
Nick Henderson, gerente-geral regional da Grande China na agência Tourism Australia, participa da 46ª edição do Intercâmbio de Turismo Australiano (ATE, na sigla em inglês) em Adelaide, Austrália, em 11 de maio de 2026. (Foto de Lyu Wei/Xinhua)
Adelaide, 14 mai (Xinhua) -- Em Adelaide, capital costeira mais conhecida por seus festivais e vinhos, a indústria global do turismo ocupou brevemente o centro das atenções com o maior evento de turismo B2B da Austrália, que reúne participantes do mercado em todo o mundo.
De 10 a 14 de maio, a 46ª edição do Intercâmbio de Turismo Australiano (ATE, na sigla em inglês), organizada pela agência Tourism Australia, reuniu compradores globais e vendedores australianos do setor turístico. Por trás dos corredores lotados e das agendas apertadas, há algo mais fundamental: uma relação turística entre a Austrália e a China que retoma o seu impulso, e serviços relacionados que se reestruturam discretamente para sua próxima fase de crescimento.
FORTE PRESENÇA CHINESA
O ATE deste ano foi marcado pela forte presença de compradores chineses.
Em todo o pavilhão de exposições, ouvia-se mandarim com frequência. Representantes de agências de viagens chinesas, operadores turísticos especializados e plataformas on-line circulavam rapidamente entre reuniões com agendas apertadas, negociando roteiros, preços e parcerias com fornecedores australianos.
Sua presença não era pouca. Das cerca de 730 empresas compradoras de 32 países e regiões presentes no evento, mais de 140 eram da China, ficando atrás apenas dos compradores nacionais. Ao longo dos quatro dias de programação, esperava-se que fossem realizadas 55.000 reuniões.
Para os especialistas do setor, a mensagem é clara: a China está de volta e a confiança está retornando.
No estande da Ópera de Sydney, um dos ícones mais reconhecidos do país, as reuniões estão a todo vapor. De acordo com Shirley Zhou, gerente de desenvolvimento de negócios da Ópera de Sydney, os compradores chineses representam cerca de 65% a 70% dos compromissos agendados durante o evento.
"A China sempre esteve entre nossos dois principais mercados, tanto em número de visitantes quanto em receita", disse ela. "Valorizamos cada oportunidade de nos reconectarmos com parceiros chineses".
Ela mencionou o evento Marketplace China, realizado pela Tourism Australia, do qual participou em Xi'an em novembro passado, além de um evento recente realizado pela Tourism New South Wales com foco na China. Ela observou que a Ópera de Sydney valoriza cada oportunidade de interagir com parceiros chineses.
Atrações de vida selvagem estão observando tendências semelhantes. No Zoólogico Victoria, mais de um quarto das solicitações de reunião durante o ATE vieram de compradores chineses.
"A China é atualmente o nosso terceiro maior mercado", disse o gerente de desenvolvimento de negócios, Stephen Peppard, acrescentando que os visitantes chineses são muito valorizados. "Gostamos muito de receber os visitantes chineses. Eles adoram os animais e são ótimos visitantes".

Robin Mack, diretor-geral da Tourism Australia, discursa na cerimônia de abertura da 46ª edição do Intercâmbio de Turismo Australiano (ATE, na sigla em inglês) em Adelaide, Austrália, em 11 de maio de 2026. (Tourism Australia/Divulgação via Xinhua)
MUDANÇA NOS PADRÕES DE VIAGEM
Essa cooperação já é visível na mudança dos padrões de viagem.
De acordo com Wan Qin, vice-gerente-geral da Outbound Travel Company na cidade de Shenzhen, no sul da China, a demanda por viagens para a Austrália entre os consumidores chineses está se recuperando de forma constante, em parte devido à melhoria na facilitação de vistos. Mas a natureza dessa demanda está mudando. O tamanho dos grupos está diminuindo, passando de grupos de 20 a 30 viajantes no passado para cerca de 10 a 16 atualmente, enquanto a demanda por viagens personalizadas e semi-independentes está aumentando rapidamente.
