
Uma profissional de saúde pesa uma criança no Centro de Saúde de Thongchalern, distrito de Nan, província de Luang Prabang, Laos, em 7 de maio de 2026. (Foto de Kaikeo Saiyasane/Xinhua)
Por Zhao Zhiqin e Ma Huaizhao
Luang Prabang, Laos, 4 jun (Xinhua) -- Com a chegada das primeiras chuvas, a estrada de terra que serpenteia pelo distrito de Nan, na província de Luang Prabang, fica irregular e esburacada. Montanhas verde-esmeralda se elevam ao longe, acima dos vastos arrozais, e logo além de uma pequena ponte fica o salão comunitário da aldeia de Keomani.
No salão comunitário, Khamvoiy, 22 meses, estava sentado tranquilamente no colo de sua mãe, Lath. Uma profissional de saúde o colocou em uma balança para bebês. "8,9 quilos", disse ela. Lath esboçou um sorriso de alívio, pois, quando o tratamento começou, ele pesava apenas 7 quilos e tinha sido diagnosticado com desnutrição aguda grave.
A profissional de saúde orientou Lath e deu a ela sete sachês de alimento terapêutico pronto para uso, uma pasta rica em nutrientes fornecida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) que permite o tratamento de crianças gravemente desnutridas em casa. Ela foi orientada a voltar em uma semana para receber mais.
A equipe de saúde local não apenas forneceu o alimento terapêutico, eles ensinaram Lath a preparar uma refeição balanceada. "Desde que começou o tratamento, ele está mais saudável e recuperou o apetite", disse ela.
A história de Khamvoiy não é única. A desnutrição infantil tem sido, há muito tempo, um dos maiores desafios de saúde pública do Laos. O país fez progressos significativos na última década, mas a pandemia de COVID-19 e os choques econômicos subsequentes interromperam os serviços de saúde, nutrição e seguridade social em muitas áreas rurais e remotas.
Segundo o UNICEF Laos, mais de uma em cada dez crianças menores de cinco anos sofre de desnutrição aguda.
Para reverter essa situação, o governo do Laos e o UNICEF lançaram um programa de nutrição infantil em 2022, com financiamento do Ministério do Comércio da China e da Agência de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento da China, visando 10 províncias com altos índices de desnutrição aguda infantil. Iniciado em outubro de 2022 e concluído em dezembro de 2025, o projeto foi dividido em duas fases principais: capacitação e distribuição de suprimentos.
"Graças ao apoio da China, já capacitamos mais de 1.900 profissionais da linha de frente e examinamos mais de 38.000 crianças para detectar desnutrição", disse Vilon Viphongxay, coordenador de programas de nutrição do UNICEF no Laos.
Desde o início do projeto, 7.723 caixas de alimentos terapêuticos prontos para uso, centenas de caixas de leite terapêutico e grandes quantidades de medicamentos e equipamentos de triagem foram entregues a cerca de 400 unidades de saúde em todo o Laos. Segundo o UNICEF, mais de 4.000 crianças com desnutrição aguda grave já receberam tratamento.
A uma curta distância de carro de Keomani, o Centro de Saúde de Thongchalern atende cinco aldeias vizinhas. Sathid Vanthanom, chefe do centro de saúde, trabalha lá desde 2014 e viu a mudança no estado nutricional das crianças da região.
"Há dois ou três anos, a desnutrição infantil ainda era muito comum", disse Sathid. O centro de saúde atendia 675 famílias, totalizando 3.346 pessoas. No passado, a limitação de equipamentos e a escassez de pessoal treinado tornavam quase impossível o acompanhamento de crianças desnutridas ao longo do tempo.
Agora, os profissionais de saúde utilizam rotineiramente balanças infantis e fitas métricas para medir a circunferência do braço na triagem das crianças. Eles também viajam regularmente para aldeias remotas para realizar sessões de educação nutricional e avaliações.
"Comparado a três anos atrás, a taxa de desnutrição infantil em nossa região caiu significativamente. Agora quase não vemos novos casos", disse Sathid. "Somente no primeiro trimestre deste ano, avaliamos 275 crianças. Nenhuma delas foi diagnosticada com desnutrição grave".
