Beijing, 23 fev (Xinhua) -- Um quintal, algumas casas rurais, vários estudantes especialistas - as Residências de Ciência e Tecnologia, batizadas pelos agricultores, estão saindo das aldeias chinesas para o mundo, tornando-se um modelo inovador para a cooperação agrícola dos países do Sul Global, segundo reportagens do Diário do Povo e do Diário de Agricultores.
Desde que o programa das Residências de Ciência e Tecnologia agrícola foi lançado no exterior em 2019, a Universidade Agrícola da China (UAC) já estabeleceu 16 Residências de Ciência e Tecnologia internacionais em 13 países do mundo, cobrindo as regiões do Sudeste Asiático, África e América Latina, onde concentram-se os países do Sul Global, disse Zhang Fusuo, acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia e professor da UAC, durante o Fórum Internacional de Residências de Ciência e Tecnologia da Conferência Internacional de Cientistas de Sementes de Sanya 2026.
Zhang lembrou que sua equipe alugou, em 2009, um pátio nas áreas rurais do distrito de Quzhou, na Província de Hebei, norte da China, onde vivia e trabalhava junto com os agricultores locais, estabelecendo assim a primeira Residência de Ciência e Tecnologia agrícola da China.
Este modelo inovador, que integra inovação científica, serviços sociais e formação de talentos, quebrou as barreiras entre pesquisa e ensino e entre universidades e comunidades rurais. Desde então, o modelo proliferou-se rapidamente por toda a China, facilitando a popularização e aplicação generalizadas de um grande número de tecnologias agrícolas ecológicas e práticas, impulsionando significativamente a melhoria da qualidade e eficiência da produção agrícola.
Em 2018, a equipe de Zhang publicou um artigo sobre o modelo na revista Nature, atraindo a atenção internacional e marcando o início da expansão global do programa. O apoio de organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura acelerou a internacionalização do programa.
Em 2019, o primeiro lote de Residências de Ciência e Tecnologia foi estabelecido na África. A equipe de Zhang introduziu um modelo de treinamento prático "1+1+1" para estudantes internacionais: estudar conhecimentos profissionais na China no primeiro ano; retornar aos seus países de origem para fazer práticas nas Residências de Ciência e Tecnologia no segundo ano; e ir novamente à China para realizar revisão e aprimoramento sistemáticos no terceiro ano. Zhang acredita que esse modelo garante uma integração entre "aprender na China" e "aplicar localmente".
No Maláui, na África, a produção de milho de 90 famílias agrícolas locais aumentou diversas vezes já no primeiro ano do lançamento do projeto, resolvendo efetivamente o problema da subsistência e alimentação de 18 aldeias.
No subúrbio de Lusaka, capital da Zâmbia, as terras avermelhadas que eram áridas estão hoje cobertas por mudas de soja verdejantes. O especialista-chefe da Residência de Ciência e Tecnologia na Zâmbia e professor da Universidade Agrícola de Jilin, Wei Jianjiang, disse que quatro variedades de soja de alto rendimento e com resistência a estresses, selecionadas pela Residência de Ciência e Tecnologia de Soja da Zâmbia, aumentaram a produtividade nos campos experimentais em quase 40%.
As Residências de Ciência e Tecnologia no Brasil focam na mecanização da agricultura familiar. O programa Residências de Ciência e Tecnologia China-Brasil sobre Mecanização Agrícola Familiar foi lançado em novembro de 2024. Trinta e uma máquinas agrícolas foram aplicadas em uma área de quase mil hectares, auxiliando cerca de mil famílias de agricultores a reduzir em 80% o tempo de trabalho e cortar entre 60% e 80% os custos de produção.
Yang Minli, especialista-chefe do projeto no Brasil e professora da Faculdade de Engenharia da UAC, descreveu a Residência de Ciência e Tecnologia como "um amigo próximo que acompanha os pequenos agricultores brasileiros na melhoria de produção".
O lançamento das Residências de Ciência e Tecnologia no exterior também contribui para a internacionalização das empresas agrícolas chinesas. Com as Residências de Ciência e Tecnologia como plataforma, as empresas chinesas de máquinas agrícolas podem fornecer produtos adequados aos pequenos agricultores brasileiros que careciam de maquinários de pequeno e médio porte. Huang Weiwei, responsável do Grupo Zhejiang Sifang, disse que as Residências de Ciência e Tecnologia no Brasil conseguem fornecer às empresas informações mais verdadeiras e eficazes do que as pesquisas de mercado convencionais, além de auxiliá-las a se conectar com o governo local.
O modelo das Residências de Ciência e Tecnologia não se trata de uma simples cópia ao ser implementado no exterior, mas sim de uma inovação combinada com as condições locais, além de atender de forma precisa às demandas práticas dos pequenos agricultores dos países do Sul Global. Zhang Fusuo disse que uma cooperação agrícola científica e tecnológica eficaz não se limita a uma transferência técnica unidirecional, mas sim enfatiza a inovação conjunta e a adaptação local.
Zhang Fusuo acredita que, no futuro, o modelo das Residências de Ciência e Tecnologia, originário das áreas rurais da China, continuará a atuar como uma rede colaborativa aberta, compartilhando a experiência chinesa, oferecendo soluções chinesas e buscando inovação colaborativa para beneficiar mais países do Sul Global e se consolidar como um exemplo paradigmático da cooperação Sul-Sul.

