
Beijing, 12 jun (Xinhua) -- "Eu acho que tem vários pontos de contato entre a obra de Portinari e o público chinês. A esperança que eu tenho é que esses pontos de contato realmente sejam a mão brasileira estendida à mão chinesa."
Foi assim que João Candido Portinari, filho do artista brasileiro Candido Portinari e fundador e diretor-geral do Projeto Portinari, definiu o significado da exposição "O Brasil de Portinari", em cartaz no Museu Nacional da China, em Beijing, no âmbito do Ano Cultural China-Brasil.
Em uma recente entrevista à Xinhua, João Candido afirmou que a obra de Portinari dialoga com valores presentes tanto na cultura brasileira quanto na chinesa.
Entre eles, destacou a valorização do trabalho, a busca pela paz e a importância dos laços familiares. Em sua avaliação, Portinari transformou esses temas em elementos permanentes de sua obra, refletindo seu compromisso com causas humanistas.
"Eu acho que a China, hoje em dia, é o grande fiador da paz mundial. E o Brasil também. Nós também temos esse desejo de fraternidade, de colaboração, um espírito de paz", afirmou. Para ele, essa convergência de valores ajuda a explicar por que a obra do pintor pode encontrar ressonância junto ao público chinês.
João Candido ressaltou ainda que a exposição procura apresentar "um Brasil autêntico, verdadeiro, sem retoques". Em vez de uma imagem idealizada do país, a mostra revela o Brasil retratado por Portinari em toda a sua complexidade, marcado simultaneamente pela dor e pela esperança, pelo drama e pela poesia.
Ao comentar a atualidade das obras expostas, ele observou que a força de Portinari reside justamente em sua capacidade de retratar sentimentos humanos universais.
"Portinari tinha uma sinceridade feroz ao retratar o sofrimento humano e a alegria humana", disse. "Não é uma coisa que pertence apenas ao Brasil, mas a toda a família humana, porque a língua do coração é universal."
A preservação desse legado tornou-se a missão central do Projeto Portinari, criado por João Candido há quase cinco décadas. Ele recordou que, quando o projeto começou, a memória do artista corria o risco de se perder.
Ao longo de 47 anos, a iniciativa se consolidou como um centro de pesquisa e documentação da obra do artista, reunindo especialistas de diferentes áreas e criando uma base de dados pioneira para estudo e autenticação.
Para João Candido, a arte pode funcionar como uma ponte duradoura entre sociedades de trajetórias históricas distintas. Nesse sentido, o encontro entre a sensibilidade brasileira expressa nas telas de Portinari e a tradição cultural chinesa demonstra que os dois povos compartilham valores fundamentais, como a dignidade humana, o trabalho e a construção de um futuro comum.

