* A IA física é uma transformação que está remodelando setores e exigindo uma colaboração global sem precedentes.
* Mais de 1.000 empresas de tecnologia chinesas participaram do evento, muitas apresentando modelos e plataformas fundamentais projetados para acelerar o desenvolvimento de sistemas de IA física, como robôs, carros autônomos ou bicicletas elétricas.
* Durante o evento, os participantes destacaram a forte cooperação internacional como um fator-chave para o avanço da IA, ao mesmo tempo em que mencionaram desafios paralelos no estabelecimento de padrões universais de confiança, segurança e eficiência energética.
Las Vegas, Estados Unidos, 9 jan (Xinhua) -- A transição da inteligência artificial de um conceito teórico para uma aplicação industrial generalizada foi o tema central da Feira de Eletrônicos de Consumo (CES, na sigla em inglês) 2026, com o surgimento da IA física marcando uma nova fase da evolução tecnológica.
Durante o evento, executivos de importantes empresas de tecnologia globais e chinesas se reuniram para examinar o potencial transformador e os desafios fundamentais da rápida integração da IA, destacando as contribuições e o papel colaborativo da China na reformulação das indústrias globais e do cotidiano.
IA FÍSICA
A IA física é uma transformação que está remodelando as indústrias e exigindo uma colaboração global sem precedentes. O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, apresentou o conceito em seu discurso de abertura, descrevendo-o como a próxima grande fase em que as máquinas começam a entender, raciocinar e agir no mundo físico. "O momento ChatGPT para a robótica", disse Huang.
Ele ressaltou a crescente importância da IA à medida que os países enfrentam a falta de mão de obra impulsionada pelo declínio demográfico e posicionou a plataforma Vera Rubin da NVIDIA como a base arquitetônica para a nova era.

Homem visita Feira de Eletrônicos de Consumo (CES, na sigla em inglês) 2026 em Las Vegas, Estados Unidos, em 7 de janeiro de 2026. (Foto de Zeng Hui/Xinhua)
Na segunda-feira, a NVIDIA anunciou novos modelos abertos, frameworks e infraestrutura de IA para IA física e apresentou robôs para diversos setores, desenvolvidos por parceiros globais.
As novas tecnologias da NVIDIA aceleram os fluxos de trabalho em todo o ciclo de desenvolvimento de robôs, impulsionando a próxima geração da robótica, incluindo a construção de robôs generalistas-especialistas capazes de aprender rapidamente diversas tarefas, segundo a empresa.
"O conjunto completo de processadores Jetson para robótica, CUDA, Omniverse e modelos abertos de IA física da NVIDIA capacita nosso ecossistema global de parceiros a transformar setores com robótica orientada por IA", disse Huang.
Yang Yuanqing, presidente e CEO da Lenovo, também discutiu o conceito de IA física na CES, observando que a ideia, amplamente debatida, se refere essencialmente a "máquinas com cérebros".
Com o rápido avanço das capacidades de IA, as máquinas estão começando a adquirir a capacidade de perceber, compreender e tomar decisões, disse ele.
Espera-se que os robôs não apenas substituam o trabalho físico humano, mas também assumam, potencialmente, algumas tarefas intelectuais no futuro, acrescentou ele, observando que a IA está impulsionando a transformação das máquinas, de "capazes de trabalhar" para "capazes de pensar e colaborar".
ROBÓTICA CHINESA
Mais de 1.000 empresas de tecnologia chinesas participaram do evento, muitas apresentando modelos e plataformas fundamentais projetados para acelerar o desenvolvimento de sistemas de IA física, como robôs, carros autônomos ou bicicletas elétricas.
No estande da Hisense, o robô companheiro Beta, equipado com um mecanismo de reconhecimento inteligente de IA de nova geração, realizava "patrulhas" contínuas, transmitindo imediatamente alertas e imagens em tempo real para a nuvem ao detectar intrusões ou trajetórias de movimento anormais.
Nas proximidades, o "braço robótico varredor" da Dreame Technology demonstrou destreza semelhante à humana, não apenas limpando pisos, mas também separando e organizando itens domésticos como brinquedos, meias e bolas de papel.
A Yarbo, empresa especializada em sistemas robóticos para manutenção de jardins, apresentou seu novo "Robô Modular para Jardim", que possui uma unidade central com múltiplos módulos intercambiáveis projetados para tarefas durante todo o ano, incluindo cortar grama, soprar folhas e remover neve.
"Este produto visa redefinir a vida ao ar livre e o jardim, simplificando tarefas árduas por meio da automação e da tecnologia de IA", disse à Xinhua, Huang Zhiliang, cofundador da Yarbo.
A startup BreakReal, com sede em Shanghai, chamou bastante atenção com seu "Bartender de IA" conversacional. Os usuários simplesmente descrevem seu humor ou preferências de sabor, e o sistema gera receitas em tempo real e direciona o hardware para fazer coquetéis personalizados.
A Segway, marca americana popular pertencente à empresa chinesa Ninebot, está lançando a quarta geração de seu cortador de grama robótico.

