Ucrânia e EUA estão realmente “muito perto” de um acordo de paz definitivo para acabar com o conflito?-Xinhua

Ucrânia e EUA estão realmente “muito perto” de um acordo de paz definitivo para acabar com o conflito?

2025-12-31 09:02:55丨portuguese.xinhuanet.com

Captura de tela de um vídeo divulgado pela Casa Branca mostra o presidente dos EUA, Donald Trump, com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na propriedade Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida, Estados Unidos, em 28 de dezembro de 2025. (Xinhua)

Embora Trump e Zelensky tenham se elogiado mutuamente na coletiva de imprensa, deram poucos detalhes sobre o progresso alcançado.

Washington, 29 dez (Xinhua) -- Após se reunir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky,, em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, no domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os dois lados estão "muito próximos, talvez até mesmo muito perto" de um acordo de paz para acabar com a crise na Ucrânia.

No entanto, há poucos indícios de que um grande avanço esteja surgindo, embora Trump tenha descrito as negociações como "excelentes" e com "muitos progressos".

QUE PROGRESSO FOI FEITO?

"Não é um processo que é resolvido em um dia. É muito complexo", disse Trump em uma coletiva de imprensa conjunta com Zelensky após a reunião.

"Em algumas semanas, saberemos de uma forma ou de outra, eu acho", disse Trump. "Tem sido uma negociação muito difícil".

"Discutimos todos os aspectos da estrutura de paz", disse Zelensky sobre seu encontro com Trump na coletiva de imprensa, observando que o plano de paz de 20 pontos estava agora "90%" concluído, o mesmo número que ele mencionou no início deste mês.

Em relação às garantias de segurança para a Ucrânia, Zelensky disse que os Estados Unidos, a Ucrânia e a Europa estão perto de um acordo de 100% sobre os termos.

Trump disse que não gosta de falar em porcentagens, mas "acha que pode estar perto de 95%" na questão da segurança.

"Podemos estar muito perto. Há uma ou duas questões muito delicadas e difíceis, mas acho que estamos indo muito bem", disse Trump. Nenhum dos dois especificou quais eram essas questões.

Embora Trump e Zelensky tenham se elogiado mutuamente na coletiva de imprensa, eles deram poucos detalhes sobre o progresso alcançado.

O QUE AS PARTES RELEVANTES DISSERAM?

Durante a reunião, os dois líderes também tiveram uma conversa telefônica conjunta com importantes líderes europeus, incluindo os chefes da OTAN e da União Europeia. Zelensky disse que Trump poderá se encontrar com ele e com líderes europeus em Washington em janeiro, já que ambos "concordaram que suas equipes se reunirão nas próximas semanas para finalizar todos os assuntos discutidos".

Pouco antes de seu encontro com Zelensky, Trump disse que teve uma "conversa telefônica boa e produtiva" com seu homólogo russo, Vladimir Putin, na manhã de domingo.

Yuri Ushakov, principal assessor de política externa de Putin, disse em Moscou que, durante a longa conversa telefônica, Putin e Trump concordaram que um acordo de paz de longo prazo seria melhor do que o cessar-fogo temporário proposto pelos ucranianos e pelos europeus.

Putin concordou com a oferta dos EUA de criar dois grupos de trabalho para o acordo de paz: um focado em questões de segurança e outro em questões econômicas, segundo Ushakov, citado em reportagem do jornal americano New York Times.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que "elogiou" o "bom progresso" alcançado nas negociações.

"A Europa está pronta para continuar trabalhando com a Ucrânia e nossos parceiros americanos para consolidar esse progresso", disse ela, acrescentando que "é fundamental para esse esforço ter garantias de segurança inabaláveis ​​desde o primeiro dia".

O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que os aliados que apoiam Kiev se reunirão em Paris no próximo mês para deliberar sobre as garantias de segurança, que fazem parte de um possível acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia.

O presidente francês, Emmanuel Macron, participa de uma cúpula do Conselho Europeu em Bruxelas, Bélgica, em 18 de dezembro de 2025. (Xinhua/Peng Ziyang)

"Reuniremos os países da Coalizão dos Dispostos em Paris no início de janeiro para finalizar as contribuições concretas de cada um", disse Macron à Xinhua após conversar com Zelensky e com Trump.

QUAIS IMPASSES AINDA PRECISAM SER RESOLVIDOS?

Ao receber Zelensky em Mar-a-Lago, Trump se recusou a dizer se espera que um acordo de paz seja alcançado até o final deste ano para acabar com a crise na Ucrânia.

Foto de arquivo mostra vista da propriedade Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida, Estados Unidos. (Xinhua)

Os pontos mais controversos incluem, em geral, um possível cronograma para um cessar-fogo, o estabelecimento de uma zona desmilitarizada, a gestão da usina nuclear de Zaporizhzhia, ocupada pela Rússia, e o controle da região de Donbas, no leste da Ucrânia.

Trump citou especificamente divergências sobre "terra", aludindo à profunda cisão entre Moscou e Kiev sobre possíveis concessões territoriais, segundo o jornal inglês Financial Times.

Ele disse que a questão de uma possível "zona desmilitarizada", ou "zona econômica" na região de Donbas, como Zelensky a denominou nas últimas semanas, continua "sem solução".

As forças ucranianas se retirariam para estabelecer uma zona econômica, desde que as tropas russas fizessem o mesmo, disse Zelensky, observando que qualquer zona desse tipo teria que permanecer oficialmente território ucraniano sob a supervisão de uma força de paz internacional.

Reconhecendo a sensibilidade da questão, ele enfatizou que quaisquer concessões territoriais precisariam ser aprovadas por meio de um referendo nacional.

Zelensky disse na sexta-feira que estava disposto a submeter um plano de paz para acabar com a crise na Ucrânia a um referendo, caso a Rússia concordasse com um cessar-fogo de pelo menos 60 dias, segundo o veículo de mídia americano Axios.

Putin se mostrou aberto a colaborar com Kiev na questão controversa de quem deveria controlar a usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, como parte de um acordo de paz, disse Trump, citado pelo Financial Times. As forças russas controlam atualmente a usina no sudeste da Ucrânia.

O presidente russo, Vladimir Putin, discursa em coletiva de imprensa anual de fim de ano em Moscou, Rússia, em 19 de dezembro de 2025. (Xinhua/Hao Jianwei)

A Rússia já deixou claro que rejeitará quaisquer emendas propostas pela Ucrânia ao plano de 28 pontos elaborado por Trump no outono, segundo a reportagem.

O encontro ocorreu um dia após um grande ataque com mísseis e drones da Rússia contra Kiev, que matou duas pessoas, feriu dezenas e deixou mais de um milhão de moradores da região sem energia elétrica e aquecimento em meio a temperaturas congelantes, disseram autoridades ucranianas.

Zelensky disse que cerca de 500 drones e 40 mísseis atingiram a capital ucraniana e seus arredores.

No mesmo dia, o prefeito de Moscou, Sergey Sobyanin, escreveu no Telegram que 21 drones que sobrevoavam Moscou foram destruídos.

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