Beijing, 10 mar (Xinhua) -- A China estabeleceu uma meta de crescimento econômico de 4,5% a 5% para 2026, visando um bom começo para o novo plano quinquenal que traça o caminho para um desenvolvimento de alta qualidade e oferece a tão necessária certeza para uma economia mundial conturbada.
As "duas sessões" de 2026 da China, reuniões anuais do mais alto órgão legislativo e do principal órgão consultivo político do país, mostram ao mundo que o desenvolvimento de alta qualidade continua no centro da estratégia econômica chinesa. Em meio ao aumento das incertezas externas, o país reafirma a confiança em sua trajetória de longo prazo, ancorada na resiliência econômica, impulsionada por novas forças produtivas de qualidade e acompanhada por uma abertura de alto nível que continua a gerar oportunidades compartilhadas.
Uma reportagem da Agência Brasil-China assinalou que, devido à escala da economia chinesa, à sua força e à sua ampla influência geopolítica, o que acontece na China tem impacto no cenário global. Como a China é o maior parceiro comercial do Brasil há 17 anos consecutivos, a trajetória da economia chinesa influencia diretamente o Brasil.
COMPROMISSO COM DESENVOLVIMENTO DE ALTA QUALIDADE
No dia de abertura da sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN), o primeiro-ministro, Li Qiang, disse no relatório de trabalho do governo que seguem inalteradas as condições que sustentam o crescimento positivo de longo prazo do país e a tendência fundamental de sua economia.
Apesar do aprofundamento do impacto das mudanças no ambiente externo, da alta dos riscos geopolíticos, da fraqueza da economia mundial e dos choques contra o multilateralismo e o livre comércio, a economia chinesa avançou sob pressão e demonstrou forte resiliência, disse ele.
No recém-concluído período do 14º Plano Quinquenal, a economia chinesa registrou um crescimento médio anual de 5,4%, bem acima da média mundial, e respondeu por cerca de 30% do crescimento econômico global.
Com base nesses avanços, um novo plano de desenvolvimento até 2030 começa a ganhar forma, delineando o desenvolvimento de alta qualidade da China para os próximos cinco anos.
Trata-se de uma etapa crucial da modernização chinesa, marcada por investimentos em tecnologias de fronteira, pelo aprofundamento dos laços comerciais e de investimento e pelo avanço do desenvolvimento verde.
Como primeiro ano do novo plano quinquenal, 2026 terá uma meta projetada de crescimento econômico de 4,5% a 5%, com a busca de resultados melhores na prática.
Shen Danyang, chefe do grupo responsável pela elaboração do relatório de trabalho do governo deste ano, disse que a meta de crescimento econômico da China para 2026 é proativa e pragmática, refletindo uma avaliação ampla das condições internas e das mudanças no ambiente externo,
Zhang Ying, vice-diretora da Escola de Administração Guanghua da Universidade de Peking, disse que o sinal transmitido por essa meta à comunidade internacional é claro: a China já não busca apenas a velocidade de crescimento, e o objetivo reflete o firme compromisso do país com o desenvolvimento de alta qualidade.
NOVAS FORÇAS PRODUTIVAS DE QUALIDADE IMPULSIONADAS PELA INOVAÇÃO
As novas forças produtivas de qualidade, um dos conceitos econômicos em destaque nas "duas sessões" deste ano e no novo plano quinquenal da China, concentram-se na modernização industrial e no aumento da produtividade por meio da inovação e dos avanços tecnológicos, como parte importante do desenvolvimento de alta qualidade do país.
A China fez progressos de liderança mundial na pesquisa e aplicação de inteligência artificial (IA), biomedicina, robótica e tecnologia quântica. De 2026 a 2030, o país desenvolverá vigorosamente novos motores de crescimento, como tecnologia quântica, biomanufatura, hidrogênio verde, energia de fusão nuclear, interfaces cérebro-computador, inteligência incorporada e comunicações móveis 6G.
A China também avançará neste ano no desenvolvimento de seis indústrias-pilares emergentes, incluindo circuitos integrados, aviação e aeroespacial, biomedicina, economia de baixa altitude, novos tipos de armazenamento de energia e robôs inteligentes.
Zheng Shanjie, chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, disse que esses setores, cujo valor total se aproximou de 6 trilhões de yuans no ano passado, deverão ultrapassar 10 trilhões de yuans (US$ 1,45 trilhão) em 2030. Ele acrescentou que as tecnologias de IA estão sendo rapidamente adotadas em todos os setores e desempenharão papel fundamental no desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade.
Hu Jinbo, conselheiro político nacional, disse que os próximos cinco anos serão uma janela crucial para a transição da China do crescimento rápido para o desenvolvimento de alta qualidade, com a inovação científica e tecnológica como motor central dessa transformação.
Paula Silva de Carvalho, professora e pesquisadora do Instituto de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que a China criou um ambiente propício à inovação das empresas, formando um ecossistema completo que favorece o desenvolvimento de tecnologias.
"A China está cada vez mais produzindo e fabricando produtos de alta qualidade, com alto teor tecnológico, e os incentivos continuam nessa direção", disse ela.
ABERTURA AO MUNDO E GERADORA DE OPORTUNIDADES COMPARTILHADAS
O ministro do Comércio da China, Wang Wentao, disse em uma coletiva de imprensa que o país vai promover neste ano o crescimento equilibrado do comércio, estabilizar as exportações e, ao mesmo tempo, compartilhar mais oportunidades no mercado doméstico.
A China já é o segundo maior mercado importador do mundo, e o desenvolvimento de alta qualidade, ao impulsionar a expansão contínua do grupo de renda média, indica que a demanda por importações ainda tem amplo espaço para crescer.
Num momento em que alguns países usam seus mercados como instrumento de negociação, a China está ampliando ativamente sua abertura e transformando seu vasto mercado em oportunidades de cooperação, disse Wang.
Segundo ele, o país vai importar mais produtos agrícolas, bens de consumo de qualidade, equipamentos avançados e componentes essenciais, além de ampliar o acesso ao mercado de serviços.
Uma China mais aberta significa maiores oportunidades de mercado. Atualmente, o país é o principal parceiro comercial de mais de 160 países e regiões. Em 2025, as importações chinesas somaram 18,48 trilhões de yuans, mantendo a China, pelo 17º ano consecutivo, como o segundo maior mercado importador do mundo, com participação global em torno de 10%.
Samuel Spellmann, professor e coordenador do Curso de Especialização em China Contemporânea da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, disse que a mensagem central da política de abertura da China é "oportunidade compartilhada e crescimento mútuo", posicionando o país como uma força para a criação de resultados "ganha-ganha".
A imagem projetada pela China é a de "um parceiro confiável e previsível, disposto a usar as vantagens de seu vasto mercado para compartilhar oportunidades com o mundo", disse ele.

