
Agentes de segurança aeroportuária são vistos fora de um terminal no Aeroporto de Copenhague, na Dinamarca, em 5 de novembro de 2026. (Foto de Liu Zhichao/Xinhua)
As ameaças de bomba, que ocorreram após incidentes semelhantes no início desta semana, afetaram companhias aéreas e aeroportos em vários países, levantando dúvidas sobre a origem dessas ameaças, seu impacto na rede de transporte aéreo interconectada da Europa e a capacidade das autoridades de responder a potenciais riscos de segurança transfronteiriços.
Londres/Bruxelas, 5 nov (Xinhua) -- Uma nova onda de ameaças de bomba interrompeu mais de 20 voos de passageiros pela Europa na quinta-feira, forçando o desvio de aeronaves, a mobilização de caças e a realização de inspeções de emergência em aeroportos, embora nenhum explosivo tenha sido encontrado nos casos investigados até o momento.
As ameaças de bomba, que ocorreram após incidentes semelhantes no início desta semana, afetaram companhias aéreas e aeroportos em vários países, levantando dúvidas sobre a origem dessas ameaças, seu impacto na rede de transporte aéreo interconectada da Europa e a capacidade das autoridades de responder a potenciais riscos de segurança transfronteiriços.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DO AUMENTO DAS AMEAÇAS?
Os incidentes mais recentes envolveram companhias aéreas como Ryanair, Finnair, Wizz Air, Aer Lingus, LOT Polish Airlines e Aegean Airlines. Os voos afetados operavam entre vários países europeus, incluindo Reino Unido, Irlanda, Itália, Polônia, Bulgária e Grécia.
Várias ameaças foram enviadas por meio de e-mails anônimos. Segundo a emissora pública italiana Rai News 24, um único e-mail, escrito em italiano e enviado à operadora do Aeroporto de Fiumicino, em Roma, e a outras empresas que atuam no local, desencadeou alertas envolvendo dois voos com destino a Roma, provenientes de Helsinque e Dublin.
Avisos semelhantes foram registrados em outros aeroportos europeus, incluindo o de Milão-Malpensa. A dispersão geográfica dos incidentes e o número de companhias aéreas envolvidas levantaram especulações sobre uma possível coordenação entre eles, embora os investigadores ainda não tenham identificado uma origem comum.

Pátio de aeronaves e edifícios aeroportuários no Aeroporto de Bruxelas, em Zaventem, na Bélgica, em 5 de novembro de 2026. (Xinhua/Lyu You)
Matthew Borie, cofundador e diretor de inteligência da Osprey Flight Solutions, consultoria especializada em segurança na aviação, apontou várias explicações possíveis para os incidentes, entre elas comportamentos de imitação após uma ameaça inicial, alertas recorrentes emitidos por um indivíduo ou grupo e operações de "guerra híbrida" conduzidas por atores estatais ou seus apoiadores.
A concentração incomum de ameaças também gerou questionamentos sobre o objetivo por trás delas. Analistas de segurança sugerem que os repetidos alertas falsos poderiam ter como objetivo gerar incerteza entre os passageiros, impor custos adicionais às companhias aéreas e testar a capacidade de resposta das autoridades de aviação, mesmo sem qualquer intenção de realizar um ataque.
Em resposta à agência Xinhua na quinta-feira, a Comissão Europeia mencionou declarações de Apostolos Tzitzikostas, comissário europeu para Transportes Sustentáveis e Turismo. Durante uma coletiva de imprensa em Dublin, na Irlanda, ele disse que ainda é cedo para determinar se os incidentes relatados possuem alguma conexão entre si.
Tzitzikostas acrescentou que ainda não havia informações suficientes para determinar se houve envolvimento de um ataque cibernético, enquanto as investigações das autoridades nacionais continuavam em andamento.
COMO FALSAS AMEAÇAS AFETAM A AVIAÇÃO?
Os incidentes de quinta-feira demonstraram como ameaças que acabam se revelando infundadas ainda podem exigir grandes operações de segurança e provocar transtornos que ultrapassam fronteiras nacionais.
Além do transtorno imediato aos passageiros, os alertas recorrentes consomem recursos de equipes de segurança aeroportuária, forças policiais, serviços de emergência e, em certos casos, até mesmo forças militares.

