Por que comunidade internacional não acredita em mito de "armadilha da dívida chinesa"-Xinhua

Por que comunidade internacional não acredita em mito de "armadilha da dívida chinesa"

2023-01-10 19:22:41丨portuguese.xinhuanet.com

Foto aérea tirada no dia 6 de maio de 2021 mostra porto internacional de Hambantota, no Sri Lanka. (Foto por Liu Hongru/Xinhua)

Como é irônico ver que os Estados Unidos, embora divulgando o mito da armadilha da dívida chinesa em voz alta, ficando em silêncio sobre o tema de ajudar os países mais pobres a lidar com o ônus da dívida.

Beijing, 8 jan (Xinhua) -- Michael Ondaatje, um dos maiores cronistas do Sri Lanka, uma vez disse: "No Sri Lanka, uma mentira bem contada vale mais do que mil fatos".

Isso parece verdade no caso do mito da "armadilha da dívida chinesa", para o qual os boatos frequentemente destacam o financiamento da China no porto de Hambantota, no Sri Lanka.

Falando sobre o investimento chinês e os problemas de dívida do destinatário, e fingindo não ver o fato de que a maior parte da dívida do país vem do Ocidente, os propagadores tentaram emplacar um mito "post hoc ergo propter hoc" e deturpar a causa dos problemas econômicos do Sri Lanka.

A comunidade internacional não acredita nas acusações do Ocidente e particularmente de Washington sobre a dívida chinesa. Em vez disso, "muitos países preferem o relacionamento com a China, já que o país dá uma opção melhor a eles" com relação aos modelos sociais e de governança, disse à Xinhua, Shakeel Ahmad Ramay, diretor-executivo do Instituto Asiático de Pesquisa e Desenvolvimento de Ecocivilização no Paquistão.

Enquanto isso, o Sul Global sabe dos motivos ocultos das mentiras dos EUA sobre as chamadas armadilhas da dívida, cuidadosamente orquestradas para acabar com a cooperação entre os países em desenvolvimento e manter a hegemonia dos EUA roubando e manipulando outras economias.

Sanjeewa Alwis, do Sri Lanka, engenheira de projetos que trabalha no projeto Port City Colombo da China Harbour Engineering Company (CHEC), verifica trabalho em canteiro de obras na cidade portuária de Colombo, Sri Lanka, no dia 30 de novembro de 2021. (Xinhua/Tang Lu)

MITO DA "ARMADILHA DA DÍVIDA" DESMASCARADO

Um fato completamente divulgado é que os bancos chineses ofereceram empréstimos predatórios ao Sri Lanka para a construção do porto de Hambantota, apesar da falta de lucratividade do projeto, e eventualmente causaram a inadimplência do Sri Lanka, fazendo com que o país entregasse o controle a uma empresa chinesa para aliviar a dívida.

Todas essas alegações são sem fundamentos.

Um relatório recente da agência de notícias Liberation News, com sede em Nova York, revelou que um especialista indiano relatou isso em um artigo em 2017 sem realmente pesquisar. Logo depois, alguns meios de comunicação e políticos ocidentais trabalharam perversamente para divulgar o boato da armadilha da dívida sem fundamentos.

Em um caso flagrante, a BBC News editou uma entrevista com Deborah Brautigam, uma estudiosa dos EUA que desafiou a mentira, omitindo deliberadamente todas as evidências citadas contra isso para enganar os ouvintes.

Na verdade, Brautigam, professora de economia política internacional na Universidade Johns Hopkins, só concluiu que a narrativa da armadilha da dívida é "uma forte mentira" após muita pesquisa feita em colaboração com Meg Rithmire, professora associada da Escola de Negóciosa de Harvard. Em um artigo publicado no Atlantic em 2021, as acadêmicas argumentaram que os credores chineses estão dispostos a reestruturar os termos dos empréstimos e nunca chegaram a apreender ativos de nenhum país.

