Rio de Janeiro, 14 abr (Xinhua) -- O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira um acordo de cooperação em inteligência artificial com entidades nacionais e a empresa chinesa iFlytek, com o objetivo de desenvolver suas próprias capacidades tecnológicas e fortalecer a soberania digital do país.
O acordo envolve o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a empresa chinesa, e faz parte da cooperação estratégica entre Brasil e China em ciência e tecnologia.
Segundo o ministro interino do MCTI, Luis Fernandes, a iniciativa responde à crescente centralidade da inteligência artificial no desenvolvimento global. Ele alertou que os países que não desenvolverem suas próprias capacidades nessa área correm o risco de depender de tecnologias externas, em um contexto em que o acesso pode ser restrito.
O acordo estabelece diretrizes para cooperação em pesquisa, desenvolvimento e capacitação, com ênfase em modelos de linguagem adaptados ao português brasileiro, sistemas de tradução, ferramentas de acessibilidade, segurança cibernética e soluções voltadas para a infraestrutura nacional de inteligência artificial.
O Serpro será responsável pela execução técnica do projeto, dada a sua função na operação da infraestrutura e dos sistemas de dados públicos que dão suporte a serviços essenciais do Estado. Seu presidente, Wilton Mota, destacou que a agência já possui mais de 300 soluções baseadas em inteligência artificial, que servirão de base para a expansão do uso dessa tecnologia na administração pública.
Além do desenvolvimento tecnológico, o protocolo inclui a criação de infraestrutura nacional, incluindo data centers, serviços de nuvem seguros e plataformas interoperáveis, bem como programas de capacitação especializada por meio de intercâmbios, cursos e bolsas de estudo.
A Casa Civil do governo brasileiro participou da elaboração do acordo, buscando alinhar a iniciativa a outras estratégias de desenvolvimento produtivo e inovação.
Internacionalmente, a cooperação com a China fortalece uma agenda bilateral já existente em ciência e tecnologia. O vice-presidente da iFlytek, Ji Lin, afirmou que a parceria acelerará o desenvolvimento de soluções e expandirá a pesquisa conjunta em inteligência artificial.
O acordo também conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, que enfatizou a importância do fortalecimento das capacidades em toda a cadeia de valor da inteligência artificial, além da IA generativa.
As autoridades brasileiras enfatizaram que o objetivo não é apenas utilizar as tecnologias existentes, mas dominar todo o ciclo de desenvolvimento, desde a gestão de dados até a implementação em ambientes operacionais, a fim de garantir que a inteligência artificial sirva ao Estado e ao seu povo.

