Observatório Econômico: Indústria chinesa no Senegal muda de foco, passando de exportações para ancoragem local-Xinhua

Observatório Econômico: Indústria chinesa no Senegal muda de foco, passando de exportações para ancoragem local

2026-02-10 11:33:09丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada com celular em 5 de fevereiro de 2026 mostra funcionários em estande de uma empresa chinesa apresentando produtos aos visitantes na 11ª Exposição Internacional de Construção e Máquinas no Centro Internacional de Conferências Abdou Diouf, em Diamniadio, Senegal. Nos corredores lotados do Centro Internacional de Conferências Abdou Diouf, a cerca de 30 km de Dacar, capital do Senegal, os expositores chineses não dependem mais apenas das vendas por catálogo. Na 11ª Exposição Internacional de Construção e Máquinas e na 5ª Exposição Internacional de Eletricidade, Energia e Energias Renováveis, ambas realizadas de quinta a sábado, muitas empresas sinalizam um esforço para uma integração mais forte no cenário industrial da África Ocidental. (Xinhua/Chen Chen)

Diamniadio, Senegal, 8 fev (Xinhua) -- Nos corredores lotados do Centro Internacional de Conferências Abdou Diouf, a cerca de 30 km de Dacar, capital do Senegal, os expositores chineses não dependem mais apenas das vendas por catálogo.

Na 11ª Exposição Internacional de Construção e Máquinas e na 5ª Exposição Internacional de Eletricidade, Energia e Energias Renováveis, ambas realizadas de quinta a sábado, muitas empresas sinalizam um esforço para uma integração mais forte no cenário industrial da África Ocidental.

Nos estandes, diagramas de linhas de produção e planos de rede de pós-venda estão substituindo cada vez mais as simples listas de preços. De máquinas de construção a medidores inteligentes, as empresas chinesas estão reformulando sua abordagem em diversas frentes: produção local, cadeias de suprimentos mais flexíveis e serviços de ciclo de vida completo.

"FABRICADO LOCALMENTE" COMO COMPROMISSO DE CONFIABILIDADE

No setor de energia, a Livoltek, marca afiliada ao Grupo Hexing da China, ilustra essa mudança. Com o crescente interesse em energia solar, os compradores locais dizem que suas expectativas se tornaram mais específicas.

"Não olhamos mais apenas para o preço, mas também para a resistência dos equipamentos ao calor extremo e à corrosão causada pela maresia", disse Gaye Dieynaba, gerente de marketing da Zenil Energy, empresa senegalesa de produção de energia. Ela disse que os inversores e medidores chineses estão ganhando espaço graças à tecnologia mais madura e à compatibilidade com sistemas de monitoramento remoto.

A Hexing atribui esse desenvolvimento a uma compreensão cada vez mais detalhada das condições locais. "Cerca de 70% a 80% dos medidores residenciais no Senegal são baseados em nossas tecnologias", disse Lu Zhi, diretor de vendas da Hexing.

Para consolidar essa posição, a empresa passou a priorizar a produção local por meio de uma joint venture com a concessionária nacional de energia elétrica do Senegal, a SENELEC, no Parque Industrial de Diamniadio. O objetivo, segundo ele, é incorporar a tecnologia chinesa de forma mais sólida à infraestrutura de energia do país.

OFERTA "À LA CARTE"

Além da tecnologia, as incorporadoras imobiliárias destacam a adaptabilidade dos fornecedores chineses.

Ndongo Niang, diretor da SOCABEG, empresa senegalesa de construção e desenvolvimento imobiliário, comparou a abordagem chinesa a um serviço "à la carte".

"Seja para louças sanitárias de alta qualidade ou azulejos acessíveis, os fornecedores chineses adaptam as soluções a cada orçamento. Essa flexibilidade nos permite atender a todos os segmentos de clientes", disse ele.

Essa capacidade de personalizar produtos é acompanhada por uma reformulação mais ampla da presença física dos fabricantes chineses na África, à medida que as empresas buscam transformar a agilidade em uma vantagem competitiva duradoura.

Essa é a estratégia citada pelo China Lesso Group, um importante fabricante de tubos, que diz estar indo além dos embarques em contêineres para construir uma presença regional. Para Liu Xintao, gerente de vendas da empresa no Senegal, o desafio está em lidar com as restrições logísticas, juntamente com os requisitos de normas e conformidade.

Aproveitando as bases de produção já em operação em outros países africanos, como Tanzânia e Angola, o grupo está construindo uma rede geográfica destinada a atender a região em geral.

"Não estamos mais apenas vendendo tubos, estamos construindo um sistema de resposta rápida projetado para a complexidade dos mercados locais", disse Liu.

A mesma busca por proximidade é compartilhada por empresas menores e mais ágeis. De acordo com a Shandong Hungthai Metal Technology Co., Ltd., a empresa identificou o que chama de uma "economia de telhados" em expansão na África Ocidental.

Com as chapas de aço revestidas com tinta se tornando um material básico tanto para residências individuais quanto para armazéns industriais, a empresa planeja se aproximar dos canteiros de obras para "reduzir o raio logístico" e atender à crescente demanda urbana.

FIM DA ERA DO "SÓ CONTRATO"

A mudança mais visível talvez esteja no setor de caminhões pesados. Wang Yang, gerente da China Railway Seventh Group Co., Ltd., subsidiária da China Railway Group Limited, apresentou novos modelos da Sinotruk como símbolo da "segunda fase" da empresa no Senegal.

"Já em 2014, começamos a diversificar nossos negócios, deixando de focar apenas em contratos de engenharia", disse ele.

"Em 2025, as marcas chinesas conquistaram uma fatia dominante das importações de caminhões pesados ​​do Senegal, com a Sinotruk sozinha detendo quase 60% do mercado de veículos de carga pesada, de acordo com dados do setor", disse Wang, atribuindo o desempenho ao lançamento em Dacar de um modelo "4S": sales (vendas), spare parts (peças de reposição), service (serviços) e follow-up (acompanhamento), apoiado por oficinas de manutenção, estoques de peças e treinamento para motoristas locais.

A mudança, acrescentou ele, não se trata apenas de competitividade de preços, mas de um modelo de serviço reformulado. Em um mercado regional há muito moldado por cadeias de suprimentos de veículos usados, as marcas chinesas estão cada vez mais posicionando veículos novos com garantias estruturadas e suporte pós-venda.

"Sem serviço de pós-venda, um veículo é uma solução de curto prazo; com apoio total, você entra em uma parceria de longo prazo", disse Wang.

Ao manter uma presença contínua, as empresas chinesas disseram estar fortalecendo um ecossistema baseado na confiança e se integrando mais profundamente à modernização da infraestrutura e logística da África Ocidental.

Foto tirada com celular em 5 de fevereiro de 2026 mostra visitantes no estande da Livoltek, uma nova marca de energia afiliada ao Grupo Hexing da China, na 5ª Exposição Internacional de Eletricidade, Energia e Energias Renováveis, realizada no Centro Internacional de Conferências Abdou Diouf, em Diamniadio, Senegal. Nos corredores lotados do Centro Internacional de Conferências Abdou Diouf, a cerca de 30 km de Dacar, capital do Senegal, os expositores chineses não dependem mais apenas das vendas por catálogo.

Na 11ª Exposição Internacional de Construção e Máquinas e na 5ª Exposição Internacional de Eletricidade, Energia e Energias Renováveis, ambas realizadas de quinta a sábado, muitas empresas sinalizam um esforço para uma integração mais forte no cenário industrial da África Ocidental. (Xinhua/Chen Chen)

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