Do ponto de vista de Buakeo Sisuphan, vice-chefe da Seção de Higiene e Promoção da Saúde do Departamento Provincial de Saúde de Luang Prabang, o programa passou por uma transformação silenciosa, porém profunda. "O apoio fornecido pela China através do UNICEF fortaleceu a capacidade dos centros de saúde locais de oferecer aconselhamento nutricional e triagem precoce. Agora, os profissionais de saúde locais podem detectar casos muito mais cedo e intervir a tempo".
Souphaphone Yangphachan, professora da aldeia de Thongchalern, sabia disso na prática. Sua filha mais nova foi diagnosticada com desnutrição aguda aos 15 meses, depois que uma pneumonia tirou o apetite dela.
O centro de saúde forneceu a ela alimentos terapêuticos prontos para uso e ensinou Souphaphone a alimentar sua filha corretamente. Em três meses, o peso da menina aumentou de 6 para 7 quilos.
"Sou grata ao UNICEF e ao governo chinês por ajudarem as crianças da nossa aldeia", disse Souphaphone. "Agora que minha filha está saudável, posso trabalhar despreocupada".
Vilon resumiu: "Uma mãe em uma aldeia remota não precisa mais viajar por dias para receber ajuda. Ela tem um especialista treinado em sua própria comunidade, munido de suprimentos médicos financiados pela China, pronto para cuidar da saúde de seu filho".
As mudanças trazidas pelo projeto foram sentidas não apenas no tratamento, mas também na prevenção. Bath Milaita, mãe de dois filhos em Thongchalern, ia ao centro de saúde todos os meses durante a gravidez. A equipe de saúde a examinava regularmente e a incentivava a ter uma dieta balanceada, em vez de evitar alimentos por crenças antigas. Seu filho mais novo nasceu com um peso saudável de 3,5 quilos.
"No início deste ano, o treinamento apoiado por este projeto nos ensinou que tipo de alimentos devemos dar aos nossos filhos para mantê-los saudáveis", disse Bath. "Aprendi muitas coisas".
A embaixadora da China no Laos, Fang Hong, disse que o programa de nutrição infantil financiado pela China foca em crianças menores de cinco anos, ajudando a salvar milhares de crianças gravemente desnutridas por meio de prevenção, triagem e tratamento padronizado.
Ela observou que o projeto foi realizado por meio de cooperação tripartite, com a China fornecendo financiamento, o UNICEF oferecendo apoio técnico e o governo do Laos liderando a implementação, garantindo que o programa atendesse às necessidades locais.
De volta à aldeia de Keomani, Lath continuou alimentando Khamvoiy com comida terapêutica. Os profissionais de saúde disseram que ele estava no caminho certo para atingir um peso saudável.
Em laosiano, "Keomani" significa "joias brilhantes". À medida que as unidades de saúde locais aprimoram sua capacidade de detectar, tratar e prevenir a desnutrição, a esperança retorna a aldeias como Keomani.
"Estamos construindo um sistema de saúde que precisa durar por gerações, não apenas para hoje", disse Vilon, enfatizando a importância do apoio contínuo da China.
"Podemos dizer que este programa é uma prática benéfica que combina a cooperação Sul-Sul com o multilateralismo e também fornece uma referência importante para a realização de mais projetos de assistência ‘pequenos e lindos’ para o Laos no futuro", disse Fang.

Profissionais de saúde realizam triagem para desnutrição infantil no salão de reuniões da aldeia de Keomani, distrito de Nan, província de Luang Prabang, Laos, em 6 de maio de 2026. (Foto de Kaikeo Saiyasane/Xinhua)

Foto aérea tirada por drone em 7 de maio de 2026 mostra vista do salão de reuniões da aldeia de Keomani, no distrito de Nan, província de Luang Prabang, Laos. (Foto de Kaikeo Saiyasane/Xinhua)

Foto aérea tirada por drone em 6 de maio de 2026 mostra vista da aldeia de Thongchalern, no distrito de Nan, província de Luang Prabang, Laos. (Foto de Kaikeo Saiyasane/Xinhua)