Quanto à situação financeira enfrentada pelo Sri Lanka, dados do seu Departamento de Recursos Externos mostram que, em 2021, impressionantes 81% da dívida externa do país pertenciam a instituições financeiras dos EUA e da Europa, além dos aliados ocidentais Japão e Índia, totalmente ao contrário dos 10% devidos a Beijing.

"O Sri Lanka tem 47 por cento da sua dívida em títulos soberanos internacionais, que são os mais pesados", disse à Xinhua, Kasun Kariyawasam, economista do Sri Lanka, referindo-se à pluralidade da dívida externa do seu país pertencente a fundos e bancos ocidentais sem escrúpulos. Evidências empíricas provam que a alegação contra a China é falsa e baseada em narrativas distorcidas, disse ele.

"O Sri Lanka poderia afundar no Oceano Índico e a maior parte do mundo ocidental não perceberia", disse Subhashini Abeysinghe, diretor de pesquisa do think tank Verite Research, com sede em Colombo, a Brautigam.

Então, por que esse país insular se tornou tão proeminente nos discursos dos políticos ocidentais desde 2017?

Com a cooperação do Cinturão e Rota em pleno andamento, "a China atualmente oferece uma alternativa aos esquemas de financiamento tradicionais, o que levou ajudou um desenvolvimento mais próspero e realista". Os países ocidentais veem isso como uma ameaça e criam um discurso para impedir que os países em desenvolvimento se envolvam com a China, disse o economista argentino Pablo Levinton à Xinhua.

O ministro das Relações Exteriores do Sri Lanka, Mohamed Ali Sabry, recentemente condenou a narrativa da "armadilha da dívida chinesa" como uma "frase ocidental".

Quando o Sri Lanka buscou financiamentos na China, a China foi respeitosa e nunca forçou o país a receber dinheiro, disse ele, acrescentando que a China também forneceu ao país algumas facilidades financeiras e linha de crédito, além de assistência humanitária.

Tripulação Fionah fala com passageiros em trem da ferrovia Mombaça-Nairóbi, no dia 29 de julho de 2022. (Xinhua/Dong Jianghui)

A VERDADE SOBRE O INVESTIMENTO CHINÊS

O entusiasmo no Sul Global em participar das iniciativas de desenvolvimento propostas pela China anulou a propagação ocidental anti-China.

A China assinou documentos de cooperação do Cinturão e Rota com 150 países e 32 organizações internacionais, e a Iniciativa de Desenvolvimento Global também ganhou o apoio de mais de 100 países e organizações internacionais.

Há muitas razões pelas quais o investimento chinês é bem-vindo. Primeiramente, o financiamento do desenvolvimento chinês é direcionado ao destinatário, já que "os projetos de infraestrutura são determinados pelo país destinatário, não pela China, com base em seus próprios interesses econômicos e políticos", observou o relatório Liberation News mencionado acima.

Além disso, a China muitas vezes concede empréstimos a taxas de juros razoavelmente baixas e está disposta a reestruturar os termos dos empréstimos para que eles sejam mais favoráveis ao país tomador, ou até mesmo perdoá-los. Como visto na dívida dos países africanos, o valor devido aos credores privados ocidentais é três vezes o que eles devem à China, e as taxas de juros dos empréstimos privados são o dobro das dos empréstimos chineses, de acordo com um estudo publicado em julho pela instituição de caridade britânica Debt Justice.

Em agosto de 2022, o governo chinês anunciou que estava perdoando 23 empréstimos sem juros em alguns países em desenvolvimento, além do cancelamento da China de mais de 3,4 bilhões de dólares americanos em dívidas e reestruturação de cerca de 15 bilhões de dólares em alguns países em desenvolvimento entre 2000 e 2019.

Muitos países de baixa e média renda preferem o investimento chinês ao do Ocidente, não apenas porque a China parece um credor benevolente, mas os países ricos geralmente rotulam os países em desenvolvimento como de alto risco e baixo retorno, além de imporem condições onerosas que atrasam a implementação do projeto e causam aumento dos custos.

