Brasil aspira a ser um dos principais mediadores no conflito entre Israel e Palestina, afirmam analistas-Xinhua

Brasil aspira a ser um dos principais mediadores no conflito entre Israel e Palestina, afirmam analistas

2023-10-17 22:08:45丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 16 out (Xinhua) -- O Brasil tem um histórico e umas credenciais que lhe permitem atuar como mediador no conflito entre Israel e Palestina, segundo explicaram analistas internacionais à Xinhua.

A tradicional postura de mediador do Brasil em conflitos internacionais, o fato de manter relações diplomáticas tanto com Israel como com Palestina e o papel histórico do brasileiro Oswaldo Aranha, que presidiu a sessão da Assembleia Geral da ONU em 1947 para discutir a criação de dois Estados (um para judeus e outro para árabes) são razões suficientes para que o Brasil exerça como mediador.

"O Brasil foi construído historicamente como um país que tenta encontrar soluções amistosas e um termo médio entre os diversos adversários. Sempre reforçou o papel do direito internacional ao longo de sua história. Somos o país que mais participa do Conselho de Segurança da ONU como membro não permanente", afirmou em uma entrevista o professor de relações internacionais Pedro Donizete.

"Historicamente, temos construído a ideia de um país mediador, e temos atuado consequentemente em diversos momentos, especialmente aqui na América Latina", disse Donizete, docente da Universidade de São Paulo (USP).

Para ele, a diplomacia brasileira tem credibilidade internacional para participar na resolução de conflitos.

"O Brasil não é uma grande potência, o que não gerou inimizades, nem tem conflitos com seus vizinhos. Outro fator que favorece a mediação, em minha opinião, é que o Brasil sempre defendeu a existência de dois Estados: reconhece o Estado de Israel, mas reconhece o direito dos palestinos a ter seu próprio Estado", ressaltou o professor.

Durante este mês de outubro, o Brasil está presidindo o Conselho de Segurança da ONU e já convocou os membros do órgão para debater o conflito e buscar soluções.

Segundo Donizete, é pouco provável que o Brasil desempenhe um papel mais eficaz para deter o conflito no momento. "Hoje, estamos no pior momento entre Israel e Palestina do ponto de vista das tentativas de mediação em 40 anos. No momento, é impossível. Ninguém pode mediar eficazmente um acordo de paz imediato, nem sequer um cessar-fogo. Acredito que muito poucos países poderiam fazê-lo", afirmou.

Por isso, Donizete considera que o que o governo brasileiro pode fazer atualmente é contribuir com ajuda humanitária e com a retirada de civis da zona de conflito.

Para o professor, qualquer acordo entre as partes não depende apenas dos mediadores. É importante que ambos os lados estejam dispostos a negociar e fazer concessões.

"Quando falamos de negociação, falamos necessariamente de concessões. Não pode haver negociação na qual ambas as partes sejam intransigentes, na qual não permitam nenhuma concessão. Então, não há negociação, não há intermediário que contente ninguém", acrescentou.

Por sua vez, o professor de relações internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Williams da Silva, ressaltou a importância que teve em seu momento o então chanceler Oswaldo Aranha e o reconhecimento que ele tem em Israel pelo papel que desempenhou ao defender a criação dos dois Estados.

Em sua opinião, "o Brasil desfruta de um reconhecimento mundial por seu papel neutro nos conflitos e pela vontade de querer encontrar uma solução pacífica. Aproveitando a admiração de Israel por Aranha, o Brasil pode ser o principal mediador entre palestinos e israelenses para buscar uma solução ao conflito", destacou. 

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