Por Zhou Yongsui
Rio de Janeiro, 8 jul (Xinhua) -- O investimento contínuo em ciência, tecnologia e formação de recursos humanos constitui um dos principais fatores que explicam o rápido avanço científico e tecnológico da China nas últimas décadas, afirmou em entrevista à Xinhua o professor Edson Prestes, chefe do Phi-Robotics Research Group do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Segundo Prestes, a China compreendeu que o domínio das tecnologias estratégicas deixou de representar apenas uma ferramenta para impulsionar o desenvolvimento econômico e melhorar a qualidade de vida da população, tornando-se também um elemento essencial para garantir capacidade própria de inovação e reduzir dependências externas.
"A tecnologia passou a ocupar uma posição central no desenvolvimento das nações. Um país que domina tecnologias estratégicas possui maior capacidade de conduzir seu próprio desenvolvimento", afirmou.
Na avaliação do pesquisador, o avanço acelerado da inteligência artificial tornou ainda mais evidente a importância da autonomia tecnológica. Para ele, a estratégia chinesa de fortalecer suas capacidades nacionais em áreas-chave permite ao país reduzir vulnerabilidades externas e garantir continuidade ao seu processo de inovação.
"A China busca desenvolver competências próprias para que seu progresso científico e tecnológico não dependa de fatores externos. Essa visão estratégica fortalece sua capacidade de inovação de longo prazo", disse.
Ao comentar o papel das instituições científicas chinesas, Prestes destacou que um dos diferenciais do país é promover uma integração cada vez mais estreita entre universidades, centros de pesquisa e setor produtivo.
Segundo ele, as universidades têm como missão produzir conhecimento científico, enquanto a indústria transforma esse conhecimento em inovação tecnológica. Para que esse processo ocorra com eficiência, é necessário um ambiente institucional capaz de facilitar a transferência de tecnologia.
"A universidade gera conhecimento; a inovação tecnológica transforma esse conhecimento em produtos e soluções concretas. Quanto mais eficiente for essa conexão entre academia e indústria, maior será a capacidade de inovação do país", afirmou.
O professor observou ainda que iniciativas voltadas para aproximar pesquisa científica e aplicação industrial representam uma mudança importante de mentalidade.
"É fundamental criar mecanismos que permitam transformar resultados científicos em aplicações práticas de forma mais rápida, sempre preservando a qualidade da pesquisa", ressaltou.
Prestes também avaliou positivamente o aumento contínuo dos investimentos chineses em pesquisa e desenvolvimento.
"Quando um país coloca ciência, tecnologia e educação como prioridades nacionais, ele demonstra claramente qual caminho deseja seguir. Esse investimento fortalece pesquisadores, melhora a infraestrutura, atrai talentos e cria um ambiente favorável à inovação", afirmou.
Segundo ele, o financiamento adequado permite não apenas ampliar laboratórios e equipamentos de ponta, mas também formar equipes de pesquisa estáveis e criar condições para que estudantes e pesquisadores possam dedicar-se integralmente ao desenvolvimento científico.
Para o pesquisador, outro aspecto importante da estratégia chinesa é o incentivo à cooperação científica internacional.
"A cooperação internacional é essencial. Nenhum país conseguirá enfrentar sozinho os desafios tecnológicos do futuro", afirmou.
Na visão de Prestes, o compartilhamento de conhecimento, infraestrutura e experiências pode reduzir desigualdades tecnológicas entre diferentes países e ampliar a capacidade global de inovação.
"O fato de um país ainda não dominar determinadas tecnologias não significa ausência de talentos. A cooperação internacional permite aproveitar diferentes competências e promover avanços conjuntos", explicou.
Ele citou como exemplo iniciativas internacionais voltadas ao fortalecimento das capacidades em inteligência artificial, nas quais diferentes países compartilham conhecimento, infraestrutura computacional e experiências para reduzir o fosso tecnológico existente entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento.
Ao abordar a construção de um ambiente científico saudável, Prestes afirmou que a integridade acadêmica constitui um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento científico sustentável.
"A ciência precisa estar baseada na verdade. Não podemos aceitar plágio, falsificação de dados ou qualquer tipo de má conduta científica", afirmou.
Segundo ele, o rigor ético é indispensável porque os resultados da pesquisa científica acabam sendo incorporados a tecnologias, medicamentos, equipamentos e diversos produtos utilizados pela sociedade.
"Quando a ciência perde sua integridade, toda a sociedade corre riscos. Por isso, fortalecer padrões éticos na pesquisa é essencial para garantir inovação segura e confiável", concluiu.