"Os empréstimos ocidentais tendem a estender suas condições além da ação e a investir em serviços financeiros e outras indústrias relacionadas ao setor de serviços", disse à Xinhua o economista do Sri Lanka, Kasun Kariyawasam. Em comparação, "os empréstimos chineses são mais flexíveis e não incluem condições fora do empréstimo", e os fundos geralmente fluem para "ativos reais que aumentam o valor da economia real".

Guiada pelos princípios da sinceridade, resultados, afinidade e boa-fé, além do compromisso com o bem maior e os interesses compartilhados, a China busca fortalecer a solidariedade e a cooperação com outros países em desenvolvimento e proteger os interesses comuns do mundo em desenvolvimento, conforme afirmado no relatório ao 20º Congresso Nacional do Partido Comunista da China.

Desde a Ferrovia China-Laos, que transformou o Laos sem litoral em um centro conectado, até a Ferrovia Mombaça-Nairóbi do Quênia, contribuindo com mais de 0,5 por cento para o crescimento econômico da nação africana, a China sempre defendeu os princípios de ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados quando parceira com outros países e se abstém de interferir internamente.

O Quênia está acostumado aos jogos geopolíticos e às narrativas contra a China. O ex-presidente queniano, Uhuru Kenyatta, disse que sempre há pessoas que gostam de apontar o dedo, apesar do fato de a China ter ajudado o Quênia a resolver problemas e a atender às suas necessidades com ações.

Depois de ter visto a conclusão do projeto do Terminal de Petróleo de Kipevu, construído pelos chineses na cidade costeira queniana de Mombaça no ano passado, Kenyatta disse que muitas vezes foi perguntando sobre o motivo do Quênia e da China cooperam tão estreitamente, e ele respondeu que é porque ambos se respeitam e se tratam como iguais.

Os resultados da pesquisa refletem efetivamente a imagem dos investidores chineses aos olhos dos destinatários. Uma pesquisa divulgada em junho pelo think tank The Ichikowitz Family Foundation, com sede em Joanesburgo, descobriu que a maioria dos jovens africanos vê a China como o ator estrangeiro mais influente e positivo do continente. As principais razões que eles citaram para a influência positiva da China incluem produtos chineses acessíveis, os investimentos de Beijing em infraestrutura local e a criação de empregos na China.

Foto tirada no dia 2 de março de 2022 mostra o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) em Washington, DC, Estados Unidos. (Xinhua/Liu Jie)

VERDADEIRO CULPADO

Em seu best-seller "Confissões de um assassino econômico", John Perkins sugeriu que a armadilha da dívida não é novidade, mas que o verdadeiro culpado de praticamente todas as crises foram os Estados Unidos.

O dólar americano como moeda dominante no mundo, o status hegemônico de Washington no sistema financeiro internacional e o efeito das políticas americanas, entre outros elementos, contribuíram para o aumento da dívida nacional dos países em desenvolvimento.

Em um relatório divulgado em agosto, pesquisadores liderados pelo professor Tang Xiaoyang, da Universidade de Tsinghua, na China, descobriram que com o incentivo das instituições financeiras ocidentais, o estoque de títulos soberanos de todos os países de baixa e média rendas aumentou quase 400%, atingindo 1.737,2 bilhões de dólares de 2008 a 2020. Agora, os pagamentos de juros a essas instituições ocidentais representam mais de 63% das despesas totais de juros dos países emissores de títulos.

Como os sete aumentos "jumbo" consecutivos das taxas do Fed em 2022, elevando as taxas para 4,25 a 4,5%, uma alta de 15 anos, poderia ter impactado drasticamente a construção da dívida ou a estabilidade financeira desses países, um dólar bastante mais forte aumentará substancialmente a carga de pagamento dos devedores e corroerá sua margem de solvência.

Nessas circunstâncias, muitos países mutuários precisam emitir novos títulos com taxas de juros mais altas para pagar dívidas antigas, entrando em um círculo vicioso de médio e longo prazos.

