Por que as perspectivas de cessar-fogo continuam sombrias enquanto o conflito entre Rússia e Ucrânia se arrasta-Xinhua

Por que as perspectivas de cessar-fogo continuam sombrias enquanto o conflito entre Rússia e Ucrânia se arrasta

2026-04-26 13:31:45丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas aguardam libertação de parentes em um hospital no norte da Ucrânia, em 11 de abril de 2026. (Foto de Peter Druk/Xinhua)

No cerne do impasse diplomático está um choque fundamental de objetivos. A Ucrânia insiste que qualquer acordo deve restaurar sua integridade territorial e fornecer garantias de segurança vinculativas para evitar futuras agressões. A Rússia, por sua vez, busca o reconhecimento de ganhos territoriais e uma mudança fundamental na orientação geopolítica da Ucrânia.

Moscou, 24 abr (Xinhua) -- Mais de quatro anos após o início do conflito russo-ucraniano, os esforços diplomáticos para acabar com ele continuam insuficientes.

Mesmo com a retomada intermitente das negociações e com as potências externas empenhadas em alcançar um cessar-fogo duradouro, isso permanece inatingível. As razões residem menos na dinâmica do campo de batalha do que no crescente abismo político entre Moscou e Kiev, e entre seus apoiadores internacionais.

No cerne do impasse diplomático está um choque fundamental de objetivos. A Ucrânia insiste que qualquer acordo deve restaurar sua integridade territorial e fornecer garantias de segurança vinculativas para prevenir futuras agressões. A Rússia, por sua vez, busca o reconhecimento de suas conquistas territoriais e uma mudança fundamental na orientação geopolítica da Ucrânia.

As recentes rodadas de negociações, incluindo reuniões trilaterais mediadas pelos EUA em Abu Dhabi e em Genebra, evidenciaram essa divisão em vez de solucioná-la. Questões territoriais, particularmente sobre as regiões leste e sul, continuam sendo o principal ponto de discórdia, sem que nenhum dos lados esteja disposto a ceder.

Tréguas curtas, como o breve cessar-fogo da Páscoa no início deste mês, ressaltaram a falta de confiança. Essas pausas repetidamente não se traduziram em uma desescalada mais ampla, refletindo a busca contínua por influência militar por ambos os lados.

DIPLOMACIA PARALISADA

Os esforços para reativar as negociações de paz também foram complicados pela mudança nas prioridades globais desde o início da guerra com o Irã. As conversas trilaterais entre Kiev, Moscou e Washington, que já haviam apresentado poucos resultados, estão congeladas desde fevereiro de 2026.

Foto tirada em 17 de fevereiro de 2026 mostra local das conversas trilaterais entre Ucrânia, Estados Unidos e Rússia em Genebra, Suíça. (Foto de Beatrice Devenes/Ministério Federal Suíço das Relações Exteriores/Divulgação via Xinhua)

Os Estados Unidos, mediador fundamental e maior apoiador militar da Ucrânia, têm enfrentado demandas conflitantes de política externa, já que a guerra com o Irã desviou sua atenção e seus recursos.

Relatórios recentes indicam que questões relativas aos compromissos dos EUA com garantias de segurança de longo prazo para a Ucrânia ressurgiram, gerando dúvidas em Kiev e nas capitais europeias sobre o foco estratégico de Washington. Ao mesmo tempo, autoridades russas expressaram ceticismo quanto à confiabilidade dos EUA como parceiro de negociação, corroendo ainda mais a confiança nas conversas.

Essa erosão da confiança tornou até mesmo acordos preliminares difíceis de manter, quanto mais alcançar um quadro de paz abrangente.

ATRITOS INTERNOS NA EUROPA

As divisões dentro da aliança ocidental viraram outro grande obstáculo. Embora a União Europeia tenha reafirmado seu apoio, aprovando um empréstimo de 90 bilhões de euros (106 bilhões de dólares americanos) para a Ucrânia e novas sanções contra a Rússia, persistem divergências internas sobre financiamento, política energética e estratégia de longo prazo.

Alguns governos europeus pressionaram para manter ou mesmo aumentar a pressão sobre Moscou, argumentando que as negociações só devem prosseguir a partir de uma posição de força. Outros, enfrentando dificuldades econômicas e pressões políticas internas, demonstraram maior abertura para explorar opções de cessar-fogo.

As divergências com Washington também se tornaram mais visíveis. Analistas observam que a Europa está cada vez mais cautelosa com qualquer pressão dos EUA por uma solução rápida que possa comprometer a posição da Ucrânia, particularmente se envolver concessões territoriais.

Apesar dessas divisões, o apoio ocidental à Ucrânia permanece substancial. O mais recente pacote financeiro plurianual da UE visa cobrir uma parcela significativa das necessidades orçamentárias e de defesa de Kiev, embora as autoridades reconheçam que ainda fica aquém do necessário para sustentar o esforço de guerra.

Ao mesmo tempo, disputas sobre o fornecimento de energia e medidas econômicas dentro da Europa, incluindo tensões anteriores envolvendo interrupções em oleodutos, expuseram vulnerabilidades na coesão da aliança.

Esses atritos têm implicações que vão além da economia. Eles sinalizam para Moscou que a unidade ocidental não é absoluta, reforçando potencialmente o cálculo do Kremlin de que o tempo está a seu favor.

Homem observa prédio residencial danificado após ataque maciço com drones e mísseis da Rússia, em Kiev, Ucrânia, em 9 de janeiro de 2026. (Xinhua/Li Dongxu)

PERSPECTIVAS SOMBRIAS

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse na quarta-feira que Kiev está aberta a se reunir com representantes russos “em qualquer formato, a qualquer momento”, desde que o local não seja na Rússia ou em Belarus. Ele pediu a retomada das negociações trilaterais, dizendo que a Ucrânia está preparada para se engajar sem pré-condições quanto a prazo ou formato.

A Rússia, no entanto, adotou um tom mais cauteloso. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse em 18 de abril, no Fórum de Diplomacia de Antalya, na Turquia, que as negociações com a Ucrânia não são a principal prioridade de Moscou. Ainda assim, Lavrov disse que a Rússia vê com bons olhos a possibilidade de retomar as negociações em Istambul, sugerindo certa abertura para um diálogo renovado.

A Turquia intensificou seus esforços de mediação. O presidente Recep Tayyip Erdogan disse ao secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que Ancara está trabalhando para retomar as negociações a pedido de Kiev e pretende aproximar os dois lados em conflito em nível de liderança, disse a presidência turca na quarta-feira.

Apesar dessas iniciativas diplomáticas, ainda existem lacunas substanciais. A Ucrânia argumenta que o congelamento da atual linha de frente poderia servir como a base mais realista para um cessar-fogo. A Rússia, por outro lado, insistiu na retirada das forças ucranianas de partes da região de Donbas como condição prévia para qualquer acordo, uma exigência que Kiev rejeitou firmemente.

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