
Wang Xiaojun (esquerda), líder da nona equipe de especialistas médicos chineses, examina paciente em Adis Abeba, capital da Etiópia, no dia 23 de junho de 2023. Nove equipes de mais de 80 médicos especialistas chineses foram enviadas para a capital etíope, Adis Abeba, nos últimos nove anos para missões com foco na cooperação de saúde militar e pública. (Xinhua/Wang Ping)
Chongqing, 3 ago (Xinhua) -- Nove equipes de mais de 80 especialistas médicos chineses foram enviadas para a capital etíope, Adis Abeba, nos últimos nove anos para missões com foco na cooperação de saúde militar e pública.
Essas equipes foram enviadas pela Universidade Médica do Exército para ajudar a Etiópia. Os médicos eram, em maioria, de vários departamentos do Hospital Sudoeste da universidade, no município de Chongqing, sudoeste da China, incluindo cirurgia hepatológica, oncologia, doenças infecciosas e radiologia.
Esses médicos chineses compartilharam muitas histórias emocionantes sobre as vidas que trataram e a saúde que cuidaram a 17.000 quilômetros de casa.
FAZENDO MILAGRES
Apesar dos recursos limitados, os médicos chineses fazem diversos milagres médicos.
O etíope Gezahegn Tilahun afirmou sofrer com uma "doença desconhecida" há mais de dois anos antes de ser tratado pelo Hospital Especializado Abrangente das Forças Armadas da Etiópia.
"Há cerca de dois anos, comecei a sentir dores. Já fui em quatro hospitais locais, mas nenhum encontrou a causa. Só disseram que a doença era complexa e pediram que eu fosse a hospitais mais completos", reclamou Tilahun, acrescentando que perdeu 21 quilos de peso devido à doença e sua pele e olhos começaram a ficar pálidos.
Tena Mamo, cirurgião do hospital, disse que Tilahun foi diagnosticado com neoplasia pancreática, mas nunca havia feito uma cirurgia referente a isso. Dessa forma, Wang Xiaojun, líder da nona equipe de especialistas médicos, se juntou aos médicos locais para fazer uma cirurgia que durou oito horas em Tilahun.
"Sem Wang, não teríamos operado o paciente, pois não temos experiência", disse Mamo.
"Nem tenho palavras para agradecer, eles me deram uma segunda vida", disse Tilahun.
Em 2020, quando a COVID-19 se alastrou pelo mundo, o único hospital administrado pela China e alguns hospitais locais com condições aceitáveis foram designados para o tratamento de COVID-19. Apesar da falta de equipamentos e remédios, os médicos chineses transformaram seu local de assentamento em um hospital ambulatorial improvisado para pacientes locais.
Na época, um jovem chinês empregado localmente procurou os médicos chineses sentindo tonturas fortes. Zhang Jun, médico da equipe de especialistas, diagnosticou o homem com otolitíase. No entanto, havia um problema: falta de leito médico para o procedimento de reposicionamento canalítico, que é a cura adequada para a doença.
"E se usarmos uma mesa de pingue-pongue?", a proposta inspirou os médicos.
Eles levaram a mesa de pingue-pongue para uma área, e com algumas medidas de proteção, reposicionaram o canal do jovem, curando a doença.
"Mesmo que as condições sejam limitadas, sempre tentamos fazer o melhor com o que temos", disse Li Fei, líder da sexta equipe de especialistas médicos chineses.
Em circunstâncias excepcionais, as operações foram realizadas nos locais menos prováveis. Por exemplo, os médicos chineses fizeram incisões do abscesso em um sofá e hemostasia nasal usando um veículo motorizado como plataforma.
COMPARTILHAMENTO DE HABILIDADES
Antes de Luo Hu, líder da sétima equipe de especialistas médicos, ser enviado à Etiópia, ele tinha receio de que o idioma fosse um grande obstáculo.
"E se os médicos na Etiópia não falarem com a gente e não seguirem nossos conselhos?".
As preocupações logo foram deixadas de lado depois que Luo trabalhou com médicos etíopes.
Durante a estadia de Luo, uma garota recém-formada na faculdade de medicina virou sua assistente. A jovem médica pedia conselhos a Luo com frequência, e Luo sempre respondia todas as dúvidas e ajudava em qualquer diagnóstico.
A jovem médica fez progressos significativos com a ajuda de Luo e logo tratou de forma independente um soldado etíope ferido. Antes de Luo retornar à China no início de 2021, ele presenteou a jovem com seu estetoscópio.
A medicina tradicional chinesa (MTC), especialmente a acupuntura, se mostrou popular entre os pacientes locais.
Bamlak Tessema é um conhecido árbitro internacional de futebol etíope. Seguindo alguns conselhos, ele recebeu tratamentos de acupuntura de médicos chineses.
"Agradeço o esforço dos médicos chineses em compartilhar o conhecimento e a experiência em MTC com nossos médicos, além de ajudá-los a dominar as técnicas relacionadas", disse Tessema.
As equipes de especialistas também ajudaram a criar um hospital de alta tecnologia na Etiópia. Desde maio de 2023, os sistemas de informação e equipamentos de imagem foram instalados no hospital e devem ser usados em breve.
De acordo com a Universidade Médica do Exército, as primeiras oito equipes de especialistas chineses prestaram serviços médicos a mais de 20.000 pessoas, fizeram ou instruíram 1.572 cirurgias, realizaram 1.218 consultas de doenças críticas e treinaram 182 trabalhadores médicos locais na Etiópia. Desde da chegada em 11 de maio deste ano, os médicos especialistas da nona equipe operaram a primeira duodenectomia nesta região e fizeram 351 tratamentos de acupuntura.
"As equipes de especialistas médicos da China nos ajudaram por nove anos seguidos, o que garantiu ótimos resultados", disse Hailu Endeshaw, diretor do Hospital Especializado Abrangente das Forças Armadas.
"Esperamos que nossa cooperação em diversos campos seja mais aprofundada. Os médicos chineses são muito importantes para nós".

