se limite à cooperação energética, ele gerou preocupações entre os países da região.

Segundo detalhes divulgados por Washington, o acordo estabeleceria uma parceria de longo prazo entre EUA e Arábia Saudita para um programa nuclear civil, com a previsão de que empresas americanas construam infraestrutura nuclear essencial para a Arábia Saudita.

Yoel Guzansky, pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel, escreveu em uma publicação após o anúncio do acordo que a questão central não é o uso da energia nuclear em si, mas a possibilidade de que a Arábia Saudita obtenha o direito de enriquecer urânio.

Ele alertou que esse precedente poderia minar o "modelo dos Emirados Árabes Unidos", baseado na renúncia a capacidades de enriquecimento, incentivar outros países da região a exigir direitos semelhantes e enfraquecer o regime global de não proliferação.

Para Israel, que mantém uma política de ambiguidade deliberada ao se recusar a confirmar ou negar a posse de armas nucleares, impedir uma corrida nuclear regional tem sido, há muito tempo, um dos principais objetivos de sua política externa.

No entanto, se a Arábia Saudita desenvolver capacidades nucleares com o apoio dos EUA, outros países da região poderão reconsiderar suas próprias políticas de desenvolvimento nuclear, o que, por sua vez, poderia tornar cada vez mais difícil sustentar a oposição de longa data de Israel à aquisição, por parte de Estados da região, de capacidades de enriquecimento de urânio.

Foto divulgada em 5 de maio de 2025 mostra um caça israelense decolando de um local não identificado para realizar ataques aéreos contra alvos no Iêmen. (Forças de Defesa de Israel/Divulgação via Xinhua)

2º DILEMA: O ACORDO MINARIA A VANTAGEM ESTRATÉGICA DE ISRAEL?

Os Estados Unidos se comprometeram a preservar a Vantagem Militar Qualitativa de Israel, seu compromisso de longa data em manter a superioridade tecnológica e militar israelense na região.

Da perspectiva de Israel, contudo, o apoio dos EUA às capacidades de energia nuclear da Arábia Saudita tem potencial para minar essa vantagem estratégica.

O acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita faz parte de um esforço mais amplo de Washington para fortalecer parcerias militares com vários Estados do Oriente Médio, pois os Estados Unidos consideram fornecer sistemas de armas mais avançados a países como a Arábia Saudita e a Turquia.

O jornal diário israelense Israel Hayom argumentou, em um artigo de opinião, que a vantagem qualitativa de Israel na região está sendo corroída, à medida que Washington parece menos atento às preocupações israelenses, citando como exemplos a intenção noticiada dos EUA de vender caças F-35 à Turquia e o acordo nuclear entre EUA e Arábia Saudita.

Anteriormente, em resposta à possibilidade de os Estados Unidos venderem caças F-35 à Turquia, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou preocupação, alertando que essa medida "destruiria o equilíbrio de poder no Oriente Médio".

Palestinos ao redor de um veículo incendiado após um ataque de drone israelense na Cidade de Gaza, em 20 de julho de 2026. (Foto de Rizek Abdeljawad/Xinhua)

3º DILEMA: O ACORDO COLOCARIA A QUESTÃO PALESTINA DE VOLTA NA PAUTA?

Em uma tentativa de atender às preocupações de Israel, os Estados Unidos declararam posteriormente que não permitiriam o enriquecimento de urânio em território saudita e estabeleceram a normalização das relações entre a Arábia Saudita e Israel como pré-requisito para a implementação do acordo.

Netanyahu rapidamente saudou a possibilidade após o anúncio dos EUA, uma vez que alguns analistas observaram que Israel vê uma parceria entre EUA, Arábia Saudita e Israel como um realinhamento de alianças regionais e um baluarte contra o Irã e sua rede de grupos aliados.

No entanto, a proposta de Washington poderia colocar Israel em uma posição difícil em relação à questão palestina.

Riad tem insistido em um caminho claro e irreversível para uma solução de dois Estados para a questão palestina antes de normalizar as relações com Israel. Assim, a pressão de Washington para que a Arábia Saudita estabeleça relações com Israel contraria a posição diplomática de longa data de Riad.

A insistência de Riad em um caminho rumo à solução de dois Estados significa que o acordo também pode exercer pressão adicional sobre a posição de Israel em relação à questão palestina.

Como observou o jornal israelense Haaretz, vincular o acordo nuclear EUA-Arábia Saudita aos Acordos de Abraão pode trazer a questão palestina de volta ao centro do debate, reacendendo os apelos por progresso rumo a uma solução política e ao estabelecimento de um Estado palestino, o que o governo de Netanyahu rejeita firmemente.

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