Visitantes observam área de exposição da Segway na Feira de Eletrônicos de Consumo (CES, na sigla em inglês) 2026 em Las Vegas, Estados Unidos, em 6 de janeiro de 2026. (Foto de Zeng Hui/Xinhua)
"Você não precisa mais delimitar o perímetro do seu quintal com arame nem definir os parâmetros de corte como faria com outros métodos", disse Zhao Wei, presidente da sede regional americana da Segway.
"Usando LiDAR, câmeras avançadas e outras tecnologias de posicionamento, baseadas em treinamento de IA, a nova linha de cortadores de grama robóticos pode determinar instantaneamente onde deve cortar a grama, além de evitar obstáculos e áreas como canteiros de flores, mesmo em ambientes mais escuros e sombreados", disse ele.
COLABORAÇÃO INTERNACIONAL
Durante o evento, os participantes destacaram a forte cooperação internacional como um fator-chave para o avanço da IA, ao mesmo tempo em que mencionaram desafios paralelos no estabelecimento de padrões universais de confiança, segurança e eficiência energética.
Jensen Huang, CEO da NVIDIA, destacou a cooperação da empresa com parceiros chineses e ligados à China em sua cadeia de suprimentos e ecossistema de construção de sistemas, observando que "todas as principais empresas de informática" sabem como construir esses sistemas.
Huang descreveu os empreendedores, engenheiros, tecnólogos e pesquisadores de IA chineses como "entre os melhores do mundo". Ele disse que o ecossistema tecnológico da China é "muito dinâmico" e apontou para o grande número de startups, incluindo aquelas que abriram capital e tiveram um bom desempenho, como prova de um mercado movimentado.

Homem joga xadrez contra robô com inteligência artificial na área de exposição da empresa chinesa SenseRobot, em um pré-evento da Feira de Eletrônicos de Consumo (CES, na sigla em inglês) 2026, em Las Vegas, Estados Unidos, em 5 de janeiro de 2026. (Foto de Zeng Hui/Xinhua)
A NVIDIA também anunciou uma parceria estratégica com a Siemens, revelando que a empresa alemã está usando a plataforma Omniverse da NVIDIA para desenvolver gêmeos digitais industriais.
À medida que a adoção da IA se acelera, um painel de discussão na CES sobre "Confiança e Diretrizes da IA" destacou os desafios críticos que devem ser abordados. Os participantes do painel enfatizaram que a confiança não deve ser tratada como um slogan, mas como "uma combinação de controle de dados, restrições operacionais, projeto de supervisão e mensuração".
Na área da saúde, o CEO da Abridge, Shiv Rao, descreveu a confiança como "requisito fundamental", pois o setor envolve riscos e regras rígidas, exigindo transparência, confiabilidade e credibilidade.
Os sistemas de dados corporativos apresentaram seus próprios desafios, observou Sridhar Ramaswamy, CEO da Snowflake, acrescentando que as empresas se preocupam com "onde os dados são tratados" e que as questões de soberania de dados podem exigir negociação.
O setor automotivo apresentou talvez os requisitos de segurança mais rigorosos, com Ola Kallenius, CEO do Grupo Mercedes-Benz, enfatizando que "a segurança exige um padrão mais elevado do que as ferramentas de IA para o consumidor" e que "a segurança rodoviária exige intolerância a erros".
As restrições energéticas foram outro desafio. A nova onda de data centers de IA exigirá grandes quantidades de eletricidade e "nada é mais importante" do que a eficiência energética, observou Huang.
(Repórteres de vídeo: Huang Heng, Tan Jingjing e Zeng Hui; edição de vídeo: Zhao Tianlin, Luo Hui, Zhang Yichi)


