Rio de Janeiro, 26 set (Xinhua) -- Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros concluiu que terras indígenas, especialmente aquelas legalmente reconhecidas, têm um efeito positivo na mitigação de doenças causadas por incêndios e na incidência de doenças infecciosas tropicais em cidades localizadas a até 500 quilômetros de distância.
A pesquisa, publicada este mês na revista científica Nature, analisou dados dos primeiros 20 anos do século XXI nos nove países da região amazônica, além de um estudo paralelo na Mata Atlântica, com resultados semelhantes. Segundo os autores, o reconhecimento legal dessas terras contribui não apenas para conter o desmatamento, mas também para melhorar a saúde humana local.
O estudo avaliou o impacto do material particulado fino (menos de 2,5 micrômetros) gerado por incêndios, que afeta o trato respiratório e o sistema cardiovascular e é disperso a longas distâncias pelo vento. A pesquisa utilizou séries temporais de 2000 a 2019 para reduzir a influência de fatores atípicos e fortalecer a robustez dos resultados.
Os resultados mostraram que terras indígenas legalmente protegidas reduzem tanto o número de focos de incêndio quanto a área afetada, além da disseminação de doenças infecciosas. Municípios com menor cobertura florestal fora das terras indígenas necessitam de mais dessas reservas para compensar os impactos das queimadas.
Os autores enfatizam que os benefícios à saúde vão além dos povos indígenas que habitam os territórios, alcançando populações próximas, e que a proteção dessas áreas contribui para paisagens mais saudáveis em toda a região. Os dados coletados são disponibilizados gratuitamente a outros grupos de pesquisa, fomentando a colaboração científica e a formulação de políticas públicas de saúde ambiental.

