Por Chen Weihua e Zhou Yongsui
São Paulo, 3 jul (Xinhua) -- Por ocasião do 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China (PCCh), a presidente interina do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Nádia Campeão, concedeu recentemente uma entrevista exclusiva à Xinhua, classificando a trajetória histórica do PCCh como extraordinária e apontando a experiência chinesa de desenvolvimento e construção do socialismo com características chinesas como um exemplo magnífico para as nações do Sul Global.
Campeão destacou os laços históricos que unem as duas organizações, definidas por ela como "partidos irmãos", fundados em épocas semelhantes. Contudo, enfatizou que os êxitos alcançados pelo PCCh possuem uma dimensão sem paralelos no cenário global.
"O que o PCCh realizou em sua trajetória não tem comparação. A forma como emancipou a sociedade e os trabalhadores, o enfrentamento da extrema pobreza, o avanço econômico e o pioneirismo tecnológico transformaram o país em uma referência impressionante para o mundo", afirmou a liderança do PCdoB. Ela exaltou o feito histórico chinês de retirar 800 milhões de pessoas da miséria crônica, sendo 100 milhões apenas na última década.
Indagada sobre as experiências de governança que o PCCh pode oferecer a outros países, Campeão sublinhou que a China provou a viabilidade de um projeto nacional de desenvolvimento robusto, soberano e baseado na distribuição de renda e na melhoria real da qualidade de vida do povo.
No âmbito das relações bilaterais, Campeão celebrou o excelente estado dos intercâmbios políticos, acadêmicos e sociais. Ela destacou a cooperação estratégica em ciência e tecnologia, capitaneada no governo do presidente brasileiro Lula pelo ministério sob gestão da liderança do PCdoB, Luciana Santos, além do convênio científico entre a Fundação Maurício Grabois e a Academia Chinesa de Ciências Sociais.
A dirigente pontuou uma mudança qualitativa na percepção pública no Brasil: a simpatia e a curiosidade do povo brasileiro em relação à China têm crescido exponencialmente. Ela citou como marco recente a veiculação de um documentário de grande audiência na principal emissora de TV aberta do Brasil sobre o cotidiano tecnológico e a infraestrutura em Beijing e Shanghai.
"Hoje, os brasileiros enxergam a China como um país que cresce defendendo a paz e distribuindo riqueza, uma referência muito diferente e positiva", completou.
Ao analisar a atual conjuntura internacional, descrita como um período conturbado de rupturas e agressividades hegemônicas promovidas por potências ocidentais, ela ressaltou o papel contrabalanceador do BRICS.
Para ela, a China atua como a espinha dorsal econômica e social do bloco. "A presença da China e a voz equilibrada e firme do governo chinês representam um caminho de esperança e alento para os países que buscam uma governança global integrada, multilateral e harmoniosa", defendeu.
Concluindo a entrevista, Campeão estendeu suas calorosas saudações ao povo chinês e à liderança partidária. Ela ressaltou também a forte liderança da China na agenda ecológica global e na defesa dos direitos da natureza em tempos de mudanças climáticas.
"Desejamos muitos anos de vida e de glória ao PCCh. Suas vitórias são um alento de que um outro mundo, mais justo e pacífico, é plenamente possível", finalizou.

