Beijing, 29 ago (Xinhua) -- O presidente da China, Xi Jinping, recebeu em 15 de julho os principais diplomatas e chefes dos órgãos permanentes da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS) no imponente Salão Fujian do Grande Palácio do Povo, em Beijing, capital da China.
"A China sempre priorizou a OCS em sua diplomacia de vizinhança, e está comprometida em tornar a organização mais substantiva e forte", destacou Xi durante o encontro. A promessa reflete os esforços contínuos da China, ao longo de anos, para fomentar uma vizinhança amigável, de paz e desenvolvimento no âmbito da OCS.
A política de vizinhança da China, conforme Xi elaborou durante sua recente viagem a Astana, Cazaquistão, em junho, caracteriza-se por uma firme convicção em uma vizinhança amigável, segura e próspera, bem como por uma forte dedicação à amizade, sinceridade, benefício mútuo e inclusão.
Nos próximos dias, Xi sediará a cúpula deste ano da OCS na cidade portuária de Tianjin, no norte da China, onde ele e outros líderes da organização traçarão estratégias para promover segurança e prosperidade regionais, dando passos concretos rumo à construção de uma comunidade da OCS mais próxima com um futuro compartilhado.
LAÇOS DE BOA VIZINHANÇA E PARCERIA
Xi realizou três viagens ao exterior até agora neste ano. Dois dos destinos, Rússia e Cazaquistão, são ambos Estados-membros da OCS.
Ao chegar ao aeroporto de Astana durante a visita em junho para a segunda Cúpula China-Ásia Central, Xi foi calorosamente recebido por um velho amigo, o presidente cazaque Kassym-Jomart Tokayev. Foi a sexta visita de Xi ao país vizinho desde que se tornou presidente da China.
A Cúpula China-Ásia Central é concebida para consolidar o vínculo da China com seus vizinhos sem litoral ao longo da antiga Rota da Seda.
"Um provérbio da Ásia Central compara harmonia e unidade à felicidade e riqueza", disse Xi no encontro. "Sempre desejamos o bem aos nossos vizinhos."
A China é um dos países com o maior número de vizinhos no mundo. Durante décadas, o estreitamento das parcerias com os países vizinhos tem sido um contrapeso fundamental na estrutura da política externa de Beijing. Xi tem dedicado atenção especial a cultivar uma vizinhança pacífica e amistosa.
Ainda em 2013, quando foi eleito chefe de Estado da China pela primeira vez, Xi apresentou o princípio de "amizade, sinceridade, benefício mútuo e inclusão" em uma reunião sobre diplomacia de vizinhança, a primeira conferência desse tipo desde a fundação da República Popular da China, em 1949.
Na conferência central sobre o trabalho relacionado aos países vizinhos, realizada em Beijing, em abril, Xi pediu a construção de uma comunidade de futuro compartilhado com os países vizinhos.
A boa vizinhança tem sido um tema constante na agenda de Xi no palco da OCS. Durante sua estreia na Cúpula de Bishkek, em 2013, ele propôs a implementação séria do Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação de Longo Prazo dos Estados-Membros da OCS. Xi descreveu tanto o tratado quanto a Carta da OCS como dois documentos que "estabelecem os princípios e dão orientação aos Estados-membros da OCS em seu trabalho."
Nos anos seguintes, o líder chinês propôs um plano de ação para 2018-2022 a fim de implementar o tratado de boa vizinhança já estabelecido da OCS, e promoveu sua adoção na Cúpula de Qingdao em 2018, que foi a primeira vez que Xi sediou uma cúpula da OCS na China. Um plano abrangente para 2023-2027 sobre a implementação do Tratado foi adotado em 2022 em Samarcanda, Uzbequistão.
A OCS, que não se envolve em alianças nem visa terceiros, adota a abertura e a inclusão. Nas próprias palavras de Xi, é como uma "grande família". Ao longo dos anos, a China tem aprofundado os laços tanto com os membros fundadores quanto com os novos parceiros da OCS. Sob a orientação do Espírito de Shanghai, que inclui confiança mútua, benefício recíproco, igualdade, consulta, respeito pela diversidade de civilizações e busca pelo desenvolvimento comum, a OCS cresceu e se tornou a organização regional mais abrangente em termos de cobertura geográfica e população no mundo, englobando 10 Estados-membros, dois Estados observadores e 14 parceiros de diálogo.
