Beijing, 11 abr (Xinhua) -- A China não é a fonte da "armadilha da dívida" dos países africanos, mas um parceiro para ajudá-los e a outros países em desenvolvimento a escapar da "armadilha da pobreza", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China na segunda-feira .
O porta-voz Wang Wenbin fez as observações em resposta às acusações feitas contra a China por alguns altos funcionários dos EUA e do Banco Mundial em relação à questão de dívida da África.
"Essas acusações não têm base factual", disse Wang. "A China atribui grande importância à questão de dívida da África e ajuda os países africanos a lidar com ela. A China contribuiu mais para a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI, na sigla em inglês) do que qualquer outro membro do Grupo dos 20 (G20)."
De acordo com a pesquisa mais recente da Iniciativa de Pesquisa China-África da Universidade Johns Hopkins, a China contribuiu com 63% das suspensões do serviço da dívida sob a DSSI. A pesquisa constatou que a China tem se comunicado ativamente com outras partes participantes e tem desempenhado suas funções na implementação efetiva da DSSI, assinalou o porta-voz.
Wang citou o vice-presidente da Nigéria, Yemi Osinbajo, descrevendo a preocupação dos governos ocidentais com a chamada "armadilha da dívida da China" como uma reação exagerada.
Segundo ele, as nações africanas não têm do que se desculpar com relação a seus laços estreitos com a China. A África precisa de empréstimos e infraestrutura. A China aparece onde e quando o Ocidente não quer ou está relutante.
A China sempre se comprometeu a fornecer apoio ao desenvolvimento econômico e social dos países em desenvolvimento, incluindo os países africanos, disse Wang.
O país asiático tem realizado cooperação de investimento e financiamento com outros países em desenvolvimento com base no princípio de igualdade e benefício mútuo, e sempre fez o possível para ajudá-los a reduzir o peso da dívida, acrescentou.
Ele disse que alguns políticos norte-americanos e em outros países ocidentais usam várias armadilhas narrativas para interromper e minar a cooperação entre a China e outros países em desenvolvimento.
"Seus truques foram desmascarados, atualmente é mais difícil para eles conseguirem audiência nos países em desenvolvimento e na comunidade internacional mais ampla", frisou Wang.
De acordo com as Estatísticas da Dívida Internacional do Banco Mundial, as instituições financeiras multilaterais e os credores comerciais detêm quase três quartos da dívida externa total de África. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) respondem por quase 70% da dívida total mantida por instituições financeiras multilaterais, acrescentou o porta-voz.
Wang disse que os Estados Unidos são o maior acionista do Banco Mundial e do FMI, sendo o capital financeiro dos Estados Unidos e da Europa o maior credor comercial dos países africanos.
Portanto, os Estados Unidos têm o dever de participar do alívio da dívida da África, destacou.
"Pedimos aos Estados Unidos que assumam suas responsabilidades e façam maiores esforços para promover a participação substantiva de instituições financeiras multilaterais e credores comerciais ao lidar com a questão da dívida da África", disse ele.

