
Foto tirada em 4 de agosto de 2022 mostra Casa Branca e placa de "pare" em Washington, D.C., Estados Unidos. (Xinhua/Liu Jie)
O presidente dos EUA, Donald Trump, impôs novas tarifas abrangentes a 69 parceiros comerciais, gerando críticas internacionais por causar interrupção na economia e preocupações com a soberania.
Washington, 2 ago (Xinhua) -- O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na quinta-feira uma ordem executiva que altera ainda mais as tarifas com 69 parceiros comerciais, gerando críticas em todo o mundo.
A ordem, prevista para entrar em vigor em 7 de agosto, impõe "tarifas ad valorem adicionais sobre bens vindo de certos países parceiros", com taxas variando de 10% a 40%.
TARIFAS GENERALIZADAS
Segundo a nova ordem executiva, a tarifa "universal" sobre bens que entram nos Estados Unidos continuará em 10%, o mesmo valor implementado em 2 de abril. No entanto, essa taxa de 10% só será aplicada a países com os quais os Estados Unidos têm superávit comercial, informou o canal americano de televisão CNN, citando um alto funcionário.
Para os países com os quais os Estados Unidos têm déficit comercial, a nova tarifa padrão será de 15%. Ainda assim, para mais de uma dúzia de outros países, as tarifas ultrapassam essa porcentagem, seja por terem firmado algum acordo comercial com os EUA ou por terem recebido cartas diretas de Trump exigindo tarifas mais altas, acrescentou a reportagem.
Na quinta-feira, Trump assinou uma ordem executiva elevando a tarifa sobre o Canadá de 25% para 35%, com entrada em vigor em 1º de agosto.
Produtos qualificados para tratamento tarifário preferencial sob o Acordo Estados Unidos-México-Canadá continuarão isentos das novas tarifas. Bens redirecionados para evitar a tarifa de 35% estarão sujeitos, em vez disso, a uma tarifa de transbordo de 40%.
Na quarta-feira, Trump assinou uma ordem executiva implementando uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando o valor total da tarifa para 50%.
No mesmo dia, Trump anunciou que Washington havia alcançado um acordo comercial "pleno e completo" com a Coreia do Sul, estabelecendo tarifas de 15% sobre suas exportações.
A Coreia do Sul também concordou em investir 350 bilhões de dólares americanos em projetos "sob propriedade e controle americanos", escolhidos pessoalmente por Trump, disse ele.
Trump também afirmou, na quarta-feira, que os Estados Unidos irão impor uma tarifa de 25% sobre importações vindas da Índia, a partir de 1º de agosto.
Em 27 de julho, Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram que fecharam um acordo comercial pelo qual os Estados Unidos imporiam uma tarifa padrão de 15% sobre produtos da UE.
O acordo permite que os Estados Unidos apliquem uma tarifa padrão de 15% sobre produtos da UE, enquanto garantem acesso isento de tarifas para uma variedade de exportações estratégicas americanas.
Em contrapartida, a UE prometeu comprar 750 bilhões de dólares em energia americana e investir mais 600 bilhões de dólares nos Estados Unidos.

Foto tirada em 23 de maio de 2025 mostra bandeiras da União Europeia na sede da Comissão Europeia em Bruxelas, Bélgica. (Xinhua/Zhao Dingzhe)
CRÍTICAS AMPLAS
As tarifas mais altas continuam a reversão, por parte de Trump, de décadas de globalização que tornaram a economia de serviços dos EUA invejada mundialmente, mas que também contribuíram para a longa decadência do setor manufatureiro americano, comentou a CNN.
"Nossas empresas... precisam de algum grau de certeza, mas só recebem caos e inflação. Portanto, a guerra comercial tarifária de Trump é uma guerra comercial contra o povo americano. Vimos nesta semana o caos e a incerteza", disse Chuck Schumer, líder democrata no Senado.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse em comunicado na sexta-feira que seu governo está decepcionado com a decisão de Trump de aumentar a tarifa sobre produtos canadenses para 35%.
De acordo com o comunicado, os setores de madeira, aço, alumínio e automóveis são fortemente impactados pelas medidas tarifárias dos EUA.
O governo canadense agirá para proteger os empregos, investir na competitividade industrial, comprar produtos canadenses e diversificar os mercados de exportação, disse Carney.
O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, afirmou que seu governo anunciará em breve um plano de resposta focado em oferecer assistência financeira, adiar o pagamento de impostos, acelerar a restituição de impostos de exportação e reativar políticas de proteção trabalhista.
Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, criticou o acordo entre EUA e UE como "significativamente desequilibrado". Em declaração após o anúncio do acordo, ele afirmou que "foram feitas concessões difíceis de aceitar".
O acordo comercial é "um fiasco político, econômico e moral", disse Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita União Nacional no parlamento francês, em uma publicação na rede social X.
"Centenas de bilhões de euros em gás, além de armas, terão que ser importados anualmente dos Estados Unidos. Isso é uma rendição completa da indústria francesa e da nossa soberania energética e militar", disse ela.
"Não acho que Trump queira um acordo comercial. Ele quer que esses países abram mão de sua soberania econômica", disse Sizo Nkala, pesquisador sênior do Centro de Estudos África-China da Universidade de Joanesburgo.
"Mais do que qualquer coisa, essas tarifas representam um ataque e uma violação do sistema de comércio multilateral baseado em regras, administrado pela Organização Mundial do Comércio", disse Nkala.

