Comentário: O termo "de-risking" é apenas outro nome para "desacoplamento" que Washington e aliados usam para conter a China-Xinhua

Comentário: O termo "de-risking" é apenas outro nome para "desacoplamento" que Washington e aliados usam para conter a China

2023-05-29 09:24:10丨portuguese.xinhuanet.com

* Basicamente, há poucas diferenças entre de-risking e desacoplamento.

* A mentalidade paradoxal de Washington, embora precise da cooperação da China em algumas áreas, quer continuar contendo o país.

* A nova palavra mostra o esforço contínuo de Washington em apaziguar seus aliados.

Beijing, 27 mai (Xinhua) -- Recentemente, o termo "de-risking" (redução de riscos, em tradução livre) ganhou popularidade entre as autoridades de Washington e algumas capitais ocidentais. Anteriormente usada pelos aliados europeus dos Estados Unidos em sua política para a China, a nova palavra do momento foi oficialmente adotada pelo governo dos EUA.

Durante a reunião de três dias do Grupo dos Sete (G7), liderado pelos Estados Unidos, que terminou no domingo em Hiroshima, no Japão, os líderes do bloco disseram em um comunicado que não estão "se desacoplando" da China, mas sim seguindo o "de-risking".

Para analistas e observadores, o termo foi elaborado para soar mais brando do que desacoplamento, mas as duas palavras significam praticamente o mesmo. Eles argumentaram que a mudança na narrativa é apenas mais um jogo de palavras adotado por Washington e seus aliados para conter a China.

Foto tirada no dia 16 de agosto de 2022 mostra Casa Branca em Washington, D.C., Estados Unidos. (Xinhua/Liu Jie)

DO DESACOPLAMENTO AO DE-RISKING

Em um discurso sobre a China realizado em março, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que "nossas relações não são pretas ou brancas, e nossa resposta também não deve ser. Por isso, precisamos focar no de-risking e não no desacoplamento". Após suas observações, altos funcionários dos EUA usaram o termo "de-risking" para tentar glorificar a retórica de desacoplamento.

O presidente dos EUA, Joe Biden, usou a mesma expressão em uma coletiva de imprensa após a cúpula do G7. "Não procuramos nos separar da China, mas sim seguir o de-risking e diversificar nosso relacionamento com o país".

De desacoplamento para de-risking, a mudança de tom de Washington em relação à China ocorre em um momento em que os Estados Unidos lutam com vários problemas econômicos internos, desde o risco de inadimplência até a turbulência financeira exacerbada por aumentos problemáticos de juros e colapsos repentinos de vários bancos. Na quarta-feira, a agência de classificação de crédito Fitch Ratings anunciou que colocou a classificação de inadimplência de emissor de moeda estrangeira de longo prazo com AAA dos EUA em "observação negativa", enquanto o impasse do teto da dívida continua.

Enquanto isso, um desacoplamento do mercado mundial mais promissor e dinâmico é imprudente e inviável para as empresas americanas. O mesmo vale para os consumidores americanos. Com produtos chineses acessíveis, eles podem evitar uma crise de custo de vida mais severa.

Os números também mostram que o desacoplamento da China vai contra a tendência. O comércio de mercadorias EUA-China atingiu um novo recorde de 690,6 bilhões de dólares americanos em 2022, segundo dados publicados pelo Escritório de Análise Econômica dos EUA em fevereiro.

Navio porta-contêineres da chinesa COSCO Shipping atraca em terminal de contêineres do Porto de Long Beach, Califórnia, Estados Unidos, no dia 20 de agosto de 2021. (Xinhua/Gao Shan)

William Reinsch, consultor-sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), um think tank com sede em Washington, foi citado pela Bloomberg dizendo que os dados mais recentes mostraram que "os consumidores pensam por conta própria".

Sob essas circunstâncias, Washington tentou enfeitar a retórica de desacoplamento, tornando-a mais aceitável para o público americano, especialmente para suas empresas. Essa mudança de linguagem por parte da administração dos EUA também reflete uma mentalidade paradoxal. Embora precise da cooperação da China em algumas áreas, Washington quer continuar contendo o país.

Além disso, o uso dessa nova palavra mostra o esforço contínuo de Washington para apaziguar seus aliados. Se o desacoplamento for longe demais, ele não apenas prejudicará a economia dos EUA como também afastará seus aliados, alertou um artigo de opinião publicado pelo Politico.

Nos últimos anos, até os aliados de Washington questionaram as políticas hostis do país em relação à China. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a União Europeia e a China devem trabalhar juntas para evitar "o desacoplamento e a quebra de cadeia".

Um recente relatório de pesquisa de um think tank austríaco estimou que, se o desacoplamento com a China acontecer, a Alemanha terá uma queda de 2% ao ano no produto interno bruto (PIB), isso equivale a uma perda de 60 bilhões de euros (cerca de 65 bilhões de dólares).

