Para onde caminham as negociações entre EUA e Irã após a prorrogação do cessar-fogo?-Xinhua

Para onde caminham as negociações entre EUA e Irã após a prorrogação do cessar-fogo?

2026-04-24 13:36:29丨portuguese.xinhuanet.com

Foto tirada em 20 de abril de 2026 mostra interior do Palácio Golestan danificado pelos ataques dos EUA e de Israel, em Teerã, Irã. (Xinhua/Shadati)

"Honrar os compromissos é a base de um diálogo significativo", escreveu o presidente iraniano Masoud Pezeshkian em uma publicação na plataforma X na segunda-feira. Ele disse que persiste uma profunda desconfiança em relação à conduta dos EUA no Irã, com "sinais contraditórios e pouco construtivos" de autoridades americanas sugerindo que buscam a rendição do Irã.

Washington, 22 abr (Xinhua) -- O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na terça-feira que estenderá o cessar-fogo com o Irã a pedido do Paquistão, mas não especificou uma data de término.

Embora a medida seja bem-vinda, ainda não gerou impulso para o diálogo. O Irã deixou claro que não participará de uma nova rodada de negociações a menos que Trump suspenda o bloqueio à entrada e saída de navios dos portos iranianos no Estreito de Ormuz. O contraste entre um cessar-fogo prolongado e a diplomacia paralisada ressalta a fragilidade da situação atual.

Nesse contexto, surgem várias questões importantes: Por que Teerã se recusa a participar das negociações? Qual é a verdadeira intenção de Washington ao estender o cessar-fogo enquanto mantém a pressão? E para onde a situação pode se encaminhar?

POR QUE O IRÃ SE RECUSA A NEGOCIAR?

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na segunda-feira que o Irã não tem, no momento, planos para uma segunda rodada de negociações de paz com os Estados Unidos.

A presença de Teerã depende do cumprimento de pré-condições por Washington, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, citando o bloqueio naval dos EUA e as "exigências excessivas" como principais obstáculos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, disse na segunda-feira que as "ações provocativas" e as violações do cessar-fogo dos EUA são grandes obstáculos à continuidade das negociações de paz entre os dois países.

Os Estados Unidos tomam atitudes que não demonstram, de forma alguma, a seriedade de seu compromisso com o processo diplomático, disse Baghaei, observando que, desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril, "enfrentamos o descumprimento de promessas e a insistência dos Estados Unidos".

Ele também mencionou um ataque contra um navio comercial iraniano no início do dia, que, segundo ele, também é considerado uma violação do cessar-fogo.

Baghai disse que, de acordo com as resoluções da Assembleia Geral da ONU, o bloqueio dos mares e portos de um país é um ato de agressão. Ele disse que o Irã decidirá cuidadosamente como proceder, com base em um único princípio orientador: a proteção dos interesses da nação iraniana. Ele disse que a questão da transferência do urânio enriquecido do Irã nunca foi uma opção em nenhuma das negociações, enfatizando a importância de o Irã manter suas conquistas nucleares, industriais e científicas.

Foto de arquivo tirada em 19 de fevereiro de 2025 mostra o Estreito de Ormuz. (Xinhua/Wang Qiang)

QUAL É A VERDADEIRA INTENÇÃO DE WASHINGTON?

A decisão dos EUA de estender o cessar-fogo indefinidamente foi amplamente interpretada como uma tentativa de preservar uma janela diplomática, mas analistas alertam que ela também serve a propósitos estratégicos mais amplos.

"Trump... continua ansioso por uma solução diplomática para a guerra, receoso de reacender um conflito impopular que ele alega que os Estados Unidos já venceram", noticiou o canal americano de notícias CNN na quarta-feira.

No entanto, os Estados Unidos não reduziram sua presença militar na região. Diversos veículos de comunicação noticiaram que os destacamentos navais e as atividades de vigilância dos EUA no Golfo foram mantidos, e até intensificados, durante o cessar-fogo, sugerindo pressão contínua e a manutenção das opções militares.

Os Estados Unidos devem mobilizar três grupos de ataque de porta-aviões simultaneamente no Oriente Médio nos próximos dias, informou a rede americana de televisão NBC na segunda-feira.

O Exército dos EUA continuará o bloqueio contra o Irã e "permanecerá pronto e apto", disse Trump na terça-feira, embora o Chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, tenha dito que o bloqueio dos portos iranianos continuaria sendo um grande obstáculo para um progresso diplomático significativo.

Nesse sentido, a prorrogação do cessar-fogo é menos um passo definitivo rumo à paz do que uma manobra tática para ganhar tempo tanto para a negociação quanto para o planejamento de contingência.

Foto tirada em 18 de abril de 2026 mostra vista da Casa Branca em Washington, D.C., Estados Unidos. (Xinhua/Li Rui)

PARA ONDE SE ENCAMINHAM AS NEGOCIAÇÕES ENTRE EUA E IRÃ?

"A prorrogação do cessar-fogo de Trump não significa nada", disse Mahdi Mohammadi, assessor do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, que liderou a delegação iraniana de negociação.

"O lado perdedor não pode ditar as regras. A continuação do cerco não é diferente de um bombardeio e deve ser respondida com uma resposta militar", acrescentou ele.

Araghchi disse na segunda-feira que o Irã decidirá se continuará a diplomacia com base em "todos os aspectos da questão" e no comportamento dos EUA, acrescentando que Teerã tomará medidas para proteger seus interesses e sua segurança nacional.

"Honrar os compromissos é a base de um diálogo significativo", escreveu o presidente iraniano Masoud Pezeshkian em uma publicação na plataforma X na segunda-feira. Ele disse que persiste uma profunda desconfiança em relação à conduta dos EUA no Irã, com "sinais contraditórios e pouco construtivos" de autoridades americanas sugerindo que buscam a rendição do Irã.

Apesar dos obstáculos significativos, um funcionário americano disse que ainda há uma chance de que negociadores dos EUA e do Irã se encontrem em breve, embora a ocorrência e a data dessas conversas estejam longe de ser certas, de acordo com reportagens da CNN.

"A questão agora não é se a diplomacia falhou, mas se ambos os lados estão dispostos a continuar tentando apesar desse fracasso", disse um artigo de análise publicado pela Geojuristoday, um think tank apartidário com sede em Nova Délhi.

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