Bamlak Tessema, conhecido árbitro internacional de futebol etíope que recebeu tratamento de acupuntura, fala em entrevista com a Xinhua em Adis Abeba, capital da Etiópia, no dia 23 de junho de 2023. Nove equipes de mais de 80 especialistas médicos chineses foram enviadas para a capital etíope, Adis Abeba, nos últimos nove anos para missões com foco na cooperação de saúde militar e pública. (Xinhua/Wang Ping)

Médico Zhang Jing (frente) verifica registro médico em um hospital em Adis Abeba, capital da Etiópia, no dia 23 de junho de 2023. Nove equipes de mais de 80 especialistas médicos chineses foram enviadas para a capital etíope, Adis Abeba, nos últimos nove anos para missões com foco na cooperação de saúde militar e pública. (Xinhua/Wang Ping)

Tena Mamo, cirurgião de um hospital local, fala em entrevista com a Xinhua em Adis Abeba, capital da Etiópia, no dia 23 de junho de 2023. Nove equipes de mais de 80 especialistas médicos chineses foram enviadas para a capital etíope, Adis Abeba, nos últimos nove anos para missões com foco na cooperação de saúde militar e pública. (Xinhua/Wang Ping)

Paciente Gezahegn Tilahun fala em entrevista com a Xinhua em Adis Abeba, capital da Etiópia, no dia 23 de junho de 2023. Nove equipes de mais de 80 especialistas médicos chineses foram enviadas para a capital etíope, Adis Abeba, nos últimos nove anos para missões com foco na cooperação de saúde militar e pública. (Xinhua/Wang Ping)

Doutora Liu Yueqiu faz tratamento de acupuntura chinesa em paciente em Adis Abeba, capital da Etiópia, no dia 23 de junho de 2023. Nove equipes de mais de 80 especialistas médicos chineses foram enviadas para a capital etíope, Adis Abeba, nos últimos nove anos para missões com foco na cooperação de saúde militar e pública. (Xinhua/Wang Ping)