À medida que o estabelecimento dos EUA caçava presas e apertava os países pobres, os fundos sem escrúpulos, peões dos grupos de interesse dos EUA e de Wall Street, também criaram armadilhas de dívida nos países em desenvolvimento para encher seus próprios bolsos. Os investidores em dívidas em dificuldades normalmente compram dívidas soberanas de países próximos ou em default com grandes descontos, depois litigam ferozmente para reivindicar pagamentos integrais e empregam todas as táticas possíveis para subjugar os devedores.

Veja a briga de 15 anos da Argentina com os abutres de Wall Street. Em 2001, a Argentina deixou de pagar 100 bilhões de dólares em títulos soberanos e ofereceu renovações de dívidas duas vezes em 2005 e 2010, aceitas por cerca de 92% dos credores, enquanto vários fundos evitaram o processo de acordo e levaram a Argentina aos tribunais dos EUA, que tinham jurisdição sobre os títulos.

Infelizmente, o tribunal federal dos EUA em 2014 proibiu a Argentina de reembolsar outros detentores de títulos até que pagasse os credores holdout e forçou o país a um acordo em 2016 para pagar 4,65 bilhões de dólares, uma quantia equivalente a quase 1% do PIB da Argentina naquele ano.

Para fechar um negócio por conta própria com a NML Capital, subsidiária da Elliott Management chefiada por Paul Singer, um megadoador do Partido Republicano, a Argentina pagou mais de 800 milhões de dólares pelos títulos em que o fundo de hedge gastou apenas 48 milhões de dólares, um retorno de mais de 1.600%.

Falando perante a Assembleia Geral da ONU em 2014, a então presidente argentina Cristina Fernandez acusou os fundos abutres de praticar "terrorismo econômico e financeiro". É ainda mais horrível que os cobradores de dívidas desonestos que Fernandez disse que causaram "fome, miséria e pobreza" fossem apoiados pelo estabelecimento político dos EUA.

A Argentina não é a única vítima que caiu nas armadilhas dos fundos abutres.

Pierre Jacquemot, que atuou como embaixador da França no Quênia e em Gana, disse que pelo menos 32 países africanos enfrentaram batalhas legais com fundos abutres sobre questões de dívidas inadimplentes. Teve ainda mais noção disso em um estudo de Harry Verhoeven, da Universidade de Columbia, e de Nicolas Lippolis, da Universidade de Oxford, que concluiu que o aumento da dívida africana devido aos empréstimos chineses é insignificante em comparação com o peso da dívida criado por credores privados de outros países nas últimas décadas.

"Os credores ocidentais por muito tempo não foram colocados no centro das atenções para o alívio da dívida porque conseguiram enganar o mundo de que são apenas os credores chineses que representam uma ameaça para a África", disse Mubarak Mugabo, jornalista do Vision Group de Uganda.

Na verdade, a China estendeu a suspensão da dívida a outros países em desenvolvimento durante a pandemia, mas os credores privados no Ocidente não fizeram o mesmo, disse Tim Jones, chefe de política da Debt Justice.

Como é irônico ver que os Estados Unidos, embora divulgando o mito da armadilha da dívida chinesa, fica em silêncio sobre o tema de ajudar os países mais pobres a lidar com o ônus da dívida.

"Líderes ocidentais culpam a China pelas crises de dívida na África, mas isso é uma distração. O Reino Unido e os Estados Unidos deveriam apresentar uma legislação para obrigar os credores privados a participar do alívio da dívida", disse Jones.

Se esses países ocidentais realmente se importarem com o mundo em desenvolvimento, mostrem sua sinceridade apoiar incansavelmente há muito desejado pelos países endividados ou simplesmente mais concessões no alívio da dívida, em vez de jogar o velho truque da "armadilha da dívida chinesa". Ou, pelo menos, não atrapalhe o que estão realmente ajudando.

Claramente, eles não têm intenções nobres nem atos honrosos sobre isso.

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