Carta do Oriente Médio: Um sonho árabe compartilhado-Xinhua

Carta do Oriente Médio: Um sonho árabe compartilhado

2026-07-13 10:37:16丨portuguese.xinhuanet.com

Jogadores da seleção de futebol do Egito em um ônibus sendo recebidos por torcedores após retorno da Copa do Mundo da FIFA 2026, no Aeroporto Internacional de El Alamein, na cidade de Nova Alamein, província de Matrouh, Egito, em 10 de julho de 2026. (Xinhua/Ahmed Gomaa)

Por Mahmoud Fouly

Cairo, 11 jul (Xinhua) -- Durante alguns dias inesquecíveis, o mundo árabe pareceu sonhar o mesmo sonho.

Do Cairo a Rabat, milhões de pessoas em toda a região acompanharam o Egito e o Marrocos enquanto carregavam as esperanças árabes rumo às fases eliminatórias da Copa do Mundo da FIFA 2026.

Agora, não resta nenhuma equipe árabe. A França encerrou a campanha do Marrocos com uma vitória por 2 a 0 nas quartas de final, na quinta-feira, dois dias depois de a Argentina derrotar o Egito por 3 a 2 em uma partida dramática das oitavas de final.

Os resultados foram dolorosos. No entanto, para mim, essa jornada árabe na Copa do Mundo significou muito mais do que vencer ou perder partidas de futebol.

Tratou-se de ambição, dignidade, solidariedade e do desejo constante dos árabes de estar entre os melhores do mundo.

Mostafa Zico, do Egito, comemora seu gol durante a partida das oitavas de final entre Argentina e Egito na Copa do Mundo da FIFA 2026, no Atlanta Stadium, em Atlanta, Estados Unidos, em 7 de julho de 2026. (Xinhua/Huang Zongzhi)

A campanha do Egito terminou de forma particularmente dolorosa. Os "Faraós" venciam a Argentina, atual campeã, por 2 a 0 antes de sofrerem três gols na reta final, incluindo o gol da vitória adversária nos acréscimos.

Assim como muitos egípcios, assisti incrédulo enquanto nossa vantagem escapava por entre os dedos. Mas, em meio à tristeza, o que permaneceu não foi amargura, e sim o orgulho de uma equipe que levou Lionel Messi e os campeões mundiais ao limite da eliminação.

"É triste, mas tudo bem. O Marrocos ainda está lá para continuar o sonho", disse meu amigo Ahmed Yassin, um contador que assistiu à partida comigo em uma cafeteria lotada no Cairo, após a derrota do Egito.

"Nós torcemos pelo Marrocos como uma seleção árabe de qualquer forma, mesmo que o Egito não tivesse perdido", acrescentou ele.

Torcedores egípcios assistem à transmissão ao vivo da partida das oitavas de final da Copa do Mundo 2026 entre Argentina e Egito em uma área para torcedores na Nova Capital Administrativa, a leste do Cairo, Egito, em 7 de julho de 2026. (Xinhua/Ahmed Gomaa)

O Egito já havia feito história ao chegar à fase de mata-mata da Copa do Mundo pela primeira vez, garantindo a primeira vitória do país na fase de grupos do torneio e, posteriormente, eliminando a Austrália nos pênaltis na fase de 32 equipes.

Quando os jogadores retornaram para casa, milhares os receberam no aeroporto como heróis.

No entanto, uma das imagens mais comoventes da jornada árabe na Copa do Mundo não veio de gols.

Os povos árabes podem não concordar em todas as questões regionais, mas, durante esta Copa do Mundo, eles se mantiveram unidos em grande parte.

Vídeos circularam na internet mostrando cafeterias lotadas em vários países árabes explodindo de alegria sempre que o Egito ou o Marrocos marcavam um gol. As bandeiras de ambas as nações tremulavam em varandas e janelas de carros, transcendendo fronteiras e divisões.

Yassine Bounou (direita), goleiro do Marrocos, faz uma defesa durante a partida das quartas de final entre França e Marrocos na Copa do Mundo da FIFA 2026, no Boston Stadium, em Boston, Estados Unidos, em 9 de julho de 2026. (Xinhua/Xu Zijian)

Mesmo em Gaza, palestinos assistiram aos jogos do Egito e do Marrocos em telões instalados em meio aos escombros de seu enclave devastado pela guerra.

"As poucas ruas que permaneceram intactas em Gaza ficaram lotadas de pessoas, jovens e idosos, homens e mulheres, que se reuniam em torno de telões em áreas públicas para assistir às partidas e torcer pelo Egito e pelo Marrocos em cada jogo", disse Sulaiman Hejji, morador de Gaza.

Quando o Marrocos, a última seleção árabe restante, foi eliminado do torneio, a sensação era de que toda a região soltou um longo suspiro coletivo.

Palestinos jogam uma partida de futebol no sul da Cidade de Gaza, em 14 de fevereiro de 2026. (Foto de Rizek Abdeljawad/Xinhua)

Marrocos e Egito voltaram para casa de cabeça erguida, carregando não apenas suas próprias bandeiras, mas também as esperanças de uma região fragmentada e há muito acostumada a ser ignorada.

Suas vitórias foram celebradas como vitórias árabes, suas derrotas foram sentidas como derrotas árabes. Por algumas semanas, isso significou algo profundo: o mundo árabe não era um conjunto de nações separadas, mas uma multidão vasta e esperançosa, unida por um sonho comum.

Esse sonho chegou ao fim, mas apenas por enquanto. E acredito que, se esta Copa do Mundo provou algo, foi que outros sonhos, maiores, já estão começando a ganhar forma.

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