Belarus tornou-se oficialmente o 10º membro da OCS na Cúpula de Astana do ano passado. Em junho, Xi recebeu o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, em Zhongnanhai, em Beijing. Durante a visita, Lukashenko disse a Xi que verdadeiramente sentiu a amizade profunda estendida pelo lado chinês.
Este é apenas um exemplo das trocas regulares de Xi com seus colegas líderes da OCS. Desde 2023, ele já se encontrou dezenas de vezes com líderes dos Estados-membros da OCS -- seja à margem das cúpulas da organização, em outros encontros multilaterais ou durante visitas deles à China. Essas interações de alto nível não apenas fortaleceram a coordenação dentro da OCS, mas também ajudaram a construir uma relação pessoal mais próxima entre seus líderes.
"Entre parentes e amigos, quanto mais frequentes as interações, mais cresce a afinidade", disse Xi.
LAR COMPARTILHADO DE PAZ
O vidro azul da fachada futurista do Palácio da Independência brilhava sob a luz do sol quando os líderes da OCS chegaram a Astana em julho do ano passado para seu encontro anual. Em seu discurso proferido na primeira reunião "OCS Mais" do grupo, Xi defendeu a construção de um lar mais bonito para a OCS, com a construção de "um lar comum de paz e tranquilidade" listada entre as cinco prioridades.
A OCS nasceu há mais de duas décadas, quando os graves desafios de segurança do terrorismo, separatismo e extremismo - as "Três Forças do Mal" - representavam grandes ameaças na Ásia Central e áreas vizinhas. Desde sua fundação em 2001, o grupo sempre manteve a salvaguarda da segurança regional como um pilar da colaboração.
"A segurança é um pré-requisito para o desenvolvimento nacional, e a proteção é a linha de vida para a felicidade do povo", disse Xi em Astana.
Há anos, o líder chinês defende o fortalecimento da cooperação em segurança para fornecer linhas de defesa aos membros da OCS. Na Cúpula da OCS em Dushanbe, em 2014, Xi propôs negociar e assinar a Convenção da OCS sobre Combate ao Extremismo. A convenção foi assinada pelos Estados-membros em Astana, em 2017.
O líder chinês também foi sempre um forte defensor do combate da OCS contra o narcotráfico, o crime organizado e o ciberterrorismo, resultando em sucessos notáveis.
Veja o caso do narcotráfico. O grupo organiza operações antidrogas regularmente e renovou sua Estratégia Antidrogas por cinco anos. Em seu desenvolvimento mais recente, os membros da OCS realizaram uma operação antidrogas denominada "Web" no início deste mês, com a China presidindo a sede da coordenação. A operação apreendeu quase 10 toneladas de narcóticos e identificou 1.151 crimes relacionados ao narcotráfico ilícito.
Além da OCS, o líder chinês também busca promover a segurança comum na região por meio de outros canais de cooperação, afirmando que uma "visão de harmonia e coexistência pacífica fundamenta a diplomacia de vizinhança da China".
Na Cúpula de Shanghai de 2014 da Conferência sobre Medidas de Interação e Construção de Confiança na Ásia, Xi propôs uma visão de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável. Na Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia, em 2022, ele apresentou a Iniciativa de Segurança Global, considerada por Beijing como um bem público que promove a governança da segurança global.
"Ao fortalecer a segurança na Ásia Central no âmbito da OCS, a China, sem dúvida, desempenha um papel importante e de liderança", disse Azamat Seitov, acadêmico da Universidade de Economia Mundial e Diplomacia do Uzbequistão.
"As iniciativas chinesas... contribuem para o fortalecimento da estabilidade, o desenvolvimento econômico e a redução das ameaças à segurança na região", disse Seitov.
No mundo interconectado de hoje, a paz permanece frágil em meio a tensões regionais e um ambiente de segurança incerto. Este ano marca o 80º aniversário da vitória da Guerra Antifascista Mundial, ou Segunda Guerra Mundial. Em maio, Xi visitou Moscou, onde participou de um desfile na Praça Vermelha.
