Ano de 2023 trouxe vários desafios e progressos para o Oriente Médio-Xinhua

Ano de 2023 trouxe vários desafios e progressos para o Oriente Médio

2023-12-31 12:46:07丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada no dia 24 de maio de 2023 mostra reunião do Conselho de Segurança sobre situação no Oriente Médio, incluindo a questão palestina, na sede da ONU em Nova York. (Manuel Elías/Foto da ONU/Divulgação via Xinhua)

* A reconciliação e a cooperação foram detalhes relevantes no Oriente Médio em 2023, cujo acontecimento marcante foi a normalização das relações diplomáticas entre a Arábia Saudita e o Irã.

* Várias catástrofes, incluindo terremotos na Turquia e em Marrocos, furacões na Líbia e conflitos em Gaza, no Sudão e no Iêmen, lançaram uma sombra sobre a região.

* Muitas economias da região entraram em recessão ao longo de 2023.

Cairo, 28 dez (Xinhua) -- Foi um ano turbulento para o Oriente Médio. A região vivenciou episódios de reconciliação, conflitos e desastres. Apesar de um ano difícil, o vislumbre da esperança continua no horizonte.

PROGRESSO HISTÓRICO DE APROXIMAÇÃO

A reconciliação e a cooperação foram detalhes relevantes no Oriente Médio em 2023, cujo acontecimento marcante foi a normalização das relações diplomáticas entre a Arábia Saudita e o Irã.

Com a mediação da China, os dois rivais concordaram em março em restaurar os laços após uma pausa de sete anos e restabelecer as respectivas embaixadas e consulados. A visita do presidente iraniano Ebrahim Raisi à Riad em novembro para participar na Cúpula Extraordinária Conjunta Islâmica Árabe marcou a primeira visita de um chefe de Estado iraniano à Arábia Saudita em mais de uma década.

Príncipe herdeiro e primeiro-ministro saudita, Mohammed bin Salman Al Saud (centro), fala durante Cúpula Extraordinária Conjunta Islâmica Árabe em Riad, Arábia Saudita, no dia 11 de novembro de 2023. A Cúpula Extraordinária Conjunta Islâmica Árabe realizada na capital saudita, Riad, pediu pela cessação imediata das operações militares em Gaza. (SPA/Divulgação via Xinhua)

Osama Danura, especialista político sírio, disse que a China teve um papel importante no restabelecimento das relações diplomáticas saudita-iranianas, com os esforços do país bem recebidos por ambos os lados e por outros participantes regionais.

No final de 2023, o Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen e a milícia Houthi comprometeram-se a implementar um cessar-fogo a nível nacional, a suspender as restrições econômicas e a se envolver nos preparativos para retomar negociações políticas inclusivas lideradas pela ONU.

Hadeer Said, professor de relações internacionais no Instituto de Pesquisa e Estudos Árabes, com sede no Cairo, disse que a reaproximação entre Riad e Teerã ajudou a neutralizar a crise entre os Houthis no Iêmen e na Arábia Saudita, o que contribuirá para resolver a inflamada crise iemenita.

Além disso, vários desenvolvimentos de reconciliação foram alcançados na região em 2023. A Síria recuperou sua adesão à Liga Árabe após uma suspensão de mais de uma década, a Turquia e o Egito trocaram visitas ministeriais pela primeira vez em anos, e o Catar retomou relações diplomáticas com o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos (EAU).

“A paz, a unidade, a cooperação e o desenvolvimento interessam os povos dos países árabes”, afirmou o príncipe herdeiro e primeiro-ministro saudita, Mohammed bin Salman Al Saud, na 32ª edição da Cúpula da Liga Árabe, realizada em maio, destacando que “não deixaremos a região virar uma zona de conflito”.

Entretanto, os países do Oriente Médio têm desempenhado um papel cada vez mais importante nas organizações multilaterais internacionais e regionais. Em julho, o Irã aderiu oficialmente à Organização de Cooperação de Shanghai. Em agosto, o Egito, a Arábia Saudita, os EAU e o Irã foram convidados a aderir ao bloco de cooperação BRICS.

DESASTRES E CONFLITOS FATAIS

No entanto, várias catástrofes, incluindo terremotos na Turquia e em Marrocos, furacões na Líbia e conflitos em Gaza, no Sudão e no Iêmen, lançam uma sombra sobre a região.

Em 6 de fevereiro, um forte terremoto atingiu o sul da Turquia, perto da fronteira com a Síria, matando mais de 50 mil pessoas, deixando milhões de desabrigados e causando danos estimados em 100 bilhões de dólares americanos no país.

Em 8 de setembro, outro terremoto atingiu Marrocos, matando cerca de 2.900 pessoas e ferindo mais de 5.000.

Além dos desastres naturais, os conflitos armados destruíram as esperanças pacíficas. Em 15 de abril, eclodiram violentos confrontos na capital do Sudão, Cartum, entre as Forças Armadas Sudanesas e a Força de Apoio Rápido paramilitar, que continuam até o momento.

Pessoas fogem de suas casas no Campo de Refugiados de Nuseirat, centro da Faixa de Gaza, no dia 26 de dezembro de 2023. (Xinhua)

Em 7 de outubro, eclodiu um conflito armado em grande escala entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, causando a morte de mais de 20 mil palestinos e cerca de 1.200 israelenses. A questão israelo-palestina ficou novamente no foco da comunidade internacional, o que afetou o processo de reconciliação entre Israel e os países árabes.

Serkan Demirtas, analista de política externa turco, disse que o atual conflito entre Palestina e Israel aumentou dramaticamente as tensões geopolíticas em todo o Oriente Médio, com um impacto de longo alcance nas relações internacionais.

DESACELERAÇÃO ECONÔMICA

Muitas economias da região entraram em recessão no ano de 2023. A Turquia, o Líbano, a Síria e o Irã sofreram uma forte depreciação, uma inflação elevada ou uma taxa crescente de desemprego. A libra libanesa, a libra egípcia e a lira turca atingiram repetidamente novos mínimos em relação ao dólar americano.

O que é pior, o conflito em andamento em Gaza teve um forte impacto nas economias de ambos os lados e dos países vizinhos, como o Egito, a Jordânia e o Líbano. O Banco Mundial informou em outubro que era esperado que o produto interno bruto do Oriente Médio e do Norte da África diminuísse acentuadamente, de 6% em 2022 para cerca de 1,9% em 2023.

Zhao Jun, professor associado do Instituto de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai, disse que a recessão econômica em muitos países do Oriente Médio dificilmente poderia ser revertida no curto prazo devido aos baixos preços do petróleo, resultando em cortes na produção de petróleo, um período tenso no ambiente financeiro global, o aumento contínuo das taxas de juro por parte do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e o efeito de repercussão da crise na Ucrânia sobre os preços dos alimentos e das matérias-primas.

A boa notícia foi que a maior central fotovoltaica do mundo, Al Dhafra, foi concluída recentemente em Abu Dhabi. A usina gerará eletricidade para abastecer 200 mil residências anualmente. Reduzirá as emissões de dióxido de carbono em 2,4 milhões de toneladas métricas, demonstrando mais uma vez a determinação do Estado do Golfo, rico em petróleo e gás, em diversificar seus recursos energéticos e o desenvolvimento verde.

Entretanto, a Visão 2030 da Arábia Saudita, que tem o objetivo de diversificar seu crescimento, evoluiu gradualmente do modelo para a realidade. De acordo com um relatório recente do Fundo Monetário Internacional, a Arábia Saudita passa por um período de forte crescimento econômico, com uma posição fiscal sólida.

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