(Multimídia) China acelera desenvolvimento da robótica para aplicações em cenários reais-Xinhua

(Multimídia) China acelera desenvolvimento da robótica para aplicações em cenários reais

2026-05-01 16:08:15丨portuguese.xinhuanet.com
O robô humanoide "Flash", da equipe Qitiandasheng, na categoria autônoma, corre durante a meia maratona de robôs humanoides de Beijing E-Town na Área de Desenvolvimento Econômico-Tecnológico de Beijing, no sudeste da capital chinesa, em 19 de abril de 2026. (Xinhua/Luo Yuan)

   Beijing, 1º mai (Xinhua) -- Na meia maratona 2026 de Beijing E-Town, realizada em 19 de abril, em Beijing, capital da China, o robô humanoide "Flash", da Shenzhen Honor Smart Technology Development Co., Ltd., completou a prova em 50 minutos e 26 segundos, em modo de navegação autônoma, terminando à frente dos corredores humanos.

   O contraste com o ano passado foi evidente. Na primeira meia maratona de E-Town de Beijing em 2025, o robô humanoide "Tiangong Ultra" conquistou a vitória em duas horas, 40 minutos e 42 segundos, e apenas seis das 20 equipes participantes completaram o percurso. Em apenas um ano, muitos competidores passaram de buscar apenas completar a prova para mirar velocidades próximas ao limite humano.

   O desempenho na pista não é o objetivo final. O evento serve como uma janela para observar capacidades que poderão ser transferidas para fábricas, inspeções, logística, serviços urbanos e outros cenários reais.

   A corrida terminou, mas a entrada dos robôs humanoides nos cenários reais está apenas começando. Para especialistas do setor, o objetivo da robótica não deve ser simplesmente substituir a mão de obra humana, mas também assumir tarefas que as pessoas não estão dispostas a realizar, especialmente tarefas repetitivas, perigosas, de alta precisão ou realizadas em ambientes complexos.

   Nessas aplicações, as empresas não compram robôs por novidade ou apelo tecnológico. Elas os avaliam por critérios diretos e pragmáticos: quantas inspeções conseguem realizar por dia, qual é a precisão de seus sistemas de reconhecimento e com que frequência apresentam falhas. Segundo Li Chao, cofundador e diretor de tecnologia da Deep Robotics, os clientes industriais estão mais preocupados em saber se os robôs realmente resolvem os problemas práticos.

   A AgiBot, uma das principais empresas chinesas de robótica, mostrou outra forma de validar a tecnologia: a produção industrial. Embora não tenha participado da meia maratona, a empresa demonstrou sua precisão em ambiente fabril. A empresa transmitiu ao vivo seu robô, AgiBot G2, trabalhando durante um turno de oito horas em uma linha de montagem de tablets. A demonstração faz parte dos esforços mais amplos da China para integrar a inteligência artificial à manufatura.

   "Os robôs humanoides não correm apenas por correr", afirmou Liang Liang, vice-secretário-geral do Instituto Chinês de Eletrônica, acrescentando que o objetivo da corrida é identificar equipes de engenharia de destaque, estimular a competição tecnológica e, assim, reduzir a distância entre essa tecnologia e o mercado.

   Essa combinação de competição tecnológica e aplicação real tem levado os robôs chineses a avançar rumo a uma robustez mais prática. Cada vez mais robôs operam em ambientes reais, gerando dados valiosos ao mesmo tempo que realizam trabalhos úteis.

   Como importante polo de inovação científica e tecnológica no sul da China, Shenzhen já colocou robôs humanoides em aplicações reais em múltiplos cenários, incluindo orientação do trânsito nas ruas e serviços domésticos. Essas aplicações permitem que os robôs realizem tarefas concretas e acumulem dados de alto valor em ambientes abertos e complexos.

   Nos últimos anos, a China tem dado ênfase à autossuficiência científica e tecnológica e ao planejamento prospectivo de indústrias emergentes, considerando a indústria robótica uma fronteira importante para ocupar posições de liderança nas tecnologias do futuro.

   O 15º Plano Quinquenal da China (2026-2030) incorporou o setor ao desenvolvimento de indústrias estratégicas centrais. Ao mesmo tempo, os governos locais intensificaram medidas específicas para acelerar a passagem da pesquisa de laboratório às aplicações em cenários reais.

   Li Yechuan, engenheiro-chefe do Departamento Municipal de Economia e Informatização de Beijing, afirmou que as medidas de apoio da China já vão além de financiamento, talentos e planejamento espacial, passando também pela criação de um ambiente mais favorável à inovação.

   Em fevereiro deste ano, a China divulgou o primeiro sistema nacional de padrões do país que cobre toda a cadeia industrial e todo o ciclo de vida dos robôs humanoides e da inteligência artificial incorporada, marcando um passo importante para normatizar sua indústria de robôs humanoides, que cresce rapidamente.

   Segundo o Ministério da Indústria e Informatização da China, o ano de 2025 é considerado o primeiro ano da produção em massa de robôs humanoides no país. Mais de 140 fabricantes chineses lançaram mais de 330 modelos diferentes. O novo sistema de padrões deverá oferecer orientações importantes para essa indústria em rápida expansão, promovendo seu desenvolvimento de alta qualidade por meio dos requisitos técnicos padronizados e protocolos de segurança.

   Clusters industriais de robôs humanoides com características próprias estão tomando forma nas várias regiões da China. As regiões do Delta do Rio Yangtzé e do Delta do Rio das Pérolas, aproveitando suas vantagens nas indústrias mecânica e de eletrônica, tornaram-se polos importantes do setor. O Delta do Rio Yangtzé reúne numerosos fabricantes de corpos de robôs e empresas de componentes, enquanto o Delta do Rio das Pérolas tem atraído empresas inovadoras.

   Segundo a empresa de pesquisa de mercado International Data Corporation (IDC), as remessas globais de robôs humanoides deverão ultrapassar 510 mil unidades até 2030, o que implica uma taxa média anual composta de crescimento próxima de 95%.

   A indústria global de robôs humanoides passa por um período de rápida expansão. Analistas do Citi preveem que o mercado poderá atingir US$ 7 trilhões até 2050. Espera-se que a China, que já é um ator importante nesse setor, conquiste uma participação significativa.

   Além dos humanoides, empresas chinesas de robótica de serviço também aceleram sua presença no exterior. Em Shenzhen, a Pudu Robotics atende clientes em mais de 80 países e regiões, com remessas acumuladas globais superiores a 120 mil unidades. Segundo a empresa, o mercado externo respondeu por mais de 80% de sua receita total por vários anos consecutivos, e seus robôs comerciais de limpeza são bem recebidos na Europa, na América do Norte e na Ásia.

   Da pista da meia maratona às linhas de produção, dos laboratórios às ruas das cidades, os robôs chineses estão entrando em cenários cada vez mais diversos. Com os apoios de políticas, as empresas inovadoras e os vastos campos de aplicação, a indústria robótica da China avança para uma nova fase, na qual a inteligência incorporada deixa de ser apenas um conceito de laboratório e passa a integrar a transformação produtiva do país.

Uma treinadora supervisiona o treinamento de um robô humanoide em um cenário de limpeza doméstica em um centro de treinamento de dados para IA incorporada no distrito de Pingyin, na Província de Shandong, no leste da China, em 21 de abril de 2026. (Xinhua/Guo Xulei)
Um funcionário depura um robô humanoide em uma empresa de robótica em Shenzhen, na Província de Guangdong, sul da China, em 25 de junho de 2025. (Xinhua/Li An)

 

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