
Pan Zhanle da China se prepara antes da final dos 100 metros livre da categoria masculina de natação nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 em Paris, França, no dia 31 de julho de 2024. (Xinhua/Wang Peng)
É um momento adequado para refletir sobre a importância do “jogo limpo” com uma abordagem imparcial para a aplicação de medidas antidoping e reportagens da mídia.
Paris, 2 ago (Xinhua) -- O New York Times relatou na terça-feira que dois nadadores chineses testaram positivo para metandienona, um esteroide proibido, em 2022, mas suas suspensões provisórias foram interrompidas.
A Agência Chinesa Antidoping (CHINADA) e a Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês) deram explicações abrangentes que legitimam o tratamento desses casos.
A CHINADA agiu rapidamente suspendendo provisoriamente os atletas enquanto aguardava uma investigação completa, que foi concluída no final de 2023. A investigação descobriu que os resultados positivos foram consequência da ingestão inadvertida de alimentos contaminados, isentando os atletas de qualquer irregularidade.
A Agência Mundial Antidoping corroborou as descobertas da CHINADA, afirmando que vários testes e uma investigação extensa, incluindo a análise de amostras de alimentos e suplementos nutricionais, apoiaram a conclusão de que a contaminação por carne havia causado o resultado positivo nos testes.
As alegações contra a CHINADA refletem uma questão mais profunda de preconceito e padrões duplos na representação de casos de doping envolvendo atletas de diferentes países.

Diretor-geral da Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês), Olivier Niggli (centro), fala durante coletiva de imprensa em Paris, França, no dia 25 de julho de 2024. (Xinhua/Wu Huiwo)
A CHINADA tem justificativa para defender suas ações e integridade contra alegações de acobertamentos. A agência enfatizou que a contaminação da carne com substâncias proibidas é um fenômeno global, observando que muitos casos semelhantes ocorreram em outros lugares.
Por outro lado, a Agência Antidoping dos EUA (USADA, na sigla em inglês) recentemente exonerou o atleta americano de atletismo Erriyon Knighton, que testou positivo para o potente agente anabólico trembolona. A USADA atribuiu o resultado à contaminação da carne, permitindo que Knighton competisse nas Olimpíadas de Paris sem suspensão.
Essa decisão gerou críticas por aparentes padrões duplos, já que a trembolona não é frequentemente encontrada como contaminante, e casos semelhantes geralmente resultam em suspensões de quatro anos. Atualmente, a WADA está examinando novamente o caso de Knighton e considerando um recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês).
O tratamento dado pela CHINADA aos casos de doping contrasta fortemente com a tolerância da USADA em relação aos atletas americanos. Essa discrepância levanta questões sobre a justiça e a integridade da aplicação da lei antidoping.

Zhang Yufei, da China, compete durante as semifinais femininas de 200 metros borboleta da natação nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, em Paris, França, no dia 31 de julho de 2024. (Xinhua/Wang Peng)
A equipe de natação chinesa, uma das mais testadas antes das Olimpíadas de Paris, passou por uma rigorosa apuração.
De acordo com a World Aquatics, órgão regulador global da natação, os nadadores chineses foram testados em média 21 vezes de 1º de janeiro até o início dos Jogos. Em comparação, os nadadores australianos e americanos foram testados apenas quatro e seis vezes em média, respectivamente.

Medalhista de ouro, Pan Zhanle, da China mostra medalha na cerimônia de vitória dos 100 metros livre da categoria masculina de natação nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 em Paris, França, no dia 31 de julho de 2024. (Xinhua/Du Yu)
Apesar dos testes extensivos e da cobertura da mídia, os atletas chineses continuam resilientes. Pan Zhanle, que ganhou o ouro e estabeleceu um novo recorde mundial nos 100 metros livre na Arena La Defense de Paris na quarta-feira, reconheceu o rigoroso regime de testes, mas manteve uma perspectiva positiva. “Os testes não me afetaram e não estou incomodado com isso. Faz parte das regras”, disse o jovem de 19 anos.
Conforme os Jogos de Paris 2024 se aproximam da metade, é um momento adequado para refletir sobre a importância do “jogo limpo” com uma abordagem imparcial à aplicação antidoping e à cobertura da mídia. O tratamento igualitário de todos os atletas é fundamental para a integridade dos esportes nesta e nas próximas Olimpíadas.