Xi certa vez destacou que a dolorosa lição da guerra jamais deve ser esquecida. Em 2015, ano que marcou o 70º aniversário do fim da Guerra Antifascista Mundial, Xi observou que "todos os Estados-membros da OCS resistiram ao teste de sangue e fogo da Segunda Guerra Mundial e contribuíram para a vitória final com enorme sacrifício" ao discursar na Cúpula da OCS em Ufá, na Rússia. Em uma declaração conjunta emitida após a reunião, Xi e outros líderes presentes fizeram um pedido resoluto ao desenvolvimento pacífico e ao progresso de todas as nações.
"Somente com um ambiente tranquilo à nossa porta podemos nos desenvolver com facilidade e conforto", comentou Xi certa vez.
FRUTOS DA PROSPERIDADE
Quando a China assumiu a presidência rotativa da OCS, substituindo o Cazaquistão no ano passado, Xi propôs, na Reunião "OCS Mais", que 2025 fosse designado como o Ano do Desenvolvimento Sustentável.
Nos últimos anos, Xi vem enfatizando o impulso ao desenvolvimento sustentável da OCS por meio de uma gama de iniciativas e projetos cooperativos. Ele considera que "o verdadeiro desenvolvimento é o desenvolvimento para todos e o bom desenvolvimento é sustentável".
Na Cúpula da OCS em Bishkek, em 2019, Xi anunciou uma iniciativa para estabelecer uma base de demonstração da OCS para intercâmbio e treinamento em tecnologia agrícola na Província de Shaanxi, na China, uma ação concreta para "tornar a OCS um exemplo de cooperação mutuamente benéfica".
Inaugurada um ano depois na cidade de Yangling, a base de demonstração da OCS tornou-se um centro de comércio, treinamento de talentos e intercâmbio de tecnologia. A base já treinou mais de 2 mil funcionários e técnicos agrícolas da OCS e de países em desenvolvimento, o que impulsionou as iniciativas de redução da pobreza nessas nações.
Quando o Fórum da OCS sobre Redução da Pobreza e Desenvolvimento Sustentável foi realizado em Xi'an, capital da Província de Shaanxi, em maio, Xi enviou uma carta de felicitações ao fórum. Representantes dos países da OCS presentes no fórum disseram que a carta reflete o compromisso da China em construir, com todas as partes, um mundo belo e livre da pobreza.
Enquanto isso, Xi integrou suas propostas de iniciativas de desenvolvimento, como a Iniciativa Cinturão e Rota, às estratégias de crescimento dos países da OCS.
O projeto ferroviário China-Quirguistão-Uzbequistão, lançado oficialmente no final do ano passado no Quirguistão, é um exemplo da cooperação de alta qualidade do Cinturão e Rota entre os Estados-membros da OCS. Promovida pessoalmente por Xi e seus dois homólogos da Ásia Central, a ferrovia se tornará um corredor estratégico ligando a China à Ásia Central, impulsionando a conectividade e o comércio regionais, além de fortalecer os laços interpessoais.
O comércio entre a China e os Estados-membros da OCS, Estados observadores e parceiros de diálogo atingiu uma alta recorde de US$ 890 bilhões em 2024, representando cerca de 14,4% do comércio exterior total da China, segundo os dados oficiais.
"Os esforços da China para construir uma comunidade com um futuro compartilhado com seus vizinhos não são apenas um conceito filosófico. É um projeto de desenvolvimento sustentável e multidimensional, baseado no respeito mútuo", disse Serik Korzhumbayev, editor-chefe do jornal Delovoy Kazakhstan.
Korzhumbayev observou que a visão de Xi serve como um modelo para fomentar uma cooperação mais estreita com a OCS. "Diante da turbulência global e das profundas mudanças no cenário internacional, o fortalecimento dos laços com os Estados vizinhos abrirá novas perspectivas para o avanço da prosperidade regional e a promoção de um mundo mais justo e equitativo", afirmou Korzhumbayev. "A OCS, sem dúvida, desempenha um papel pioneiro nesse sentido."


