
Jovens praticantes treinam em um salão de judô no Estádio Nacional de Cabo Verde, localizado nos arredores de Praia, capital de Cabo Verde, em 11 de maio de 2026. (Xinhua/Xie Jianfei)
Praia, 15 mai (Xinhua) -- Dentro de uma sala de judô no Estádio Nacional de Cabo Verde, jovens atletas praticam judô sob a orientação de seu treinador, João José Silva Ferreira.
O complexo esportivo com capacidade para 15 mil pessoas, um espaço mais conhecido por sediar grandes competições, tornou-se um local de treinamento regular onde jovens locais desenvolvem habilidades atléticas e disciplina.
Ferreira disse à Xinhua que o programa de judô agora conta com 28 praticantes regulares que treinam três vezes por semana no estádio. Entre eles está Márcio da Silva, de 20 anos, que pratica judô há anos e credita ao estádio o fato de praticar o esporte.
"Sem este estádio, talvez eu não tivesse conseguido continuar por tanto tempo", disse Márcio da Silva. "Este lugar nos permite continuar treinando e estamos fazendo algo sério."
Localizado nos arredores de Praia, a capital de Cabo Verde, o Estádio Nacional foi construído com assistência chinesa e entregue em 2014. Mais de uma década depois, o apoio técnico chinês continua no local.
Em abril de 2025, teve início a terceira fase da assistência técnica chinesa para o estádio. Uma equipe de 11 especialistas deverá trabalhar no local durante três anos, abrangendo áreas como sistemas elétricos, obras civis, sistemas de som, sistemas de temporização e pontuação, decoração e manutenção.
"Construir um estádio é uma coisa. Operá-lo é outra", disse Li Junsheng, gerente do projeto da terceira fase de assistência técnica para o Estádio Nacional, realizado pelo Grupo de Engenharia de Construção de Shaanxi, da China.
Li afirmou que a operação a longo prazo de uma grande instalação esportiva pode enfrentar muitos desafios após a entrega, incluindo sistemas obsoletos, renovação de equipamentos e escassez de pessoal técnico local.
"A cooperação não terminou no momento da entrega", disse Li. "O que oferecemos não é apenas manutenção, mas também fornecimento de peças de reposição e treinamento de pessoal."
Segundo Li, durante a segunda fase da assistência técnica, a equipe chinesa adicionou rampas para pessoas com deficiência, reformou a pista de atletismo de plástico, repintou as estruturas de aço e construiu instalações de apoio, incluindo um restaurante, cozinha e lavanderia.
"Agora, os atletas que passam por Praia podem ficar dentro do estádio e fazer refeições quentes no novo refeitório, sem se preocuparem com a alimentação durante os treinamentos", disse ele.
A terceira fase concentra-se em aprimorar ainda mais a operação e os sistemas de segurança do estádio. Li afirmou que o sistema de vigilância original, instalado há cerca de 10 anos, utilizava equipamentos analógicos para os quais as peças de reposição são difíceis de encontrar atualmente. O sistema de alarme de incêndio também precisa ser reformado devido à sua obsolescência.
Ele acrescentou que a manutenção dos muros perimetrais, a substituição da grama nas áreas auxiliares e o reparo das instalações de iluminação também estão em andamento.
Gu Yuanye, intérprete do projeto, chegou a Cabo Verde pela primeira vez em 2013. Ele disse ter testemunhado grandes mudanças no estádio ao longo da última década.
"Nos primeiros anos, as pessoas que vinham do centro da cidade muitas vezes tinham que esperar pelos micro-ônibus na rotatória e, às vezes, caminhar um ou dois quilômetros", disse Gu. "Agora, as casas se expandiram para esta área e as linhas de ônibus foram ampliadas."
Orlando Jorge Mascarenhas, chefe da administração do estádio, afirmou que a inauguração do Estádio Nacional mudou o panorama do desenvolvimento esportivo em Cabo Verde.
"Na minha opinião, o desenvolvimento esportivo em Cabo Verde pode ser dividido em duas fases: antes e depois do Estádio Nacional", disse Mascarenhas. "Foi o primeiro complexo desportivo nacional abrangente de grande escala após a independência de Cabo Verde, e continua a ser a maior infraestrutura desportiva do país."
"O estádio se integrou profundamente à nossa vida esportiva diária", disse ele. "É quase difícil imaginar o esporte cabo-verdiano sem ele."
Sua ligação pessoal com a China começou muito antes de ele administrar o estádio. Mascarenhas contou que seu pai visitou Shanghai no final da década de 1970 ou início da década de 1980 e frequentemente falava com a família sobre o que tinha visto na China.
"Meu pai costumava dizer: Cabo Verde é muito pequeno e a China é muito grande", disse ele.
Anos depois, Mascarenhas viajou para a China para um treinamento em gestão de estádios. Ele disse que essa experiência lhe proporcionou uma compreensão mais clara da cooperação da China com Cabo Verde.
"O apoio da China não se limita à construção das instalações", afirmou. "Inclui também a operação subsequente, experiência em gestão e capacitação."

(Xinhua/Xie Jianfei)

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