Destaque: Peso da segurança – O trabalho de uma conselheira chinesa de segurança da ONU-Xinhua

Destaque: Peso da segurança – O trabalho de uma conselheira chinesa de segurança da ONU

2026-03-11 13:59:43丨portuguese.xinhuanet.com

Shen Lihong fala durante uma entrevista com a Xinhua em Acra, Gana, em 4 de março de 2026. (Xinhua/Tian Sha)

Por Gao Jianfei e Justice Lee Adoboe

Acra, 9 mar (Xinhua) – "Trabalhar por muito tempo em zonas de conflito proporciona uma compreensão mais clara do peso da segurança", disse Shen Lihong. "Não é um conceito abstrato, é o pré-requisito para que as pessoas vivam em paz".

Shen é conselheira de segurança e representante do Departamento de Segurança e Proteção das Nações Unidas em Gana, Libéria e Serra Leoa, sendo a primeira cidadã chinesa e a primeira mulher chinesa a ocupar esse cargo.

Ela ingressou no sistema da ONU em 2007, após um rigoroso processo seletivo, usando suas sólidas habilidades profissionais e fluência em inglês.

Desde então, Shen trabalhou em mais de 10 países e regiões, incluindo Sudão e Líbano, protegendo a segurança do pessoal da ONU em alguns dos ambientes mais desafiadores e perigosos.

Sua experiência em zonas de conflito a fez entender que, sem segurança, não há desenvolvimento, disse Shen à Xinhua em entrevista recente.

Como parte de sua rotina diária, ela realiza avaliações de risco, monitora situações políticas e tendências sociais e identifica sinais de alerta precoce.

Shen estava no primeiro grupo de policiais chineses da ONU e foi enviada para a área da missão na Libéria em 2005.

"Eu queria ver um mundo diferente e também esperava fazer algo pelas pessoas em países afetados pela pobreza e por conflitos", disse ela.

Ser oficial de segurança significa enfrentar o perigo constantemente, disse Shen.

Em abril de 2019, com a escalada do conflito na Líbia, Shen vivenciou uma missão de evacuação assustadora. O secretário-geral da ONU, António Guterres, havia acabado de concluir uma visita à Líbia quando forças alinhadas ao "Exército Nacional Líbio", baseadas no leste do país, se aproximaram da capital.

Uma bomba caiu a apenas 50 metros do complexo da ONU. Naquela noite, Shen recebeu uma missão urgente: liderar a equipe de evacuação de 80 funcionários internacionais.

Na manhã seguinte, ela liderou um comboio de 23 veículos blindados, escoltado por colegas armados da segurança da ONU, atravessando zonas de conflito ativo para chegar à Tunísia.

"Foi uma jornada imprevisível", disse Shen. "Cada decisão era uma questão de vida ou morte". Ela só ficou aliviada quando todos chegaram em segurança.

Seus outros colegas não tiveram a mesma sorte.

No início de agosto de 2019, apenas uma semana após sua transferência da Líbia para a Etiópia, três agentes de segurança da ONU foram mortos em um ataque em Benghazi.

"A sensação de perder colegas é eterna. Isso nos lembra que o trabalho de segurança nunca é abstrato", disse Shen.

Após o início da pandemia de COVID-19 em 2020, a Etiópia enfrentou uma grave escassez de máscaras. Shen participou da coordenação da entrega de suprimentos de ajuda, incluindo máscaras. A Missão da China junto à União Africana e a Embaixada da China na Etiópia doaram suprimentos para prevenção de epidemias a hospitais da ONU na Etiópia, ajudando a proteger a saúde do pessoal da ONU naquele país.

"Após trabalhar em missões de paz em locais extremamente pobres e perigosos, consigo  trabalhar em qualquer lugar. Inclusive aguentar a solidão, ser resiliente e encontrar soluções em circunstâncias desafiadoras", disse ela. "Essa experiência ajudou muito a ajustar minha mentalidade e ter um espírito resiliente".

Mas, trabalhando na área de segurança internacional como mulher chinesa, "também tenho consciência de que carrego uma responsabilidade especial", disse ela.

"Não é apenas uma escolha de carreira pessoal. Isso também demonstra que as mulheres chinesas são capazes de participar da governança da segurança global. Reflete também a contribuição positiva da China no sistema da ONU", disse ela.

Em todo o mundo, mais de 1.200 mulheres chinesas atuam em missões de paz em áreas como apoio médico, contato e coordenação, desminagem e desativação de explosivos, patrulha e observação, além de promover a igualdade de gênero e a proteção das mulheres.

Shen Lihong (à esquerda, frente) visita campo de treinamento para manutenção da paz em Gana, em 2025. (Xinhua)

Foto tirada em 2006 mostra Shen Lihong (2ª à esquerda) servindo como policial em uma missão de paz na Libéria. (Xinhua)

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com