
Ciclista passa por grafites com temática de futebol na Cidade do México, capital do México, em 10 de maio de 2026. (Foto de Francisco Cañedo/Xinhua)
A "reta final" para a Copa do Mundo serve como um lembrete: as ruas não pertencem apenas aos carros, o transporte não se resume apenas ao deslocamento e a infraestrutura urbana não se trata apenas de ficar bonita diante das câmeras. No final, ela deve responder a uma pergunta simples: se os moradores locais podem chegar aos seus destinos com mais facilidade e segurança.
Por Tan Huiting
Cidade do México, 8 jun (Xinhua) -- Enquanto a Cidade do México se prepara para a partida de abertura da Copa do Mundo 2026, uma expressão passou dos documentos de planejamento de transporte para o discurso público: a "reta final".
Quando a Copa do Mundo entra no cotidiano de uma cidade, ela transforma as rotinas comuns. Uma das principais medidas será uma área de acesso controlado ao redor do Estádio da Cidade do México, projetada para organizar os fluxos de mobilidade, disse Héctor Ulises García Nieto, secretário de mobilidade da Cidade do México.
Nos dias de jogos, os espectadores deverão deixar seus carros em estacionamentos externos e continuar suas viagens de transporte público ou por meio de serviços especiais de transporte, enquanto as equipes, funcionários credenciados e moradores utilizarão rotas separadas.
Além disso, as autoridades municipais recomendaram medidas como o fechamento de escolas e o trabalho remoto para aliviar o congestionamento no dia 11 de junho, data da partida de abertura entre México e África do Sul.
A Cidade do México abriga mais de 9 milhões de pessoas, enquanto sua região metropolitana tem uma população de mais de 20 milhões. Para uma cidade conhecida por seus engarrafamentos, a "reta final" nunca foi um detalhe insignificante.
Se a "reta final" no dia do jogo se refere à segurança no transporte de pessoas, a "reta final" antes do torneio diz respeito à possibilidade de concluir a construção antes do apito inicial.
Foto aérea do Estádio Azteca, palco da partida de abertura da Copa do Mundo FIFA 2026, tirada em 10 de maio de 2026, na Cidade do México, capital do México. (Xinhua/Li Muzi)
A Linha 2 do metrô, uma das principais rotas que os torcedores devem usar para chegar à área do estádio, está passando por obras de modernização, que incluem reformas nas estações, melhorias nos sistemas de sinalização e segurança, além da manutenção dos trilhos e do sistema de drenagem.
A prefeita da Cidade do México, Clara Brugada, disse que as obras serão concluídas antes de 11 de junho.
Com um investimento total de 23 bilhões de pesos (1,3 bilhão de dólares americanos) em infraestrutura para a Copa do Mundo, Brugada disse que o financiamento também apoiará uma nova linha de trólebus, melhorias no sistema de veículo leve sobre trilhos e outras melhorias no transporte em toda a cidade.
Ela ressaltou que, embora as obras estejam sendo construídas para a Copa do Mundo, elas permanecerão como projetos públicos permanentes.
Assim, a "reta final" não é apenas o trecho final que leva os torcedores ao estádio, mas também uma oportunidade para a cidade avançar com projetos há muito necessários.
A Cidade do México já sabe como uma rua pode se tornar mais do que uma rua. Todas as manhãs de domingo, trechos do Paseo de la Reforma, uma ampla avenida no centro da cidade, são fechados para carros e abertos para ciclistas, corredores, patinadores e pedestres. Ciclistas profissionais compartilham a avenida com pais empurrando carrinhos de bebê, corredores e idosos passeando com seus cachorros. Por algumas horas, o espaço geralmente ocupado pelo tráfego se transforma em uma paisagem urbana compartilhada.
A "reta final" para a Copa do Mundo serve como um lembrete: as ruas não pertencem apenas aos carros, o transporte não se resume apenas ao deslocamento e a infraestrutura urbana não se trata apenas de ficar bonita diante das câmeras. No final, ela deve responder a uma pergunta simples: se os moradores locais podem chegar aos seus destinos com mais facilidade e segurança?
Agustina, uma estudante de 22 anos, disse estar preocupada não só com a época das chuvas, mas também com o deslocamento até as aulas durante o período do torneio.
Ana Italia, uma moradora, vê o transtorno de outra forma. O trânsito pode ficar mais complicado, mas "todos os visitantes estrangeiros sentirão a receptividade e a hospitalidade do nosso país, porque os mexicanos são conhecidos por fazer os turistas se sentirem especiais".


