Comunidade Ásia-Pacífico: De astronauta de Hong Kong a parcerias regionais, o programa espacial da China avança-Xinhua

Comunidade Ásia-Pacífico: De astronauta de Hong Kong a parcerias regionais, o programa espacial da China avança

2026-05-28 13:17:55丨portuguese.xinhuanet.com

Imagem capturada no Centro de Controle Aeroespacial de Beijing em 25 de maio de 2026 mostra foto da tripulação das naves espaciais Shenzhou-21 e Shenzhou-23. (Xinhua/Jin Liwang)

Hong Kong, 26 mai (Xinhua) -- A China lançou com sucesso no domingo a nave espacial tripulada Shenzhou-23, enviando três astronautas para sua estação espacial orbital Tiangong para novos testes de permanência de longa duração e experimentos científicos de ponta.

Com diversas conquistas históricas inéditas, a missão marca a primeira vez que um comandante da terceira turma de astronautas chineses lidera uma missão e, também pela primeira vez, um integrante da tripulação permanecerá em órbita por um ano. Notavelmente, a tripulação inclui Lai Ka-ying, a primeira astronauta de Hong Kong a viajar para o espaço e a quarta mulher chinesa a ir ao espaço, como especialista de carga útil da missão espacial Shenzhou-23.

Zhu Yangzhu, o comandante da missão, descreveu o trio como "três peças de um quebra-cabeça que se encaixam perfeitamente". A tripulação é composta por Zhu, engenheiro de voo; Zhang Zhiyuan, piloto da espaçonave; e Lai.

Além da harmonia na tripulação da Shenzhou-23, a China está expandindo esse "quebra-cabeça" em uma escala mais ampla, selecionando astronautas estrangeiros para o programa espacial tripulado, conduzindo cooperação internacional no programa de exploração lunar e realizando colaborações em satélites na região e no mundo todo. A importância dos grandes projetos espaciais da China transcende as conquistas nacionais, proporcionando uma plataforma aberta para a cooperação internacional.

Foto tirada em 16 de maio de 2026 mostra combinação da espaçonave tripulada Shenzhou-23 e um foguete transportador Longa Marcha-2F sendo transferidos para a área de lançamento. (Foto de Wang Jiangbo/Xinhua)

NOVOS ROSTOS NO PROGRAMA DE VOOS ESPACIAIS TRIPULADOS

Em uma coletiva de imprensa antes do lançamento da espaçonave tripulada Shenzhou-23 no domingo, a atenção também se voltou para o status atual de dois astronautas paquistaneses selecionados como os primeiros astronautas estrangeiros para o treinamento de missão espacial da China.

No início de abril, a China concluiu seu primeiro processo de seleção para astronautas estrangeiros. Dois astronautas paquistaneses foram selecionados e ingressaram no Centro de Astronautas da China em Beijing, onde participam do treinamento de missão ao lado de seus colegas chineses.

Zhang Jingbo, porta-voz da Agência Espacial Tripulada da China (CMSA, na sigla em inglês), disse na coletiva de imprensa que todo o trabalho relacionado está progredindo sem problemas.

Os astronautas paquistaneses estão recebendo treinamento com foco no desenvolvimento de capacidades operacionais práticas, disse Zhang. O treinamento linguístico também está em andamento, incluindo conhecimentos básicos de chinês e o vocabulário de comando necessário para a execução da missão, acrescentou ele.

Após a conclusão de todo o treinamento necessário e a aprovação nas avaliações, um dos dois participará de uma missão espacial como especialista de carga útil, tornando-se o primeiro astronauta estrangeiro a embarcar na estação espacial chinesa Tiangong.

A seleção e o treinamento dos astronautas paquistaneses representam uma conquista histórica na cooperação internacional na estação espacial chinesa e demonstram a postura aberta da China em compartilhar suas conquistas no desenvolvimento espacial com a comunidade internacional, disse a CMSA.

Para o Paquistão, uma cooperação aeroespacial mais estreita com a China oferece uma oportunidade estratégica para avançar as ambições espaciais nacionais, desenvolver capital humano e contribuir significativamente para os esforços internacionais de exploração espacial, disse Muhammad Yasir, diretor de Gerenciamento de Projetos e Engenharia de Sistemas da Comissão de Pesquisa Espacial e da Alta Atmosfera (SUPARCO) do Paquistão.

