
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu (direita), e o ministro das Relações Exteriores de Israel, Yair Lapid, participam de uma coletiva de imprensa conjunta em Ancara, Turquia, no dia 23 de junho de 2022. (Foto por Mustafa Kaya/Xinhua)
Por Burak Akinci
Ancara, 28 jun (Xinhua) -- Os desafios de liquidez e os "piores problemas econômicos em duas décadas" levaram a Turquia a consertar os laços com potências regionais como Arábia Saudita e Israel para atrair seus investimentos para ajudar o país em sua crise, dizem especialistas.
Durante uma rara visita à Turquia do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman Al Saud, na semana passada, os dois países declararam sua determinação em iniciar "uma nova era de cooperação", deixando de lado anos de amargura após o assassinato em 2018 do jornalista saudita, Jamal Khashoggi, no consulado saudita em Istambul.
Medidas semelhantes também foram tomadas pelo governo turco sob o presidente, Recep Tayyip Erdogan, para melhorar suas relações com os Emirados Árabes Unidos (EAU), Egito e Israel, já que Ancara está lutando com uma moeda fraca e alta inflação de 24 anos de 73,5 por cento.
"Evidentemente, há uma dimensão econômica em meio ao esforço de normalização lançado pela Turquia no início de 2021", disse à Xinhua, Serkan Demirtas, analista de política externa.
As potenciais "contribuições desses países" incluem "investimentos estrangeiros diretos e acordos de swap" que poderiam "reforçar as baixas reservas de moeda estrangeira da Turquia", explicou ele.
Após uma década de animosidade sobre o ataque mortal de Israel a uma flotilha liderada por turcos à Faixa de Gaza sitiada em 2010, altos funcionários turcos e israelenses fizeram visitas mútuas nos últimos dois meses para abrir o que o ministro das Relações Exteriores de Israel, Yair Lapid, saúda "um novo capítulo" nas relações bilaterais, especialmente sua cooperação na exportação de gás natural israelense para a Europa via Turquia.
"Na última década, a Turquia foi afastada do Fórum de Gás do Mediterrâneo Oriental, formado por nações regionais por causa de seus laços ruins com (os membros do fórum) Grécia e Egito", disse Demirtas.
"Mas a reaproximação com Israel pode acabar com a exclusão da Turquia desta organização internacional", acrescentou o analista.
Tulin Daloglu, analista de política externa do Oriente Médio baseado na capital da Turquia, Ancara, reagiu com cautela à reconciliação da Turquia com a Arábia Saudita e Israel, observando que levará tempo para eles restaurarem totalmente a confiança mútua.
"Enquanto a Turquia está intensificando os esforços para consertar os laços com esses países, eles podem não estar dispostos a fazê-lo na mesma velocidade", disse Daloglu à Xinhua, observando que as visitas foram em grande parte cerimoniais sem plano de ação concreto, refletindo mais cautela do que determinação.
"Ainda não sabemos como esse processo de normalização evoluirá. Temos que esperar para ver, mas pode não ser finalizado na velocidade esperada pela Turquia", concluiu ele, destacando os riscos iminentes da Turquia sobre seu balanço de pagamentos.

