Beijing, 4 mai (Xinhua) -- Suspensa em uma face de penhasco com mais de 200 metros de altura, uma cafeteria nas densas florestas do distrito de Libo, na Província de Guizhou, no sudoeste da China, serve café de alta qualidade, mas apenas àqueles que se atrevem a escalar.
David Geary, um jovem britânico e entusiasta do café, vive em Guiyang, na capital de Guizhou, há mais de uma década. Durante as férias de verão de 2025, ele foi experimentar o café. Após meia hora de caminhada e prática de via ferrata, alcançou a plataforma de madeira da cafeteria. Mesmo com medo de altura, Geary adorou a experiência, dizendo que foi uma experiência excepcionalmente boa.
Hoje, Guizhou passou a ser uma região cada vez mais conhecida e popular entre os visitantes estrangeiros na China.
Nos últimos três meses até 25 de março de 2026, o número total de turistas da América Latina que visitaram Guizhou aumentou mais de 17% em termos anuais, segundo dados divulgados pela Ctrip, principal plataforma online de serviços turísticos da China.
Conforme a mesma fonte, entre os países de origem dos turistas latino-americanos, Brasil, Argentina e México lideram as chegadas, com destaque para o México, cujo crescimento anual superou três vezes.
O consumo global de turismo está atualmente evoluindo rumo à profundidade, à personalização e à emocionalidade, alinhando-se perfeitamente com os recursos exclusivos que Guizhou possui, afirmou Ao Kemo, vice-diretor do departamento provincial de cultura e turismo de Guizhou, quando se reuniu com representantes nacionais e internacionais do setor turístico durante uma conferência realizada no início desde ano.
No entender dele, a província não só detém IPs turísticos de classe mundial, como a Cachoeira Huangguoshu, a maior do tipo na Ásia, as formações de karst em Libo e o Monte Fanjing, como também abriga inúmeros "recursos tesouros" que aguardam uma exploração aprofundada, tais como as aldeias dos grupos étnicos de Miao e de Dong, o "Olho do Céu da China" (telescópio FAST, em inglês) e a famosa marca de aguardentes, Kweichow Moutai.
No Relatório de Pesquisa sobre Estratégias para o Desenvolvimento do Mercado de Turismo de Entrada de Guizhou com Foco nos Países-Chave da Região Ásia-Pacífico, Peter Semone, presidente da Associação de Turismo da Ásia-Pacífico, destacou que Guizhou está se posicionando rapidamente como um destino turístico distintivo na região sudoeste do país.
Reconhecida por sua diversidade cultural rica, paisagens deslumbrantes e infraestrutura progressivamente moderna, Guizhou oferece aos turistas uma combinação ímpar de autenticidade, de acessibilidade e de profundidade nas experiências, acrescentou.
Os avanços no setor turístico da província ecoam com as profundas transformações no setor de serviços do país, e isso pode se refletir pela rápida disseminação de modelos de negócios hoteleiros padronizados e econômicos por todo o vasto mercado unificado chinês.
Segundo um relatório divulgado no ano passado pela Associação Chinesa de Hospitalidade, o mercado de hotéis em cadeia da China manteve seu ritmo de crescimento em 2024, totalizando 348.700 hotéis e 17,64 milhões de quartos disponíveis ao final do mesmo ano.
Essas transformações aparecem como uma extensão das mudanças que começaram nas regiões litorais, reconfigurando de forma visível o setor turístico no sudoeste do país.
"A China já possui um setor de serviços vibrante", afirmou Denis Depoux, diretor-geral global da Roland Berger, durante a Conferência Anual 2026 do Fórum Boao para a Ásia (BFA). "A modernização significa criar novos cenários para o consumo de serviços, tanto para consumidores domésticos quanto para viajantes internacionais na China."
As políticas nacionais atuam de forma incisiva para apoiar essa modernização. Em outubro de 2025, nove órgãos, incluindo o Ministério do Comércio da China, emitiram orientações para promover o desenvolvimento de alta qualidade da indústria hoteleira, com ênfase na qualidade, na integração de tecnologia inteligente e no desenvolvimento verde.
Enquanto isso, a partir de 17 de fevereiro desde ano, a China expandiu sua política unilateral de isenção de visto para 50 países, incluindo o Brasil. Os portadores de passaportes comuns desses países podem entrar na China sem visto por até 30 dias, para fins de negócios, turismo, visitas familiares, intercâmbio cultural e trânsito.
Dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas mostraram que a China registrou um total de 30,08 milhões de visitas feitas por cidadãos estrangeiros que entraram sob a política de isenção de visto em 2025, um aumento anual de 49,5%.
"A paisagem é magnífica, e as atividades são conduzidas com segurança", afirmou Geary, elogiando aquele café no penhasco e, segundo ele, o indicaria aos seus amigos que o visitarem na China. "É um destino que vale muito a pena conhecer."