Visitantes observam paraquedas e cápsula de retorno da sonda Chang’e-5 no Museu de Ciência e Tecnologia de Hainan, em Haikou, província de Hainan, sul da China, em 29 de abril de 2026. (Xinhua/Pu Xiaoxu)

NOVAS FRONTEIRAS NA COOPERAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL

A China nunca parou sua busca pela exploração do espaço profundo. Com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026, a espaçonave Chang’e-7 está passando pelos preparativos finais no Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na província de Hainan, sul da China. Ela viajará até a Lua para realizar levantamentos ambientais e de recursos no polo sul lunar.

Na última década, o programa de exploração lunar Chang’e da China alcançou uma série de marcos históricos. A Chang’e-4 realizou o primeiro pouso suave do mundo no lado oculto da Lua. A Chang’e-5 completou a coleta e o retorno de amostras lunares, enquanto a Chang’e-6 realizou o primeiro retorno de amostras da humanidade do lado oculto da Lua.

Partes das amostras lunares trazidas pelas missões Chang’e da China foram exibidas no exterior, incluindo na Áustria, no Japão e na Tailândia. Em Bancoc, a exposição despertou muito interesse do público, oferecendo aos visitantes uma rara oportunidade de ver de perto o material trazido da Lua, um reflexo da crescente cooperação espacial entre a China e a Tailândia.

Os dois países assinaram memorandos de entendimento sobre a exploração e o uso pacífico do espaço exterior, além da cooperação na Estação Internacional de Pesquisa Lunar, e planejam fortalecer a colaboração em cargas úteis para as futuras missões Chang’e-7 e Chang’e-8. A Chang’e-7, por exemplo, levará um instrumento de monitoramento global do clima espacial desenvolvido pela Tailândia para observar a radiação cósmica e as condições climáticas espaciais a partir da perspectiva lunar.

A cooperação espacial entre os dois países também se estendeu a outras missões científicas. Em 2024, a missão chinesa Shijian-19 proporcionou à Tailândia a oportunidade de enviar sementes de arroz tailandesas de alta qualidade para o espaço, com o objetivo de cultivar variedades de culturas capazes de aguentar ambientes hostis e aumentar a segurança alimentar.

Phee Choosri, vice-diretor-executivo da Agência de Desenvolvimento de Geoinformática e Tecnologia Espacial da Tailândia, disse à Xinhua que a China e a Tailândia cooperam na área espacial há muitos anos e fortalecerão ainda mais a colaboração em sensoriamento remoto inteligente, engenharia de satélites e formação de talentos para impulsionar o desenvolvimento espacial regional.

Imagem em tempo real capturada no Centro de Controle Aeroespacial de Beijing em 25 de maio de 2026 mostra a espaçonave tripulada Shenzhou-23 acoplando-se à porta radial do módulo central Tianhe da Tiangong. (Xinhua/Jin Liwang)

FUTURO COMPARTILHADO NO ESPAÇO

Além das missões emblemáticas, o setor espacial comercial da China está se expandindo rapidamente. Dados oficiais mostram que, em 2025, a China realizou 50 lançamentos comerciais, representando 54% do total de lançamentos do país naquele ano.

Tan Kar Hing, vice-presidente do Centro de Estudos Estratégicos Regionais, um think tank da Malásia, disse à Xinhua que a cooperação estratégica com a China em serviços de lançamento de satélites e tecnologia espacial é um caminho para aprimorar a infraestrutura digital, cultivar talentos locais e fortalecer a competitividade em indústrias globais de alto valor agregado.

Tan destacou as tecnologias de comunicação via satélite e observação da Terra como fundamentais para a transformação da economia digital da Malásia, aplicadas no monitoramento climático, gestão de desastres e agricultura inteligente.

Em áreas geograficamente remotas da Malásia, como Sabah e Sarawak, a conectividade via satélite ajuda a reduzir a exclusão digital, possibilitando educação on-line, telemedicina, comércio eletrônico e empreendedorismo digital, acrescentou ele.

"Como um dos parceiros estratégicos indispensáveis ​​da China no Sudeste Asiático, a cooperação da Malásia com a China em setores de tecnologia avançada há muito transcende as trocas puramente comerciais e técnicas. Ela também reflete a forte confiança estratégica, as trocas tecnológicas entre os povos e a parceria estável de longo prazo entre os dois países", disse ele.

Em 70 anos de esforços contínuos, o programa espacial chinês evoluiu do lançamento de seu primeiro satélite para a conquista de avanços significativos em voos espaciais tripulados e exploração do espaço profundo. Ao longo dessa trajetória, o uso pacífico do espaço sideral para o benefício de toda a humanidade sempre foi a aspiração e a missão originais do desenvolvimento do programa espacial chinês.

À medida que a China avança em parcerias espaciais mais substanciais e práticas, essa filosofia fica cada vez mais tangível em toda a região da Ásia-Pacífico.

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