Entrada do saguão de embarque do Aeroporto de Bruxelas, em Zaventem, na Bélgica, em 5 de novembro de 2026. (Xinhua/Lyu You)
Um voo da Aer Lingus, que seguia de Dublin para Roma, foi desviado para uma base aérea militar em Evreux, na França, após um alerta de bomba. A aeronave pousou em segurança, e seus 151 passageiros e seis tripulantes foram retirados enquanto equipes militares especializadas em desativação de explosivos inspecionavam o avião.
Na Itália, um voo da Finnair vindo de Helsinque foi escoltado por jatos militares antes de pousar em Roma. Ameaças semelhantes afetaram voos na Bulgária, na Grécia e na Romênia, levando a desvios de rota, inspeções de segurança e outras medidas preventivas. Posteriormente, constatou-se que as ameaças eram infundadas, segundo companhias aéreas e autoridades locais.
Joji Waites, diretor de segurança de voo, políticas e regulamentação da Associação de Pilotos de Linhas Aéreas Britânicas, declarou à imprensa que as companhias aéreas utilizam equipes de avaliação para classificar as ameaças de acordo com sua credibilidade. Quando uma ameaça é considerada crível, as tripulações são informadas e os procedimentos adequados são adotados. No caso de uma aeronave em pleno voo, a prioridade é realizar o pouso da maneira mais segura e rápida possível.
QUAIS RISCOS DE SEGURANÇA MAIS AMPLOS OS INCIDENTES REVELAM?
A onda de ameaças ao setor de aviação surgiu em meio a uma preocupação crescente com a segurança da infraestrutura crítica da Europa, após uma série de outros incidentes que causaram perturbações em serviços essenciais.
No início desta semana, ataques cibernéticos contra sistemas de refrigeração de supermercados afetaram pelo menos 11 países europeus. Segundo relatos, hackers manipularam os controles de temperatura, forçando os varejistas a descartar alimentos.
Na França, três instalações de armazenamento de plasma, operadas pelo serviço nacional de sangue, também foram alvo de ataques cibernéticos que atingiram equipamentos de refrigeração. As autoridades informaram que os sistemas afetados foram protegidos e que os estoques de sangue não sofreram comprometimento.
Embora não tenha sido estabelecida uma ligação entre os incidentes, eles levantaram preocupações sobre a vulnerabilidade da Europa a interrupções custosas em serviços essenciais.
Em resposta enviada por e-mail à agência Xinhua após os incidentes, a Agência Europeia para a Segurança da Aviação disse que "continuará monitorando esses desdobramentos para identificar e avaliar quaisquer implicações potenciais para a segurança da aviação decorrentes dessas ameaças".

Passageiros organizam seus pertences em um terminal no Aeroporto de Copenhague, na Dinamarca, em 5 de novembro de 2026. (Foto de Liu Zhichao/Xinhua)
A vice-porta-voz da Europol, Claire Georges, também declarou à Xinhua, por e-mail, que a agência está pronta para apoiar as autoridades nacionais, mediante solicitação, quando as ameaças estiverem relacionadas a atividades graves de crime organizado ou ao terrorismo. Esse apoio inclui facilitar a troca de informações e identificar possíveis conexões entre incidentes ocorridos em diferentes países.
Os episódios também geraram preocupações com a segurança em vista de dois grandes eventos europeus que ocorrerão em Dublin na próxima semana: a cúpula da Comunidade Política Europeia e uma reunião informal de chefes de Estado ou de governo da União Europeia.
A ministra da Defesa da Irlanda, Helen McEntee, classificou a recente onda de ameaças de bomba como "extremamente preocupante", dizendo que o governo adotará todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos cerca de 55 líderes que devem comparecer aos encontros.

