
Rune Floberghagen, chefe do Departamento de Ação Climática, Sustentabilidade e Ciência da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), concede entrevista exclusiva à Xinhua em Dublin, Irlanda, em 30 de junho de 2026. (Xinhua/Zhao Jiasong)
Por Zhao Jiasong, Gao Wencheng e Zhang Jiawei
Dublin, 1º jul (Xinhua) -- A China e a Europa desenvolveram capacidades maduras de observação da Terra e estão cada vez mais aptas a se complementar, combinando seus dados de satélite e expertise científica, disse uma autoridade sênior da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês).
Rune Floberghagen, chefe do Departamento de Ação Climática, Sustentabilidade e Ciência da ESA, disse à Xinhua, em entrevista exclusiva realizada em Dublin na noite de terça-feira, que tanto a China quanto a Europa desenvolveram capacidades robustas de observação da Terra e estão se complementando cada vez mais.
"Todos nós temos ativos importantes no espaço", disse ele, acrescentando que ambos os lados também desenvolveram uma ambição compartilhada de utilizar seus dados e conhecimentos em benefício do planeta. "Estamos nos complementando, e o uso conjunto dessas informações representa uma força poderosa".
Floberghagen estava em Dublin para o Simpósio de Meio Termo do Programa Dragon 6 de 2026. Lançado em 2004 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da China e pela ESA, o Programa Dragon apoia pesquisas conjuntas de observação da Terra utilizando dados de satélite chineses, europeus e de terceiros.
COOPERAÇÃO CIENTÍFICA BASEADA NA CONFIANÇA
Floberghagen disse que o programa desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da cooperação em ciências da Terra entre a China e a Europa ao longo dos últimos 22 anos.
"Ele gerou centenas de projetos científicos que realizamos em conjunto", disse ele. Cientistas europeus e chineses trabalharam em prol de objetivos comuns e produziram conhecimentos importantes para a compreensão do planeta e dos desafios que ele enfrenta.
"Sem esse programa, esse tipo de colaboração entre a China e a Europa não teria acontecido", disse ele.
Além dos resultados científicos, o programa ajudou pesquisadores a estabelecer laços profissionais e pessoais de longo prazo. "A confiança é a palavra-chave aqui", disse Floberghagen.
Os cientistas compartilham dados, informações e métodos de pesquisa, e aprendem como seus parceiros analisam dados e abordam problemas científicos, disse ele.
"Estamos, como se diz, no mesmo barco, em um oceano agitado", disse ele. "Os desafios do planeta não conhecem fronteiras. Eles não se importam com fronteiras geopolíticas ou nacionais. Eles seguem as leis da física".
CAPACIDADE CRESCENTE DA CHINA EM OBSERVAÇÃO DA TERRA
Floberghagen disse que a China fez progressos "enormes" na observação da Terra e desenvolveu capacidades robustas em uma ampla gama de instrumentos e medições.
Ele observou que a observação da Terra abrange não apenas câmeras ópticas e radares, mas também medições da composição atmosférica, nível do mar, vegetação, florestas, qualidade do solo e condições agrícolas.
Ele disse que a Europa compartilhou parte de sua experiência inicial em tecnologias de observação da Terra e métodos de processamento de dados com a China, que utilizou esse conhecimento para desenvolver rapidamente suas próprias capacidades. Desde então, a relação se tornou cada vez mais recíproca, à medida que missões chinesas e europeias fornecem medições em momentos diferentes e a partir de instrumentos distintos.
"Você dá a sua parte, a Europa dá a dela e, juntos, isso é maravilhoso", disse ele.
Após visitar a China várias vezes, Floberghagen disse que também ficou impressionado com a capacidade do país de transformar decisões tecnológicas em aplicações práticas.
"O que mais me impressionou na China é que, quando é decidido implementar algo, isso acontece de forma relativamente rápida", disse ele. "A decisão é realmente uma decisão, e ela se concretiza conforme o planejado".
Dados de satélite e de sensoriamento remoto podem ser utilizados por bombeiros, equipes de resposta a inundações e outros profissionais que atuam na linha de frente, disse ele, mas especialistas espaciais e equipes de emergência precisam compreender melhor as necessidades uns dos outros.
"É preciso unir esses dois mundos", disse ele.
Até o momento, o Programa Dragon focou principalmente em pesquisa científica, qualidade de dados e métodos analíticos, mas seu foco está mudando.
"O que estamos vendo é uma evolução para a aplicação prática", disse ele. "Espero que isso se torne uma parte maior do Dragon no futuro".
NOVAS TECNOLOGIAS E JOVENS CIENTISTAS
Olhando para o futuro, Floberghagen disse que a China e a Europa trabalhariam juntas em novas tecnologias de observação e medições que só recentemente se tornaram possíveis a partir do espaço.
"O que espero da colaboração Dragon é que analisemos, em conjunto, novas capacidades que estamos levando agora para o espaço, novas medições que o mundo nunca viu", disse ele.
As possíveis áreas de pesquisa incluem mudanças nos níveis de dióxido de carbono atmosférico, a saúde de plantas e florestas, a fotossíntese e a evolução da biosfera. As duas partes compararão dados provenientes de novos instrumentos e explorarão aplicações que apoiem a proteção ambiental e a transição verde.
Os jovens cientistas também continuarão sendo uma parte importante do programa.
"De modo geral, os jovens cientistas estão muito focados na preservação do planeta e em valores ecológicos", disse Floberghagen.
Ele disse que a ESA espera criar mais oportunidades para que pesquisadores europeus trabalhem na China e para que pesquisadores chineses adquiram experiência na Europa.





