Rio de Janeiro, 23 fev (Xinhua) -- O Brasil consolidou sua posição como exportador de petróleo bruto em 2025, embora tenha mantido sua dependência de importações de derivados de petróleo, em meio à produção recorde de hidrocarbonetos, segundo análise divulgada nesta segunda-feira pelo Instituto de Estudos Estratégicos do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção total de petróleo e gás natural atingiu uma média de 4,89 milhões de barris de óleo equivalente por dia no ano passado, representando um aumento de 13,2% em comparação a 2024.
A produção diária de petróleo aumentou 12% em relação ao ano anterior, chegando a 3,7 milhões de barris por dia, enquanto o volume exportado representou 51% da produção total.
Segundo o boletim do Ineep, essa dinâmica revela uma "contradição estrutural" no setor energético brasileiro, que expande sua produção e exportação de petróleo bruto, mas continua dependente do fornecimento externo de combustíveis refinados.
O instituto enfatizou que a expansão da capacidade de refino nacional tornou-se um elemento estratégico para garantir maior autossuficiência no abastecimento interno e agregar valor ao petróleo produzido no país.
Ao longo de 2025, as exportações brasileiras de petróleo alcançaram 28 destinos, sendo a China a principal compradora, absorvendo 45% do volume total exportado, seguida pelos Estados Unidos com 10,8%, Espanha com 7,4%, Holanda com 7% e Índia com 4,4%.
No quarto trimestre do ano, 52,4% do petróleo produzido no Brasil foi destinado ao mercado internacional, consolidando o petróleo bruto como principal produto de exportação do país pelo segundo ano consecutivo, superando commodities tradicionais como soja e minério de ferro.
A produção de gás natural também registrou um aumento de 16,9% em 2025, atingindo 1,1 milhão de barris de óleo equivalente por dia, impulsionada pela entrada em operação de novas plataformas e pela expansão de unidades de produção existentes.
A camada pré-sal, em águas profundas do Oceano Atlântico, permaneceu como o principal motor de crescimento, respondendo por 79,6% da produção nacional de petróleo e gás, seguida pela camada pós-sal, com 15,4%, e pela produção em terra, que representou 4,9% do total.
A Bacia de Santos foi responsável por 78,2% da produção nacional no quarto trimestre de 2025, com uma média de quase 4 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
Nos números consolidados anuais, a Petrobras foi responsável por 89,9% da produção nacional de petróleo e gás em sua capacidade de operadora.

