Rio de Janeiro, 10 jul (Xinhua) -- A inflação oficial do Brasil desacelerou significativamente em junho, para 0,16%, ante 0,58% em maio, enquanto a taxa acumulada nos últimos 12 meses caiu para 4,64%, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com esse resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), considerado o indicador oficial de inflação do país, acumulou alta de 3,08% no primeiro semestre do ano.
A variação mensal foi a menor desde janeiro de 2016 e confirmou a desaceleração das pressões inflacionárias observadas nos meses anteriores, embora o índice anual permaneça ligeiramente acima da meta de inflação vigente do Banco Central, de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
O principal fator por trás da desaceleração do aumento dos preços foi o grupo imobiliário, que registrou queda de 0,53%. Segundo o IBGE, esse resultado se deveu principalmente à redução das tarifas de energia elétrica residencial, beneficiada pelo chamado "título de Itaipu", um crédito extraordinário gerado pelo superávit financeiro da usina hidrelétrica binacional compartilhada entre Brasil e Paraguai.
A queda nas tarifas de energia elétrica compensou parcialmente os aumentos observados em outros componentes dos gastos das famílias, tornando-se o principal fator responsável pela desaceleração geral do índice.
O grupo de alimentos e bebidas, que tem o maior peso no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), subiu 0,18% em junho, significativamente menor que o aumento de 0,67% registrado em maio. O grupo de transportes apresentou variação negativa de 0,22%, impulsionada pela queda nos preços dos combustíveis.
Em contrapartida, o grupo de saúde e cuidados pessoais avançou 0,46%, influenciado principalmente pelo aumento dos preços de medicamentos e produtos farmacêuticos, enquanto educação e comunicação apresentaram variações moderadas.
Dos nove principais grupos de bens e serviços que compõem o IPCA, cinco registraram aumentos de preços e quatro apresentaram quedas, indicando uma desaceleração relativamente generalizada da inflação.
Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, explicou que o desempenho de junho foi marcado por uma forte redução nos custos de energia elétrica residencial e uma moderação nos preços dos alimentos.
"A energia elétrica teve o maior impacto negativo do mês graças ao bônus de Itaipu, enquanto a inflação de alimentos perdeu intensidade em comparação aos meses anteriores", observou o especialista.
Os dados reforçam a percepção do mercado de que a inflação começa a mostrar uma trajetória mais moderada após vários meses de pressão sobre os preços de alimentos e serviços.
No entanto, economistas alertam que o nível acumulado nos últimos 12 meses permanece acima da meta do Banco Central, portanto, a evolução da atividade econômica, do mercado de trabalho e da taxa de câmbio continuarão sendo fatores-chave nas futuras decisões de política monetária.
O Banco Central mantém atualmente a taxa básica de juros Selic em 15% ao ano, um dos níveis mais altos dos últimos anos, com o objetivo de consolidar o processo de convergência da inflação para a meta oficial. Fim