Ao mesmo tempo, as excursões em grupo tradicionais não desapareceram, e segmentos de nicho estão se expandindo, incluindo viagens estudantis durante as férias escolares e viagens personalizadas para turistas da terceira idade, acrescentou Wan.
"A Austrália sempre foi vista como um destino seguro e acolhedor, com uma indústria turística consolidada", disse Wan. "Isso continua sendo uma grande vantagem".
Para empresas focadas em viagens de alto padrão, a mudança é ainda mais acentuada.
Zhu Chengyu, que administra uma agência em Chongqing especializada em roteiros personalizados, disse que os viajantes chineses estão buscando cada vez mais personalização em vez de pacotes padronizados.
"As pessoas agora obtêm muitas informações das mídias sociais e querem experiências que reflitam seus próprios interesses", disse ele enquanto circulava entre os estandes dos fornecedores. "Isso significa que precisamos adaptar constantemente nossos produtos".
No Zoológico de Taronga, em Sydney, a gerente de Vendas e Engajamento Comercial para o Turismo, Monika Townsend, disse que a era das visitas rápidas e superficiais de grandes grupos de turistas está dando lugar a experiências mais longas e imersivas.
"Os mercados chineses evoluíram muito", disse ela. "Antes, eram grupos enormes que chegavam a Taronga e ficavam apenas meia hora ou quarenta minutos, mas agora são grupos familiares bem menores".
Os viajantes chineses estão cada vez mais interessados em passar mais tempo imersos na experiência, o que combina perfeitamente com o zoológico, disse ela, convidando os visitantes chineses a fazerem passeios e a mergulharem na experiência de refúgio de vida selvagem oferecida ali.
SERVIÇOS EM EVOLUÇÃO
Os operadores turísticos australianos, por sua vez, estão respondendo rapidamente.
Wan participou de uma sessão fechada com altos funcionários da Tourism Australia no dia da inauguração. Ela disse que o nível de atenção dado aos compradores chineses era inegável.
"Eles estão ouvindo com muita atenção, desde como o mercado mudou, quais desafios enfrentamos, até onde estão as oportunidades", disse Wan.
Observando a importância do mercado chinês, Nick Henderson, gerente-geral regional da Grande China na Tourism Australia, disse que o amplo retorno dos compradores chineses este ano reflete uma reconstrução da confiança e um novo impulso.
"Nosso objetivo é proporcionar aos nossos viajantes chineses uma experiência maravilhosa que eles lembrarão para sempre", disse ele. "Portanto, precisamos que essas trocas entre compradores e vendedores aconteçam regularmente para que isso ocorra. É ótimo para os vendedores aprenderem mais sobre o mercado chinês para que tenham uma melhor cooperação com os compradores".

Visitantes escrevem em uma obra de arte exposta na praia de Cottesloe, em Perth, Austrália, em 16 de março de 2026. (Xinhua/Ma Ping)
A energia no pavilhão de exposições reflete o ímpeto geral de crescimento do turismo chinês para a Austrália. Os dados mostram que a China foi a segunda maior fonte de visitantes internacionais para a Austrália em 2025. Nos 12 meses até março de 2026, as chegadas da China continental atingiram 1,12 milhão, um aumento de 21% em relação ao ano anterior, o crescimento mais rápido entre os principais mercados.
A capacidade da aviação se recuperou ainda mais rapidamente, com a oferta total de assentos neste ano prevista para exceder ligeiramente os níveis pré-pandemia, preparando o terreno para uma maior expansão.
Os fluxos turísticos também são cada vez mais bidirecionais. Mais de 690 mil australianos visitaram a China em 2025, tornando-a um de seus destinos internacionais mais populares.
O Haven Glebe, um hotel em Sydney que participa do ATE pela primeira vez, já superou as expectativas, recebendo quase 80 visitas de compradores, sendo cerca de um terço delas de empresas chinesas.
A gerente-geral do hotel, Winnie Ho, disse que vê um forte potencial de crescimento pela frente. "Com as melhorias na infraestrutura, como aeroportos, viajar entre a China e a Austrália está se tornando mais conveniente. Isso levará a uma demanda mais diversificada".



