
Zhang Jianhua (3º à direita, frente) e sua esposa (2º à direita, frente) posam para foto em grupo com John Flower (2º à esquerda, frente) e estudantes americanos na residência de Zhang no distrito de Deqin, Prefeitura Autônoma Tibetana de Diqing, província de Yunnan, sudoeste da China, em 26 de julho de 2025. (Xinhua/Gao Yongwei)
Por Yue Yuanyuan, Xiong Run e Wang Xiansi
Kunming, 15 ago (Xinhua) -- Aos pés da Montanha Biluo, na província de Yunnan, sudoeste da China, um rio corre por vinhedos e tranquilas vilas nas montanhas, testemunhando a amizade que atravessou o Pacífico entre um americano acadêmico e um aldeão chinês.
Com cabelos castanhos e barba grisalha, John Flower, 62 anos, foi até uma residência em estilo étnico Bai, onde foi bem recebido por seu proprietário e amigo de longa data, Zhang Jianhua. Eles se cumprimentaram antes de se acomodarem no pátio para relembrar os velhos tempos.

John Flower (esquerda) cumprimenta Zhang Jianhua durante visita à residência de Zhang no distrito de Deqin, Prefeitura Autônoma Tibetana de Diqing, província de Yunnan, sudoeste da China, em 26 de julho de 2025. (Xinhua/Gao Yongwei)
A amizade deles começou na primavera de 2016, quando Flower, professor de história e diretor do programa de Estudos Chineses na Escola Sidwell Friends, levou um grupo de estudantes à aldeia Cizhong, na Prefeitura Autônoma Tibetana de Diqing, em Yunnan. "Convidei-os para tomar chá em minha casa", lembrou Zhang.
Flower ficou impressionado com a casa de madeira com pátio de Zhang, uma rara combinação dos estilos arquitetônicos Han, Tibetano, Naxi e Bai. Quando soube que a casa seria desmontada, uma ideia ousada começou a surgir: mudar a casa inteira para os Estados Unidos. Zhang riu do que parecia um sonho. "Você pode tentar", disse ele. "Mas ainda estou morando nela. Volte no ano que vem".
Um ano depois, Flower retornou com uma equipe de estudantes. Trabalhando com carpinteiros Bai locais, eles documentaram a estrutura da casa, criaram um modelo 3D e, em seguida, desmontaram cada parte dela antes de enviá-la através do Pacífico. Às margens do Rio Shenandoah, em Jefferson, Virgínia Ocidental, a casa foi remontada.

Foto sem data mostra estrutura de madeira conhecida como Casa Folclórica Chinesa em Harpers Ferry, Virgínia Ocidental, Estados Unidos. (Xinhua)
Ao longo dos anos, a casa, agora conhecida como Casa Folclórica Chinesa, vendo sendo uma sala de aula viva, proporcionando a estudantes americanos e moradores locais a oportunidade de apreciar o artesanato das casas tradicionais chinesas e vivenciar os ritmos da vida na aldeia.
Adicionando um novo capítulo à sua história, em julho deste ano, Flower retornou a Cizhong com mais de 20 estudantes. Muitos deles ajudaram a reconstruir a casa nos Estados Unidos, mas essa foi a primeira vez em Yunnan.
Na nova casa de Zhang, em estilo Bai, a cerca de um quilômetro do local original de sua antiga casa, os dois amigos se reuniram em um pátio ensolarado, onde uma escultura em pedra do caractere chinês "Fu" (bênção) se destaca no centro.
Os estudantes tiraram fotos de trabalhos em madeira delicadamente entalhados, de gatos de telha realistas empoleirados na cumeeira e da fogueira em estilo tibetano no espaçoso pátio, enquanto comiam melancia do jardim de Zhang.
"Como está a vida agora?", perguntaram eles. "Você ainda cultiva?".

John Flower (2º à direita) e estudantes americanos conversam com Zhang Jianhua (1º à direita) na residência de Zhang no distrito de Deqin, Prefeitura Autônoma Tibetana de Diqing, província de Yunnan, sudoeste da China, 26 de julho de 2025. (Xinhua/Gao Yongwei)
"Não tenho tanta educação", respondeu Zhang, um pouco nervoso por receber tantos jovens estrangeiros pela primeira vez. "Mas a vida está muito melhor agora". Ele acrescentou que, além da agricultura, cria 30 porcos e 30 galinhas. Agora sua família mora em uma casa quatro vezes maior que a antiga, com mais cômodos disponíveis para aluguel.
"A antiga casa carrega nossas memórias", disse ele com um sorriso. "Mas estou muito feliz por ela agora ser tão adorada do outro lado do Pacífico".
O ex-chefe da aldeia, Urgyen Tsering, se lembrou de ter emitido o certificado oficial autorizando a demolição da casa. "Ninguém imaginava que os americanos um dia a visitariam", disse ele. "Muito menos que a casa seria uma ponte para o intercâmbio interpessoal entre a China e os Estados Unidos".

John Flower (esquerda, frente) lidera grupo de estudantes americanos em visita à residência de Zhang Jianhua (direita, frente) no distrito de Deqin, Prefeitura Autônoma Tibetana de Diqing, província de Yunnan, sudoeste da China, em 26 de julho de 2025. (Xinhua/Wang Xiansi)
Os vínculos de Flower com a China remontam ao final da década de 1970, quando ele teve seu primeiro contato com a língua chinesa por meio dos Analectos de Confúcio quando era estudante de filosofia. A normalização das relações China-EUA na época abriu portas para o intercâmbio cultural e, em 1991, ele fez sua primeira viagem à China.
Mais tarde, ele morou por vários anos na zona rural de Sichuan com sua esposa, aumentando seu entendimento da cultura chinesa e desenvolvendo interesse duradouro pela vida na aldeia. Na última década, ele levou seus estudantes em viagens de aprendizado experiencial à zona rural de Yunnan.
Muitos estudantes do grupo de Flower participam de um amplo programa de intercâmbio de jovens entre a China e os EUA, que visa promover o entendimento mútuo por meio de experiências culturais, educacionais e de viagens.
A China anunciou um plano para convidar 50.000 jovens americanos para visitar e estudar no país em cinco anos, na esperança de que, por meio da experiência presencial, conheçam verdadeira China e, ao mesmo tempo, contribuam para a amizade entre China e EUA.
Enquanto Flower passeava pela aldeia, ele admirava as estradas de cimento que haviam substituído as trilhas lamacentas. Pousadas e vinícolas locais haviam surgido, mas os edifícios ainda refletiam uma mistura harmoniosa dos estilos Han, Tibetano, Bai e Naxi, agora equipados com confortos modernos.

John Flower (5º à direita) e estudantes americanos posam para foto em grupo com Zhang Jianhua (6º à esquerda) na residência de Zhang no distrito de Deqin, Prefeitura Autônoma Tibetana de Diqing, província de Yunnan, sudoeste da China, em 26 de julho de 2025. (Xinhua/Gao Yongwei)
"Assim como as pessoas daqui, grupos étnicos diferentes convivem pacificamente", disse ele.
Antes de ir embora, Flower convidou Zhang e sua esposa para visitar sua antiga casa na Virgínia Ocidental. Zhang sorriu e assentiu, como há oito anos, quando aceitou a ideia "louca".




