
Uma pesquisadora trabalha no Centro Internacional de Inovação para a Bacia do Mar de Aral em Nukus, Uzbequistão, em 9 de abril de 2026. (Xinhua/Li Renzi)
Por Gou Hongjing
Almaty, 6 jun (Xinhua) -- Embarcações de pesca enferrujadas permanecem encalhadas no fundo do deserto em Muynak, Uzbequistão, antes um porto movimentado no Mar de Aral. O recuo das águas deixou esses cascos como lembretes silenciosos de um grave desastre ecológico.
"A dimensão desse desastre e seu impacto nas comunidades locais são inimagináveis", disse Makhmudjan Aitzhanov, guia do Museu de História do Mar de Aral.
O Mar de Aral, que já foi o quarto maior lago interior do mundo, estende-se pelo Cazaquistão e pelo Uzbequistão. Desde a década de 1960, o uso excessivo de água e as mudanças climáticas reduziram sua área em mais de 90%. Vastos trechos do leito seco do mar se transformaram em deserto, o que fez com que o lago, em processo de retração, recebesse o apelido de "Lágrimas Secas" da Ásia Central.
Para enfrentar essa crise, a China tem colaborado com os países da Ásia Central. Em 2013, o Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang, vinculado à Academia Chinesa de Ciências, juntamente com parceiros regionais, estabeleceu o Centro de Pesquisa para Ecologia e Meio Ambiente da Ásia Central, com sede em Tashkent e filiais no Cazaquistão, no Quirguistão e no Tadjiquistão. O centro serve como plataforma para pesquisa e medidas práticas sobre conservação de água, controle da desertificação, restauração de solos salino-alcalinos e reabilitação ecológica.
Pesquisadores chineses realizaram levantamentos de campo, instalaram mais de 80 pontos de monitoramento e utilizaram sensoriamento remoto de alta resolução para analisar o encolhimento do Mar de Aral e suas causas. Com base em dados sobre solo, vegetação, biodiversidade e água, eles dividiram a região em zonas ecológicas para orientar a restauração direcionada.
Segundo Zhang Yuanming, diretor do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang, os pesquisadores chineses trouxeram sua experiência em restauração de solos salino-alcalinos em regiões áridas da China. Em parceria com o Uzbequistão, eles estabeleceram cinco jardins de halófitas para testar plantas tolerantes ao sal que podem absorver o excesso de sal no solo e melhorar sua qualidade. Outros dois jardins estão planejados.
Autoridades uzbeques consideram a iniciativa um passo importante para a recuperação a longo prazo.
"Esperamos que esses jardins sirvam como bases de sementes para expandir o cultivo de espécies tolerantes ao sal, como o saxaul e o tamarisco", disse Erkin Mukhitdinov, chefe da Agência Florestal do Ministério da Ecologia, Proteção Ambiental e Mudanças Climáticas do Uzbequistão. "Isso ajudará a restaurar gradualmente a produtividade de terras degradadas".
No Centro Internacional de Inovação para a Bacia do Mar de Aral, em Nukus, uma "Zona de Demonstração de Agricultura Inteligente da China" exibe mais de 40 espécies de halófitas estudadas com apoio chinês. O diretor do centro, Bakhytzhan Khabibullaev, destacou que algumas plantas, como a cistanche medicinal, têm potencial tanto ecológico quanto econômico.
Desde 2018, o Uzbequistão plantou vegetação tolerante ao sal em cerca de 2 milhões de hectares. O crescimento da vegetação reduziu a frequência e a intensidade das tempestades de areia e poeira salina.
"Há cerca de 10 anos, as tempestades de poeira e sal na primavera eram severas. Agora a situação melhorou. A cooperação internacional, inclusive com a China, é muito importante para a população local", disse o guia do museu, Aitzhanov.
Especialistas concordam que a recuperação a longo prazo depende de uma melhor gestão da água. Desde 2011, pesquisadores chineses têm promovido tecnologias de irrigação eficientes no Uzbequistão, alcançando rendimentos de algodão superiores a 400 kg por mu (cerca de 0,067 hectares), ao mesmo tempo que reduzem o consumo de água em 50 a 70%.
Jilili Abuduwaili, vice-diretor do Centro de Pesquisa para Ecologia e Meio Ambiente da Ásia Central, enfatizou que a crise do Mar de Aral exige cooperação internacional. Ao compartilhar pesquisas e tecnologias, a China e seus parceiros da Ásia Central estão buscando maneiras de equilibrar a restauração ecológica com o desenvolvimento econômico.
Shahriyor Nurulloev, vice-reitor da Universidade da Ásia Central de Estudos Ambientais e de Mudanças Climáticas, disse: "Juntamente com nossos parceiros chineses, esperamos avançar na restauração ecológica e na melhoria do uso da terra na região do Mar de Aral, melhorar as condições de vida dos moradores e apoiar o desenvolvimento sustentável de longo prazo da região".

Shahriyor Nurulloev, vice-reitor da Universidade da Ásia Central de Estudos Ambientais e de Mudanças Climáticas, concede entrevista à Agência de Notícias Xinhua em Nukus, Uzbequistão, em 12 de abril de 2026. (Xinhua/Li Renzi)

Erkin Mukhitdinov, chefe da Agência Florestal do Ministério da Ecologia, Proteção Ambiental e Mudanças Climáticas do Uzbequistão, concede entrevista à Agência de Notícias Xinhua em Nukus, Uzbequistão, em 12 de abril de 2026. (Xinhua/Li Renzi)

Uma pesquisadora trabalha no Centro Internacional de Inovação para a Bacia do Mar de Aral em Nukus, Uzbequistão, em 9 de abril de 2026. (Xinhua/Li Renzi)

Pesquisadoras trabalham no Centro Internacional de Inovação para a Bacia do Mar de Aral em Nukus, Uzbequistão, em 9 de abril de 2026. (Xinhua/Li Renzi)

Jilili Abuduwaili, vice-diretor do Centro de Pesquisa para Ecologia e Meio Ambiente da Ásia Central, concede uma entrevista à Agência de Notícias Xinhua em Almaty, Cazaquistão, em 31 de março de 2026. (Xinhua/Li Renzi)

Foto tirada em 9 de abril de 2026 mostra a Zona de Demonstração de Agricultura Inteligente da China, localizada nos arredores do Centro Internacional de Inovação para a Bacia do Mar de Aral em Nukus, Uzbequistão. (Xinhua/Li Renzi)

Especialistas do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang trabalham em um jardim de halófitas em Karamay, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, noroeste da China, em 20 de maio de 2026. (Xinhua/Wang Fei)

Foto tirada em 20 de maio de 2026 mostra halófitas em um campo experimental do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang em Karamay, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, noroeste da China. (Xinhua/Wang Fei)

Especialistas do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang trabalham em um jardim de halófitas em Karamay, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, noroeste da China, em 20 de maio de 2026. (Xinhua/Wang Fei)

Um especialista trabalha no Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang em Urumqi, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, noroeste da China, em 7 de maio de 2026. (Xinhua/Wang Fei)

Um especialista trabalha no Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang em Urumqi, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, noroeste da China, em 7 de maio de 2026. (Xinhua/Wang Fei)

