Yinchuan, 18 out (Xinhua) -- O desenvolvimento do setor vitivinícola chinês abre novas perspectivas de cooperação com regiões produtoras da América Latina, em setores que vão do cultivo de uvas às técnicas de vinificação e ao intercâmbio cultural.
Esse potencial esteve em destaque no 47º Congresso Mundial da Vinha e do Vinho, realizado na semana passada em Yinchuan, capital da Região Autônoma da Etnia Hui de Ningxia, no noroeste da China. Organizado pela primeira vez na Ásia desde a criação do evento, em 1924, o congresso foi realizado em paralelo à 24ª Assembleia Geral da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).
Com sede na França, a OIV é uma organização científica e técnica de referência internacional no setor da vinha e do vinho. Seus Estados-membros respondem por 90% da produção mundial de vinho e 85% da área de vinhedos. Argentina, Chile, Uruguai e Brasil estão entre os países integrantes da organização. A China ingressou oficialmente na OIV em 2025, tornando-se seu 51º Estado-membro.
"É a primeira vez na história que o evento é realizado na China. Isso representa um marco para o desenvolvimento do setor vitivinícola mundial e proporcionará um forte apoio ao desenvolvimento sustentável e saudável do setor chinês por meio da cooperação em pesquisa e intercâmbio de experiências", disse John Barker, diretor-geral da OIV.
Segundo ele, a China é uma grande produtora e consumidora de uvas e vinho, além de desempenhar um papel importante no desenvolvimento econômico global. A adesão do país à organização e a realização do congresso marcam uma nova etapa na cooperação entre a China e o setor vitivinícola mundial.
Ningxia é uma das principais regiões produtoras de vinho da China. Ao final de 2025, a área plantada e desenvolvida para o cultivo de uvas viníferas no sopé oriental da montanha Helan ultrapassava 600 mil mu (cerca de 40 mil hectares).
A região contava com 130 vinícolas, e mais de 1.800 vinhos produzidos localmente haviam conquistado prêmios internacionais. Seus produtos chegavam a mais de 40 países e regiões. Reconhecida no setor como uma das áreas mais favoráveis ao cultivo de uvas viníferas e à produção de vinhos de alta qualidade, a região foi incluída no World Atlas of Wine em 2013.
Entre os países latino-americanos que buscam ampliar os laços com Ningxia nessa área está o Uruguai, que tem uma longa tradição na produção de vinhos de alta qualidade. Nas últimas décadas, o país aprimorou a qualidade de seus vinhos e ampliou a produção. Nos últimos anos, seus produtos também conquistaram espaço no mercado chinês, graças às suas características próprias.
Uruguai e Ningxia já trocaram delegações em diversas ocasiões para participar de feiras vitivinícolas e exploraram possibilidades de cooperação na seleção e no melhoramento de variedades de uva, nas técnicas de vinificação e na integração entre vinho e turismo.
"O vinho não é apenas uma bebida, mas também cultura e diálogo", disse Aníbal Cabral, embaixador do Uruguai na China, que participou da cerimônia de abertura do congresso e visitou Ningxia. Ele expressou a esperança de que o setor vitivinícola se torne uma ponte entre a Ásia e a América do Sul.
A brasileira Tainá Bacellar Zaneti, especialista em vinhos e professora adjunta da Universidade de Brasília, também visitou vinícolas da região durante o evento e elogiou que os chineses "realmente sabem produzir vinhos excelentes".
Para Zaneti, as mudanças no ambiente externo exigem que o setor vitivinícola invista em ciência, tecnologia e inovação, com o desenvolvimento de novos produtos e a adoção de novas técnicas de vinificação. A especialista avaliou que os avanços da China podem transformar o setor e elevar a qualidade da produção de vinho em todo o mundo, além de abrir novas oportunidades de cooperação.
A qualidade dos vinhos chineses também chamou a atenção de David Jonathan Allens, encarregado de negócios interino da embaixada das Bahamas na China. Em sua primeira degustação de vinhos de Ningxia, ele destacou a qualidade e a competitividade dos produtos chineses, inclusive em comparação com os de grandes produtores mundiais.
Allens disse que gostaria de levar alguns vinhos para as Bahamas e compartilhar informações sobre sua produção e qualidade, vislumbrando novas oportunidades comerciais entre os dois países.
Durante o congresso, a região vitivinícola no sopé oriental das montanhas Helan lançou uma iniciativa, dirigida às regiões produtoras de vinho de todo o mundo. O documento propõe aprofundar a cooperação multilateral, promover práticas sustentáveis de cultivo, fortalecer a inovação, aprimorar padrões e mecanismos de governança, garantir a segurança e estimular o mercado, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento coordenado e a cooperação mutuamente benéfica entre as regiões produtoras.
Yvette van der Merwe, presidente da OIV, ressaltou que no mundo do vinho internacional, o que mais chama a atenção não é apenas o aumento da produção, mas também o aparecimento de uma gama de vinhos de excelência, que destacam um terroir específico e contribuem para criar uma imagem única dos vinhos chineses. Segundo ela, Ningxia acumulou experiência valiosa nesse campo e pode contribuir para o diálogo mundial sobre o vinho.
"Espero que a cooperação entre a comunidade vitivinícola internacional e a China se aprofunde e se fortaleça cada vez mais, com base na ciência, no conhecimento como ponte e no respeito mútuo, para podermos trabalhar juntos pelo futuro do setor vitivinícola", disse van der Merwe.

