Rio de Janeiro, 1º jul (Xinhua) -- Pesquisadores da Amazônia brasileira sequenciaram, pela primeira vez, o genoma completo do açaizeiro (Euterpe oleracea Mart.), avanço que pode acelerar o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e resistentes e ampliar aplicações biotecnológicas em setores como alimentos, fármacos e cosméticos, segundo informações divulgadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O estudo foi conduzido por cientistas da Embrapa Amazônia Oriental e da Universidade Federal do Pará (UFPA), e seus resultados foram publicados na revista científica Genome.
O mapeamento genético permitirá identificar com mais rapidez genes associados a características de interesse agrícola, como produtividade, resistência a doenças, adaptação a diferentes ambientes e maior teor de antocianinas, pigmentos naturais com propriedades antioxidantes responsáveis pela coloração do açaí roxo tradicional.
Elisa Moura, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental e uma das autoras do estudo, afirmou que o conhecimento do genoma deverá transformar o processo de melhoramento genético da cultura.
"Com o sequenciamento, podemos identificar regiões do genoma que funcionam como marcadores para evitar a espera de cerca de seis anos até que tenhamos informações sobre produção de antocianinas e produtividade", afirmou Moura. Segundo a pesquisadora, essa informação genética permitirá selecionar plantas com maior potencial ainda em laboratório, reduzindo tempo e custos dos programas de melhoramento.
O estudo também ajudou a explicar a diferença entre o açaí roxo e o chamado açaí branco. Os pesquisadores constataram que a coloração roxa está associada à ativação de uma enzima responsável pela síntese de antocianinas, enquanto, no açaí branco, há inibição generalizada dos genes que iniciam esse processo de coloração.
Rafael Baraúna, professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA e coautor do estudo, destacou que o conhecimento do genoma abre possibilidades além do melhoramento agrícola.
Segundo Baraúna, a identificação dos genes responsáveis por moléculas de interesse poderá viabilizar processos biotecnológicos para produzir antioxidantes, corantes naturais e outros compostos por meio de microrganismos cultivados em laboratório, reduzindo a necessidade de extração direta das plantas.

