Polícia Federal denuncia ex-presidente Jair Bolsonaro por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro-Xinhua

Polícia Federal denuncia ex-presidente Jair Bolsonaro por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro

2024-07-05 22:47:30丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 4 jul (Xinhua) -- O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (2019-2022) foi formalmente acusado na quinta-feira pela Polícia Federal brasileira de peculato (apropriação de bens públicos), associação criminosa e lavagem de dinheiro no caso que investiga se ele e ex-assessores se apropriaram indevidamente de joias avaliadas em milhões de dólares que lhe foram presenteadas quando era Chefe de Estado.

Além de Bolsonaro, outras 10 pessoas foram acusadas, todas por associação criminosa, 7 por peculato, 9 por lavagem de dinheiro e 1 por advocacia administrativa.

Entre os acusados estão Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia do governo Bolsonaro, Mauro Cid, ex-assessor de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, advogado de Bolsonaro e ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro, Frederick Wassef, advogado de Bolsonaro e o ex-chefe da alfândega brasileira, Julio Cesar Vieira.

O caso das joias surgiu a partir de uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, que revelou a tentativa de Bolsonaro de recuperar algumas das joias presenteadas por chefes de Estado árabes e que tinham sido retidas pela Receita Federal quando chegaram ao Brasil.

A Polícia Federal começou a atuar no caso e, a partir de informações das investigações envolvendo o ex-assessor Mauro Cid, avançou nos detalhes de como o ex-presidente negociou alguns presentes valiosos, como joias e relógios.

A investigação também mostrou como Bolsonaro e pessoas próximas a ele tentaram recomprar os itens depois que a apreensão das joias pela Receita Federal se tornou pública.

Bolsonaro devolveu as joias após receber ordem do Tribunal de Contas da União (TCU).

Com base nas informações, a PF chegou a fazer buscas nas casas do pai de Mauro Cid, o general da reserva do Exército Mauro Lourena Cid, de Frederick Wassef, advogado de Bolsonaro, e de Osmar Crivelatti, tenente do Exército que também trabalhava como auxiliar de campo presidencial.

Segundo a polícia, o ex-presidente usou a estrutura do governo federal para desviar presentes de alto valor que lhe foram oferecidos por autoridades estrangeiras. Algumas das joias, da marca Chopard, foram colocadas em leilão mas não foram compradas, obrigando os assessores do ex-presidente a alterar os planos de venda dos artigos de luxo.

As joias foram levadas aos Estados Unidos no avião presidencial em 30 de dezembro de 2022, data em que Bolsonaro deixou Brasília com destino a Orlando.

O relatório da Polícia Federal será enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que deverá encaminhá-lo à Procuradoria-Geral da República, que deverá analisá-lo e decidir se há provas suficientes para denunciar Bolsonaro ou não.

O crime de apropriação de bens públicos é punível no Brasil com pena de prisão de 2 a 12 anos e multa. O crime de lavagem de dinheiro é punido com pena de prisão de 3 a 10 anos e multa. O crime de associação criminosa é punido com penas de prisão de 1 a 3 anos. 

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