"A Austrália não quer que o desacoplamento com a China aconteça, mas sim a melhora do relacionamento comercial com o país", disse em entrevista recente à Xinhua o ministro australiano de Comércio e Turismo, Don Farrell.

Ao enfeitar a narrativa rígida de uma forma mais suave, os Estados Unidos pretendem encobrir lacunas com seus aliados. "O discurso tinha muito apoio à posição da UE", tuitou a especialista em comércio do CSIS, Emily Benson, referindo-se ao discurso do conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, no Brookings Institution, com sede em Washington.

Clientes compram em loja da Costco em Foster City, Estados Unidos, no dia 12 de janeiro de 2023. (Foto por Li Jianguo/Xinhua)

RISCOS REAIS

"Uma mudança substancial na política?", perguntou Alex Lo, colunista do The South China Morning Post. "Duvido, só parece menos agressiva, mas a hostilidade continua".

Mudanças nas palavras não significam ações diferentes. Basicamente, há poucas diferenças entre de-risking e desacoplamento.

Washington tem intensificado o cerco à China em alta tecnologia e outras áreas. Movimentos recentes incluem o avanço do projeto de lei de concorrência da China 2.0 para a discussão acalorada sobre as chamadas cadeias de suprimentos resilientes de semicondutores na cúpula do G7 e da defesa do "friend-shoring" para restringir o investimento dos EUA na China.

Na visão de Washington e alguns de seus aliados, os riscos que eles enfrentam são induzidos pela China, e só serão eliminados se a China for contida. Essa mentalidade hegemônica cria riscos reais para o mundo.

"Os maiores riscos que o mundo enfrenta hoje são: o ato hegemônico de usar vantagem militar para invadir países vulneráveis como Afeganistão, Iraque e Síria, o ato de intimidação de minar o princípio da economia de mercado e as regras do comércio internacional ao estender muito o conceito de segurança nacional e perseguir empresas estrangeiras de forma arbitrária, além de tentar reverter a história, exaltando narrativas de 'democracia contra autoritarismo' e arrastando o mundo de volta à Guerra Fria", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin.

"Claramente, nenhum desses riscos é causado pela China. Eles vêm de países que tentaram rotular muito a China", acrescentou Wang.

Os aliados de Washington podem achar que vão se beneficiar da política externa dos Estados Unidos. Mas, os Estados Unidos são tão egoístas que seus aliados se tornaram tanto cúmplices quanto vítimas.

O Acordo do Plaza, assinado em 1985, fez com que a economia japonesa, então a segunda maior do mundo, ficasse "décadas perdidas" antes que a alemã Siemens e a francesa Alstom fossem vítimas da repressão dos EUA.

Um exemplo recente é a Lei de Redução da Inflação dos EUA. Concedendo incentivos ecológicos e fiscais para empresas que produzem nos Estados Unidos, a lei prejudicou gravemente a Europa, com mais empresas europeias tentando ir para os Estados Unidos.

O analista político croata Mirko Mavric disse que "a Europa corre o risco de se tornar uma extensão dos interesses dos EUA", acrescentando que isso sempre foi fatal para o continente, já que os americanos só pensam em si mesmos e em seus interesses.

"Ao arrastar o bloco do G7 para suprimir a China sob o pretexto do de-risking, o país mina deliberadamente o livre comércio e o sistema econômico global de divisão do trabalho", disse o estudioso japonês Kazuteru Saionji, professor visitante da Universidade Internacional Higashi Nippon, que acredita que os Estados Unidos estão vendendo ameaças imaginárias de ordem mundial que eles mesmos criaram.

Em comparação com os Estados Unidos, a China gerou oportunidades, cooperação e estabilidade mundiais. De acordo com a Administração Geral das Alfândegas, o comércio total de mercadorias da China atingiu um recorde de 42,07 trilhões de yuans (6,2 trilhões de dólares) em 2022, um aumento de 7,7% ao ano, liderando o mundo por seis anos consecutivos.

A China é um importante parceiro comercial de mais de 140 países e regiões. O Fundo Monetário Internacional previu que a contribuição do país para o crescimento econômico global será superior a um terço este ano.

"Não é viável considerar o desacoplamento conjunto da China. Pagaremos um preço muito alto por isso ao longo dos anos", disse Craig Allen, presidente do Conselho Empresarial EUA-China, acrescentando que mesmo no setor de tecnologia, poderia ser feito "um trabalho melhor para estreitar a definição de segurança nacional e permitir maiores fluxos de tecnologia, habilidades e capital entre os dois países".

Para Volker Treier, chefe de comércio exterior da Associação das Câmaras Alemãs de Indústria e Comércio, não há alternativa real à China. Nem a transição planejada para energias renováveis nem a transição dos motores de combustão progrediriam com um desacoplamento do país, disse ele.

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