
Criança passa por um outdoor da Cúpula da OTAN em Ancara, Turquia, em 29 de junho de 2026. (Mustafa Kaya/Divulgação via Xinhua)
Istambul, 5 jul (Xinhua) -- Enquanto a Turquia se prepara para sediar a cúpula da OTAN nos dias 7 e 8 de julho, milhares de manifestantes foram às ruas em Istambul, Ancara e Izmir no fim de semana para criticar a pressão da aliança por maiores gastos com defesa.
Os manifestantes carregavam faixas com as frases “A OTAN quer guerra, os trabalhadores querem paz”, “Orçamento para o povo, não para a OTAN” e “Não à OTAN, não à guerra”, enquanto gritavam palavras de ordem contra a aliança.
Em Istambul, trabalhadores, civis e membros de partidos políticos participaram de grandes manifestações tanto no lado europeu quanto no asiático da cidade, expressando sua oposição à pressão da OTAN sobre os Estados-membros para aumentar os gastos militares.
Durante uma manifestação organizada pela Confederação de Sindicatos Progressistas da Turquia, a presidente Arzu Cerkezoglu disse que a expansão dos orçamentos para guerra ameaça a seguridade social e impõe um fardo econômico maior à população comum.
“Queremos mais empregos, não mais armas. Queremos mais escolas, não mais mísseis. Queremos mais hospitais, não mais gastos militares”, disse Cerkezoglu.
Manifestantes em um ato liderado pelo Partido Comunista da Turquia (TKP, na sigla em inglês) usaram elementos simbólicos de funerais para exigir a dissolução da OTAN.
“Sob o pretexto de fortalecer a defesa contra um inimigo imaginário, mais dinheiro é destinado à indústria bélica, as políticas fiscais são ajustadas de acordo e, no final, as pessoas são empobrecidas para que outras nações sejam bombardeadas”, disse à Xinhua Cem Demirok, membro do TKP.
Os protestos ocorrem em um momento em que é esperado que a cúpula de Ancara discuta os caminhos para cumprir o compromisso assumido pelos Estados-membros da OTAN na cúpula de Haia, em 2025, de elevar os gastos com defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035, uma demanda de longa data de Washington.

Manifestantes seguram cartazes contra a OTAN em Haia, na Holanda, em 22 de junho de 2025. (Xinhua/Zhao Dingzhe)
No domingo, a polícia deteve mais de 100 pessoas durante um protesto contra a OTAN em Ancara, segundo o jornal turco Cumhuriyet, uma vez que as autoridades proibiram manifestações na capital antes da cúpula.
Enquanto isso, na cidade de Esmirna, no oeste do país, manifestantes marcharam em direção ao Comando Terrestre Aliado da OTAN, gritando: “Não queremos centros de guerra imperialista em nosso país. Fora OTAN!”.
Baris Doster, pesquisador da Universidade de Marmara, em Istambul, disse que os protestos refletem a preocupação da população com os custos internos da crescente militarização.
“A OTAN não é uma organização comum nem simples de defesa e segurança”, disse Doster. “É uma organização com preferências econômicas, políticas e ideológicas. É o braço armado do capitalismo, do imperialismo e do liberalismo sob a liderança dos EUA”.
Ele acrescentou que elevar a meta de gastos para 5%, pressionando os aliados a adquirir mais armas, munições e equipamentos militares, beneficiaria principalmente a indústria de defesa dos EUA, em detrimento das economias internas desses próprios países.










